Sonho/Tormenta
Encontrado amargurando o gosto do fel Misturados com dilema de certo e errado Minhas mãos atadas contra meus pulsos Seis espinhos pasmos da rosa contra meus lábios A cabeça densa e pasma Nas imagens de um santo carnívoro Coisificando as partes do corpo Atendendo o rompante ingenuidade Esculpido nas estátuas de sal Sangrando a vontade e a vaidade Liberto de indecisões Empunhando mentiras confortáveis nas mãos Descrente frente ao precipício Eu mesmo como um precipício Refletindo a inoportuna devassidão Aos olhos imorais de meus interlocutores À imagem de si mesmo, tão único Esculpido como meio, arma e destino Destruindo outros que se postam como oponentes Sua beleza resistirá ao menos dois meses Feito por costuras, avesso aos ecos Ecoa-se em uma artificialidade Remodelada festivamente de revolta Impressiona-se a sua volatilidade Ao sopro das décadas, já fazem três Cuspido como emplastro e tormenta Orbitando em sinônimos de um Vênus Pronta para a sua prova de fogo Me vi solvido na chuva Aberto e transbordando otimismo Que não o pertencia E sim era matéria de enxertos










