Em meio a multidão estava eu, louvor, clamor, e infindáveis perguntas em que eu questionava o meu Deus:
— Senhor me mostra pra que nasci... Me diga o propósito da minha vida. Tu me fizeste livre, mas pra quê? Qual o motivo da minha existência? Me responda, por favor! Preciso de respostas....
— Shhhhh — Foi a Sua resposta.
Imediatamente me calei; e já não havia mais som algum, não havia ninguém ali, apenas eu e o Espírito Santo; o mundo parou pra que eu vivesse aquele momento.
As imagens se formaram de forma muito clara em minha mente, era um campo vasto, verde. O céu estava de um tom suave de cinza, quase prateado. Havia acabado de cessar a chuva. O campo logo a frente, tinha uma plantação alta, estavam úmida suas folhas. Ele estava do outro lado, alto tão alto, que não podia contemplar o seu rosto.
— Estou aqui — ele me disse, fixei os olhos nas suas mãos estendidas pra mim, então corri, passando por entre as plantas, sentindo gotas de água geladinha caírem quando minhas mãos se chocavam com elas. Quando me aproximei, ele me disse:
— Olhe pra trás.
Olhei e de repente a plantação verde que ali estava floresceu, observei enquanto via o campo todo tornar-se branco. Olhei de volta pra Ele como uma criança extasiada por viver um momento que há muito espera. Percebi que Ele me olhava da mesma forma. Como um Pai que contempla a alegria do filho ao ganhar algo que tanto queria.
— Tome, pegue esta cesta. — Ele me alcançou uma cesta rústica, era bem grande. Tomei pela mão e apoiei na cintura.
— Vai, chegou a hora de colher. Os campos já estão prontos. A chuva já cessou.
Chorei enquanto andava na direção da plantação, um choro de alegria e gratidão. Enchi meu cesto colhendo uma a uma. Quando retornei os olhos para Ele, indaguei:
— O que eu faço agora?
— Entregue para as pessoas.
— Mas que pessoas?
— Olhe ao teu redor.
Olhei e então percebi que não estava sozinha no campo, muitas pessoas andavam, outras perambulavam, mas todas estavam no mesmo campo. Me aproximei delas com meu cesto cheio e passei a chamar uma a uma, mas não por seus nomes. Chamei-as por suas dores:
— Tristeza...
— Mágoa...
— Ódio...
— Frustração...
A medida que chamava por estas dores, pessoas se aproximavam de mim e eu entregava um ramo das folhagens que colhi a elas.
— Suicídio... - Quando chamei por esta dor, uma fila imensa se formou diante de mim. Várias pessoas com tendências suicidas, algumas com lágrimas nos olhos, todas vestidas de preto, tomavam a planta da minha mão numa espécie de desespero. Então percebi o motivo pelo qual vivi tudo que vivi, o real motivo pelo qual nasci. Ali o meu Deus revelou minha identidade.
"Então disse aos seus discípulos: "A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos.
Peçam, pois, ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita" — Mateus 9:27-38
"Eu o criei e o enviei como garantia da aliança que vou fazer com o meu povo, como a luz da salvação que darei aos outros povos; para abrir os olhos dos cegos, pôr em liberdade os prisioneiros e soltar os que estão em prisões escuras." — Isaías 42:6-7