Duas dicas de leitura!
Nada como seguir nesse ano tão doido com livros nas mãos. Indico dois, “Bernice Corta o Cabelo” (F. Scott Fitzgerald. Tradução: Juliana Cunha. Ilustrações: Mika Takahashi - Lote 42) e “Mikrokosmos” (Thiago Souto – HQ independente).
Capa da HQ Mikrokosmos, de Thiago Souto.
Só como curiosidade, a publicação, de 2014, foi o primeiro livro em Quadrinhos do artista, que foi também o professor de HQ do curso que fiz em 2019 e comentei aqui no blog!
Na HQ, Thiago nos leva a uma viagem interestelar, introspectiva e sinestésica de um astronauta atormentado pelo passado com a mãe, uma talentosa e exigente pianista que sentencia o então menino a ter o mesmo destino dela: o estrelato nos palcos das sinfônicas pelo mundo.
Capa do livro “Bernice Corta o Cabelo”, de F. Scott Fitzgerald, com tradução e posfácio da jornalista Juliana Cunha e ilustrações, lindas por sinal, de Mika Takahashi.
Já “Bernice Corta o Cabelo”, adquiri quando fui à Sala Tatuí/Lote 42, em 2019. O cenário do livro é um EUA dos anos 1920, onde Bernice e sua prima Marjorie disputam a atenção da sociedade por meio do luxo, modos, comportamentos e estilos, regados a dinheiro e futilidades. Até manual de como escovar as sobrancelhas deve ser seguido, para ter ideia!
Engraçado é que fiz as duas leituras em uma sequência e em um intervalo de uma semana cada.
E em ambos, coincidência ou não, têm pano de fundo semelhantes: o primeiro é a música. Em Mikrokosmos, Thiago foi bem sagaz em de brincar com nome da sinfonia criada pelo compositor húngaro Béla Bartók, para mesclar com o microcosmos destas galáxias que nos rondam e as que habitam dentro de nós.
Em “Bernice...”, por sua vez, tem como palco os agitados bailes regados a jazz e aparências. Essa é a magia, e o desafio, de quem traduz: trazer à tona o que foi escrito em uma língua estrangeira sem perder a essência. E Juliana Cunha fez com, sem trocadilhos, maestria mostrar a realidade que Fitzgerald estregava na cara daquela sociedade abastarda, porém, infeliz.
E em ambas leituras são levantadas questões que também podem estar na lista de resoluções para este 2020: sonhamos nossos sonhos ou os dos outros?
“Tudo que podemos fazer pelas pessoas é alimentá-las, diverti-las ou chocá-las”, a frase, atribuída a Oscar Wilde e dita em “Bernice” nos dá esse alerta.
“Todos temos uma música, que emana no silêncio absoluto. Outrora ruído, porém com o tempo ela ganha contornos”. Nos diz o astronauta de “Mikrokosmos”.
Sonhamos nossos sonhos?
O que podemos fazer pelos outros sem esquecermos de nós mesmos?
Coisas para se pensar e que me instigaram nas páginas desses livros.










