Mel narrando: “ Acordei meio zonza, minha cabeça doía bastante, mas, eu lembrava bem o que havia acontecido, Sarah havia me sequestrado e eu estava em um local imundo e cheio de bichos estranhos, sozinha e completamente desnorteada, como eu havia parado ali? Parei meus pensamentos quando um homem alto apareceu na minha frente. “
Elias: A chefia mandou avisar que está chegando e que a senhorita se prepare, porque ela vai trazer surpresas. – Ele aproximou de mim e tocou meu rosto, rapidamente eu virei, ele me deu uma tapa forte. – Que pena um rosto tão bonito, vai ser difícil matar você, coisa linda...
Mel: Não encosta em mim, seu nojento! – Eu disse firme, ele me deu uma tapa mais forte que a outra e eu continuei firme, por mais que doesse, eu não daria chance a ele de me ver chorar.
Parece que ele se enfureceu e resolveu sair do quarto, fechou a porta com raiva e eu desabei a chorar, tudo que eu mais queria nesse momento, é que tudo isso não passasse de um pesadelo e que logo eu estaria junto dos meu filhos e do meu marido.
Henrique: Mãe? – Henrique tocou o rosto da mãe com delicadeza, esperando que ela acordasse.
Hérica: Me diz que isso tudo é um sonho e eu vou acordar e minha nora vai estar aqui do meu lado? – Ela perguntou chorosa e Henrique a abraçou, tentando conforta-la.
Henrique: Infelizmente não mãe, é um pesadelo mesmo! Mas, nós já avisamos a policia e nós vamos encontra-la. – Ele disse firme, enquanto o irmão falava ao telefone com Arthur.
Chay: Mãe, que susto senhora nos deu! Se sente melhor? – Ele perguntou sentando ao lado do irmão e da mãe.
Hérica: Alguma noticia filho? – Ela perguntou aflita, sabia que ele estava tentando ser forte para não a assustar.
Angelina: Chegamos! – A mulher de Henrique chega com os sobrinhos, incluindo seus filhos.
Tantos motivos para sorrir e apenas um para derramar as lágrimas, Chay tentava seguir a vida, mais a falta de sua amada não deixava, as noites em claro que passou sentindo o cheiro dela, o travesseiro exalava o perfume doce que ela usava, olhava para os filhos e sentia um aperto enorme no peito, sua Lorena estava sentindo a falta da mãe, tão pequena e já estava sofrendo, Laila não entendia muito bem ainda, mas, ver seus irmãos tristes porque sua mãe não estava ali, fazia com que ela se entristecesse junto deles, Angelina estava empenhada em alimentar sua sobrinha, como Lorena ainda estava muito pequena para tomar leite em pó, ela fez uma consulta com o seu médico, e retirou todo o leite que podia para alimentar a menina, todos os dias ela ia até a casa do cunhado e dava uma mamadeira para Lorena, que muitas vezes chorou porque não era o leite que ela estava acostumada, não era sua mãe e Angelina chorava enquanto via a menina em seu colo, sentia falta de sua amiga e imaginava o quanto está doendo a falta dela naquela família. Chay não tinha forças para nada, apenas ficava com os filhos, tentando distraí-los e tentando em vão se distrair, mas, não havia nada que suprisse a ausência de Mel, tudo naquela casa a lembrava, desde as flores nos vasos, quanto o cheiro amadeirado da casa, os dias, as noites, nunca mais foram as mesmas. As crianças não brincavam, não sorriam, apenas ficavam junto do pai, chorando e lamentando, não estava fácil pra ninguém. Arthur trabalhava dia e noite sem cessar, buscando pistas de onde ela poderia estar, aos mesmo tempo se preocupava com os filhos, a mulher entristecida em não saber noticias de sua amiga, tudo estava de cabeça para o ar, tudo era em prol de Melanie, estavam empenhados em acha-la. Sophia havia parado de trabalhar, ela apenas cuidava dos filhos e ajudava com alguns contatos para saber o paradeiro de Sarah, Henrique do mesmo jeito, Micael tentava em vão, dar forças para Chay, mas, tudo estava muito difícil. Chay não dormia, não conseguia deitar, imaginando que sua mulher estava passando frio, fome ou poderia estar até machucada, sua angústia era ainda maior quando a filha caçula chorava sentindo falta do colo de sua mãe. Seu desespero era tamanho que teve uma hora que seu coração deu um basta e ele resolveu fazer alguma coisa, pois se não iria enlouquecer.
(...) Uma semana depois...
Repórter: Estamos ao vivo na casa do cantor, produtor Chay Suede, a situação é delicada, sua mulher Melanie Fronckowiak foi sequestrada a mais de uma semana, nós estamos com a família deles, os filhos do casal, dentre eles, um bebê de apenas três meses, é triste, mas, estamos aqui para ouvir o cantor, que resolveu nos chamar para uma coletiva. Vejam no canto da tela, o rosto da sequestradora Sarah Paiva, loira, estatura mediana e uma cicatriz na parte esquerda do rosto, se virem está mulher, entrem em contato conosco. – Chay segurava Lorena em seus braços, a pequena estava atenta as câmeras, mas, escondia o rosto quando via as luzes, Chay a protegia com sua mantinha, enquanto Julia, Vitor e Laila estavam juntinhos ao lado do tio Henrique e da tia Angelina, foi a vez de Chay se pronunciar.
Chay: Bom, é muito complicado falar, mas, é horrível quando as coisas acontecem debaixo do seu nariz e você não pode fazer nada para impedir. Mas, aconteceu e agora eu preciso falar. Sarah, eu sei que você está me assistindo e ouvindo, sabe, eu nunca imaginei que você fosse tão fria, sei que em algum lugar desse coração tem sentimento e é apelando para esse mínimo, olha para essas quatro crianças, mas, olha bem, elas não comem, não brincam, não sorriem, estão sem forças, tudo isso por sua culpa, está vendo essa pequena aqui? Ela tem meses e você tirou dela a coisa mais importante, o colo da mãe dela, você tem ideia do que é ser mãe? Acho que nunca vai passar pela sua cabeça o quanto eu e todos aqui estão sofrendo, porque você não tem um pingo de sentimento, você é seca e sem escrúpulos, eu quero que você olhe bem para mim nesse momento, seja onde você estiver, eu vou te achar, você vai pagar caro por esse sofrimento e não vai ter nada no mundo que te salve. Onde você estiver com a minha mulher, te dou apenas uma chance de se entregar, se você quiser ter liberdade e viver em paz, acho muito bom você segurar essa chance, porque é a única vez que eu vou te falar, você está ferrada na minha mão, mexeu com a pessoa errada, te dou vinte e quatro horas para fazer contato ou eu vou mover céus e terras, mas, eu vou te achar, sua vagabunda. E quando eu te achar, cadeia é pouco para o que eu vou fazer você passar. – Chay respirou fundo antes de falar, engoliu o choro e segurou Lorena com mais firmeza, levantou a criança algumas vezes e falou tudo que estava preso em sua garganta.
Repórter: Estamos ao vivo em todo o Brasil, Sarah, se eu fosse você, eu me entregava. – O repórter virou para as câmeras e sorriu cínico, do outro lado da televisão, Sarah assistia tudo chocada, enquanto Mel chorava copiosamente ao ver os filhos reunidos.
Sarah: CRETINO! Não acredito que ele fez isso! – Ela gritou com a televisão e desligou furiosa, encarando Mel e o capanga ao seu lado. – Como ele teve coragem de me ameaçar!
Mel: Por essa você não esperava não é? – Mel sorriu entre as lágrimas e Sarah a encarou soltando fogo pelas ventas.
Sarah: Cala essa boca, vadia! – Ela gritou com Mel e saiu do quarto, arrastando seu capanga junto.
(...) Algumas horas depois...
Pensou duas vezes antes de fazer o que pensava, ela não tinha saída, sabia o poder que Chay possuía, tinha dinheiro e influência, a caçaria até no inferno por Melanie, então, conversou com seus capangas, resolveu fugir para não ser presa. Rapidamente, calou a boca de Mel com uma fita, os capangas a amarraram dentro do carro e ela foi junto, optou pela fuga, então deixaria Mel perto de sua casa, amarrada e vendada. Seguiram até o bairro onde Chay e Melanie moravam e pararam o carro uma rua antes da casa deles, largou Melanie ali e arrancaram com o carro. Sem ter como enxergar e falar, amarrada e machucada, Mel tentou se soltar das cordas, fazendo com que elas afrouxassem e ela pudesse soltar os braços, tirando a fita de sua boca e gritando em plenos pulmões, até um homem passar pela rua e ouvir seus apelos.
Mel: Moço, me ajuda por favor! Eu fui sequestrada, me ajuda moço! – O cara se toca de quem se trata, após algumas horas da reportagem, ele lembrava bem do rosto de Melanie.
Moço: Você é Melanie Fronckowiak? – Ele perguntou e ela assentiu desnorteada. – Quem te deixou aqui?
Mel: Não sei moço, por favor, me leva pra casa! Eu moro na próxima rua, eu pago o que for preciso, mas, me leva! – Ela implorou e ele sorriu simpático.
Moço: Eu não quero nada moça, vamos, eu vou te levar pra casa, consegue andar? – Ela assentiu sorrindo meio fraca, apoiando-se no homem.
O cara andou até seu carro, ajudando Melanie a entrar, é difícil crer, mas ele não queria dinheiro, já possuía o que precisava para viver e ver aquele noticiário mexeu com seu interior, acreditava que não existia mais nada que fosse maior em ajudar uma mãe a reencontrar seus filhos. – Ele mal cabia em si de felicidade, depois de uma corrida, eles chegaram em frente a mansão de Melanie.
Cara: É aqui? – Ele apontou e ela assentiu. – Precisa de ajuda?
Mel: Não sei como te agradecer, muito obrigada, quando tudo isso passar, eu quero saber quem é você, por favor, só me diga seu nome. – Ela fungou e pediu sincera.
Cara: Théo Capistrano. Fico feliz que esteja bem, agora entre, sua família lhe aguarda! – Ele sorriu e ela o abraçou momentaneamente.
Mel: Você é um anjo, muito obrigada! – Ela saiu do carro, o cara acenou mais uma vez e partiu, a deixando em frente a sua casa, ela mal cabia em si, acreditava que aquele homem era um anjo, com o nome que seria de seu filho, que perdeu no passado, tudo aquilo se encaixava para ela como obra de Deus, não pensou duas vezes, correu com as poucas forças que tinha e abriu, já que a mesma se encontrava encostada.
Chay assustou-se, ele ninava a filha em seu colo pela sala, quando a imagem de Melanie, toda machucada, suja e com o vestido rasgado veio a sua frente, fazendo com que ele colocasse a criança no carrinho e corresse para o abraço, que seria o mais confortante de sua vida. Ela estava ali, sã e salva, em seus braços. Lágrimas são o sinônimo de tudo aquilo que estava sentindo naquele momento, o beijo caloroso de saudade fazia com aquele momento se concretizasse. Ele a pegou no colo e girou, sorrindo entre as lágrimas. Depois de tanto afago, ele a olhou dos pés a cabeça, tentando ver se ela estava inteira, se não faltava nem um fio de seu cabelo, mas, assustou-se ao vê-la desfalecer em seus braços.
Mel narrando: “ Abri meus olhos devagar, vi uma parede branca, algumas flores ao meu lado, consegui ver Chay sentado numa poltrona e rapidamente deduzi onde estava. Havia alguns curativos em meus braços, toquei minha testa e havia mais um curativo ali, tentei mexer minhas pernas, mas, uma dor me fez parar, eu estava em uma cama de hospital, viva, salva e com meu marido perto. Por mais dor que eu esteja sentindo, esse é o dia mais feliz da minha vida. Tentei me mexer para sentar, mas, fui interrompida por duas mãos fortes e macias me ajudando, ele estava ali, tão próximo, que eu poderia agarra-lo. Sorri de forma graciosa e ele sorriu, seus olhos estavam brilhando e eu não podia deixar de sentir seu coração descompassado. Meu Chay, meu protetor.
Chay: Como se sente meu amor? – Ele sentou cuidadoso ao meu lado e segurou minha mão delicadamente.
Mel: Melhor agora com você ao meu lado. – Eu sorri e ele me olhou sereno, aproximou nossos rostos e me beijou devagar.
Chay: Não sabe o peso que saiu das minhas costas, meu amor, prometo nunca mais sair de perto de você. – Ele falou com uma ponta de tristeza na voz e eu toquei seu rosto.
Mel: Você não teve culpa, para de falar e me beija, que eu não matei toda a minha saudade. – Eu sorri maliciosa e ele gargalhou baixinho, chegando próximo ao meu rosto e tocando nossos lábios com delicadeza e carinho.
Nos beijamos mais um pouco, até sermos interrompidos por uma visita, a visita mais especial de todas, Angelina entrou com Lorena em seus braços, Henrique carregava Laila e Júlia segurava Vitor pela mão. Meu coração disparou e eu não contive as lágrimas ao ver meus filhos ali, tão perto de mim, uma semana sem senti-los, sem ouvi-los, sem vê-los, uma tortura, e finalmente eu posso abraça-los. Angelina chorosa como sempre, me entregou nos braços minha preciosidade, Chay ajudou Laila, Vitor e Júlia a sentarem junto de mim, o retrato perfeito das minhas joias, minhas vidas, finalmente os tenho perto e posso enfim, abraça-los para nunca mais soltar. As lágrimas eram inevitáveis. O choro iria cessar, mas, naquele momento, tudo que eu precisava era chorar, com a certeza de que nunca mais, mais nunca mesmo, eu sairia de perto deles.
Mel: Mamãe ama vocês, meus amores! – Eu disse entre as lágrimas e eles me abraçaram ainda mais forte.
Júlia: Também amamos você, mamãe. Que bom que está aqui, promete nunca mais deixar ninguém te tirar da gente? – Minha filha chorava e eu assenti, não tendo palavras para expressa tamanha emoção.
Mel: Mamãe promete, filha. – Beijei a cabecinha de Lorena e os abracei ainda mais.
Após muito trabalho, Arthur e sua equipe encontraram Sarah, a mesma estava fugindo para a Europa, mas, fora pega por um policial disfarçado. Enfim, ela havia sido presa e enviada a um presídio no Mato Grosso, longe de tudo e de todos. Passará muitos anos pensando na burrada que fez e talvez nem sobrevivesse, pois sua cela estava lotada de mulheres que odiavam sequestradora. Se meteu onde não devia. Um caminho sem volta.
A parte boa disso tudo, é que o cara que ajudou Melanie era realmente um enviado de Deus. Após algumas buscas, Arthur procurou o paradeiro do homem e descobriu que ele não existia, aquele nome jamais tinha sido registrado.
Enfim, tudo fica bem, quando acaba bem.
N/A SOCORRO! Que capítulo foi esse gente? Chorei, sorri e me acabei de dor nos braços, mas, valeu a pena. Angel, muito obrigada pela ideia. Leiam e comentem, ♥.