estava achando graça na situação até ela mencionar os dois meses, sua expressão surpresa com o fato. “sozinha? sem morar com o ethan?” deixou a dúvida de onde ela morara implícita, como se não a obrigasse compartilhar se não quisesse. contudo, james não conseguiu evitar ficar chocado, considerando que ela era nova demais para andar por aí sozinha. “olha, aproveita enquanto tem alguém pra te cuidar, sério… depois que você fica adulta, vai querer voltar quando tinha uma babá e ela ajudava a você se virar, juro, fica sem direção total e ninguém pra te ajudar.” admitiu, trazendo leveza em suas palavras com um sorriso. “mas acho que pode conversar com teu tio, sabe? sobre isso da babá, não pra demitir ela, mas negociar, tipo, ter um dia na semana que você pode ficar livre, com intuito de não aprontar nada, talvez assim vai construindo confiança o suficiente até que ele veja que sabe se cuidar sozinha.” e até lá ela provavelmente estaria mais velha e não precisaria nem dos cuidados; ao menos james achava uma boa sugestão, entendia o fervor por independência naquela idade. “um pouco, sim, minha mãe gostava muito de poesia, e toda vez que leio as que ela lia e escrevia, parece que entendo um pouco mais dela, soa bobo?” desviou o olhar para o celular que agora apenas servia para ocupar as mãos. “eu? por enquanto não, talvez um pouco de quem me manda mensagem escrota, mas não tem muito como me vingar desses, né? só fingir que não me importo.” constatou com um dar de ombros, o comentário mais verdadeiro do que esperava responder. vendo o receio alheio, decidiu mudar de ideia. “posso perguntar coisa simples, como doce ou salgado. ou você pode me perguntar coisas também, ver se o negócio de jornalismo tá no sangue, que tal? ser minha entrevistadora.”
“É...” Fora o que dissera ao perceber que falara demais. Não que aquilo fosse, agora, um problema, mas era um fato que não gostaria de compartilhar. Sua primeira reação, então, fora cruzar os braços diante do corpo, em defensiva. E assim ficara durante todo o monólogo de James, movendo os lábios de um lado para o outro, no famoso bigode de Chaplin. Ele tinha razão no que dizia, embora não fosse admitir tão facilmente, afinal, como toda adolescente, desejava ter razão. No entanto, não havia razão para discutir, portanto, ela não o fez. “Eu acho que ainda é muito recente para conversar com ele, mas eu posso tentar.” A verdade é que não tentaria. Tinha muito medo de criar qualquer situação que fizesse Ethan se arrepender da decisão de tê-la acolhido. Com os dizeres sobre a própria mãe, Peggy negou. Não era nada bobo, ao menos, pra ela. “Não porque eu sinto o mesmo com flores. Faz com que eu pense muito na mãe...” Apertara os lábios. A memória ainda era difícil de ser visitada. Com os dizeres posteriores, rira, embora baixo e mais para si. “É muito difícil ser famoso, né? A Tessa estava me mostrando o que mandam para ela...” Eram coisas tão ruins. Ela jamais lidaria com ela. “Hmmm” Peggy proferiu, passando o dente nos lábios. “Ok, eu vou fingir que te encontrei na rua. E perguntar sobre... O que você vai fazer por esses dias? Dá a sensação de que eu te conheço ou que a gente conversou... Eu acho. Né?” Ela não sabia mesmo como funcionava aquilo. Ficara tanto temo longe do celular que começava a temer como ficar com uma câmera apontada para si.