Dias e dias se passaram desde que conseguira falar com seu padrinho, mas nada acontecera. Ainda que a explicação talvez fosse o fato de que o número do jornalista fora bloqueado no aparelho, impedindo futuras ligações, Margareth não conseguira deixar pensar que, talvez, ele já tivesse sido de fato procurado pela justiça e estava bem ocupado com seu trabalho. Seu pai costumava dizer que tio Ethan trabalhava demais. O pensamento se mantivera pelos dias seguintes, com Margareth continuando a rotina na casa de acolhimento em sua tentativa de não irritar a ninguém, embora isso significasse ser passada para trás ocasionalmente, mas sem poder reclamar. Permanecia boa parte do tempo em seu quarto, longe de todos, embora não fosse difícil que as pessoas ali se esbarrassem. Não era um espaço grande, com quatro meninas por dormitório (cinco no total) e precisando de um ou outra reforma. Fora em seu quarto que uma assistente a encontrara em um dia. “Tem visita para você.” Sua expressão era irritadiça, indicando que a visita não era agradável, gelando o corpo da adolescente que andava com cuidado rumo ao térreo. Quando viu que a visita era @ethanehopatrao, Margareth correra na direção do homem, em um abraço que tanto evidenciava a saudade, sua alegria e também um tanto do seu desespero. Isso queria dizer que ele viera buscá-la? “Tio Ethan!” Proferiu em sua corrida, ignorando que havia mais pessoas ao redor. “Me diz que o senhor veio me tirar daqui, por favor.” Questionou ao seu afastar, ainda ignorando algumas pessoas ao redor. Peggy não entendia como funcionava para que Ethan a levasse daquele lugar, mas esperava que sua presença ali fosse positiva à sua pergunta.