Resenha | A Era do Abismo - O Torneio dos Campeões
Não é segredo algum que tenho me envolvido cada vez mais com a literatura fantástica brasileira, que vem apresentando inúmeras obras com universos e personagens ricos. Incontáveis aventuras foram vividas, diversos personagens foram amados ou odiados, e muitos autores foram descobertos e aclamados. De forma inusitada, foi ao assistir a uma entrevista que descobri um novo autor, Bernardo Stamato; só que ele não era o entrevistado daquele vídeo, e sim o entrevistador. Gostei de seu trabalho e decidi acompanhá-lo, de forma casual. Eis que, depois de algum tempo, ele anunciou seu primeiro livro: A Era do Abismo - O Torneio dos Campeões, lançado pela Editora Pendragon.
Suficiente dizer que, após ler a sinopse, me vi na obrigação de perscrutar mais uma obra fortemente influenciada por RPGs.
E O Torneio dos Campeões abraça essa inspiração com muito carinho. A começar pelo fato de que a narrativa é conduzida através duma party, e que cada capítulo é contado a partir do ponto de vista dum personagem específico, o que ajuda a manter certa fluidez, ao mesmo tempo que desenvolve quem quer que esteja a cargo de nos mostrar o desenrolar da trama. Contudo, essa é uma característica que não engrena logo de cara; o começo do livro apresenta certo problema de ritmo e foco, onde cada um dos envolvidos ainda é um pouco superficial e o objetivo da história parece se perder.
Logo após, com a adaptação ao sistema de missões secundárias que o livro possui (onde cada capítulo se situa num local diferente, com suas particularidades e missões específicas), é que tudo engata de vez. E esse foi um aspecto que me cativou imensamente, devo dizer. A cada novo cenário que era introduzido, havia aquela sensação de adentrar o desconhecido e esperar por algo surpreendente, o que me leva ao ponto da imprevisibilidade do roteiro, onde não existe um protagonismo certo. O próprio autor recomenda que não nos apeguemos à personagem algum, mas essa é uma tarefa árdua, tendo em vista que aprendemos mais sobre cada uma dessas figuras durante cada uma das tarefas que lhes são apresentadas.
Mas, apesar de já ter mencionado um ponto negativo lá em cima, ainda é preciso elaborar sobre outro que, diferentemente e infelizmente, se prova constante através das aventuras: a pontuação errática em diversos trechos. Em momentos específicos onde ocorrem diálogos ou descrição de embates e cenários, é possível se deparar com uma sensação estranha de sufoco, proveniente pelo excesso de vírgula. Não é algo que acabe de vez com a leitura, como se pôde constatar logo acima, mas é um vício de escrita que causa certo desconforto momentâneo.
Bernardo Stamato é um novo nome na literatura fantástica brasileira que já provou do que é capaz com A Era do Abismo - O Torneio dos Campeões, e que já possui seu lugar como um dos melhores autores do gênero. Certamente irei acompanhar suas vindouras obras, porque esse universo é rico e ainda tem muito o que apresentar e desenvolver.


















