Teatro Arthur Azevedo promove ciclo de formação em alusão ao Dia Internacional da Dança com o projeto entreATO
Nesta segunda edição, o entreATO propõe um encontro onde o corpo é a força motriz, o discurso e meio para uma poética em artes cênicas.
Começa hoje a programação do TAA em alusão ao Dia Internacional da Dança, trazendo o ciclo de formação complementar em artes cênicas entreATO para a cena maranhense. O projeto, promovido pelo Teatro Arthur Azevedo, busca promover ações artístico-pedagógicas, nas quais os participantes possam experimentar as mais diversas metodologias de criação cênica, articulando um aprendizado técnico/poético a…
Desacelerando um pouco a noite para contemplar o deslumbre que é esse tumblr. Com carinho e puxadas de orelha universais, tocado por solitude tudo se encaixa bem.
me sinto feliz em ler o seu comentário sobre meu cantinho... obrigado por estar aqui, lendo meus conselhos! espero que alguns deles tenham te ajudado de alguma maneira! abraços! ♡♡
Post 5 - Diário do Caminho de Santiago de Compostela - Entreato
Pausa para respirar e explicações
Data 13/09/2020
Local: Joinville
Distância: 0 km
Tempo: Nublado
Tendinite no pé direito, bolhas no pé, caminho bloqueado pelas águas de um rio, um (quase) ataque de cão, túneis que não levavam a lugar algum e albergue (quase) sem vagas. Eu sei, o primeiro dia foi pesado e pode ter até assustado o hipotético leitor dessas memórias e aspirante peregrino do caminho. No entanto, não se preocupem (alerta de spoiler) porque os próximos dias não foram tão difíceis quanto esse, embora outras adversidades de ordem menor, persistentes e contínuas tenham ocorrido e me acompanhado em minha jornada.
Por exemplo, ao chegar no albergue ao término da etapa 1, o “fascinante” e engraçadinho cuidador do albergue nos disse que tal bloqueio da trilha pelas águas do rio engordadas pelas chuvas da região raramente ocorriam. Na hora pensei: “por que os Amigos do Caminho de Sevilha não me disseram nada?” Claro, na vida queremos um manual para tudo, porém, não é assim que funciona. Não era para ser a etapa mais difícil, mas acabou sendo. Paciência.
Além disso, gostaria de fazer alguns esclarecimentos antes de prosseguir com o dia 2. É provável que eu devesse ter feito mais uma publicação chamada “prólogo 3” ou esticar o prólogo 2, mas evitei de deixar a publicação muito longa, apesar de que a Etapa 1 tenha tido quase 8 páginas no Word e, por causa disso, dividida em 2 partes.
Preciso falar do calcanhar do pé direito, das sandálias e das próximas publicações.
Eu havia o dia certo para começar a caminhar conforme meu “plano”. No entanto, antes de começar uma caminhada tão longa, era preciso ver se meu calcanhar de Aquiles direito daria conta do recado. Creio que ninguém morra de dor do pé, mas melhor garantir.
Utilizo meu seguro-viagem que me recomenda ir para um hospital (vou contar a versão curta, já que a longa me levou primeiramente para um hospital no meio do nada). Chegando lá, sou bem recebido, a médica me ouve com meu portunhol avançado e dá seu diagnóstico. Inflamação do tendão do calcanhar direito. Sem raio-X, nem nada, ela prescreve um anti-inflamatório, pomada e repouso. Eu retruco dizendo que estava por começar a peregrinação até Santiago de Compostela amanhã. Ela sem saber que eu iria começar de Sevilha na Vía de la Plata diz que não havia problema contanto que eu descansasse com várias pausas ao longo das caminhadas. Estranho a resposta dela até que ela me pergunta de onde eu iria começar. Respondo categórico. Daqui. O quê?!? Qual é a distância? 1000 km de Sevilha até Santiago de Compostela. Você irá fazer tudo?!? Esse é o plano a menos que a minha condição não permita. A médica de média idade pensa, reflete e me diz. Ok, mas faça muitas pausas para repousar e realize banhos de água quente e fria no calcanhar para que ele se recupere. Pode deixar. Ela sabia que não conseguiria convencer um peregrino que viajou meio mundo a desistir desta empreitada aos 48 minutos do segundo tempo. (Se você achou esse parágrafo confuso, é porque eu dei um “que” de José Saramago, com todas as vênias. Agora pense num livro todo assim, pois bem...).
Outro ponto, as sandálias estilo apóstolo com tecnologia tipo século XXI. Eu teimoso, querendo poupar peso na mochila e, por consequência, nas costas, não comprei as tais sandálias tão faladas e comentadas em livros, sites e blogs. Carreguei um monte de tralha inútil (a ser dito na próxima etapa) e não cuidei do principal numa jornada longa como essa de realizar o caminho santo, os pés. Se esses não estão bem, não adianta dinheiro, mochila, cajado, concha, carimbos e afins.
Sabendo do erro que havia feito, vou na Decathlon de Sevilha e falo com um lojista muito simpático que me indica a sandália mais popular da Europa, uma básica de uma submarca dessa loja. Visto elas e ando para lá e para cá. Era isso, elas seriam minhas companheiras quando meus pés não dessem conta das botas.
O vendedor muito espirituoso sabendo da minha jornada que iria se iniciar a poucos dias, conta de sua história de peregrino. Ele havia o feito várias vezes e numa delas de barraca, algo que aparentemente não pode ser mais feito. Eu preocupado sem ter o guia do caminho, pergunto a ele onde poderia encontrar um. Ele indica algumas livrarias e também fala da associação do caminho local que eu viria a visitar dias depois. No entanto, ele me faz uma ressalva. “Se não encontrar o guia, vá sem ele. Siga as flechas e vá tranquilo”. Sua sugestão não me agradou, parecia fácil para ele dizer isso. Então ele completa. “Um dos caminhos que eu fiz foi assim, sem guia”. Sim, ele havia se entregado àquilo que o dia iria lhe proporcionar, sem saber de fato onde iria chegar após acordar. O destino final da jornada era sabido, mas o caminho era incerto (e não é?). Sem saber, ele me enche de energia. Disse para ter calma e ir tranquilo. Depois de agradecer por sua ajuda, ele me diz: “Ulltreya”. Nada entendo. Então ele me explica que se trata da saudação do peregrino quando cruza outro. Então, este responde àquele com um: “Suseya”. Entendido.
Depois de comprar as sandálias, eu as utilizei pelos próximos dias até começar o caminho dias mais tarde. O plano seria zarpar no dia após a ida ao hospital, mas pensei bem e decidi postergar o começo da peregrinação para dar aos pés um pouco mais de repouso. No entanto, nenhum dia a mais do que o 29 de abril pois Sevilha iria realizar a Feria de Abril, uma festa tradicional e de arromba que reúne milhares de sevillanos e turistas. Desta forma, os preços dos hotéis e albergues vão para as alturas. O meu albergue iria ficar ao menos 3 vezes mais caro do dia para a noite. Com essa diferença poderia passar 3 dias no caminho (sim, o custo da peregrinação é baixo, mas direi mais sobre isso no futuro). Meio que sem querer, a tal festa me expulsou e a peregrinação iria começar pela força da providência (ou da inevitabilidade).
Por fim, as próximas publicações serão “interessantes” para eu escrever. Tanto no prólogo quanto na primeira etapa da peregrinação, eu relatei os acontecimentos como um diário bem detalhado, escrevendo longos parágrafos em várias páginas (8 páginas de um caderno pequeno para a etapa 1) o que simplificou meu trabalho ao transpor para este projeto blog/livro. Mas, no final da segunda etapa, eu percebi que estava levando muito tempo para escrever à mão (mais de hora) e resolvi encurtar o processo registrando somente tópicos que preencheram não mais do que 2 páginas para cada etapa. Sim, agora a minha memória será usada ao máximo para juntar os pontos, ou melhor, os tópicos como uma ponte tentando visualizar meus dias que começavam às 6 horas e que terminavam às 22 horas. A qualidade da narração vai cair? Não sei. A ver...
Esclarecimentos feitos, creio que posso continuar com a segunda etapa.