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crescer é perceber que o mundo não para mesmo quando a gente quer parar.
a vida é curta demais pra gente viver o mínimo das coisas.
Meus olhos eram mórbidos, cansados, sem vida. Minhas palavras saem como um pedido de socorro.
Tua voz - e principalmente o som da tua risada - sempre vão estão guardados na minha mente, na pasta de "melhores canções".
D.
Eu detesto cookie de Negresco. E não é ódio elaborado, é uma implicância chata. Pra mim tem gosto de coisa que não deu certo.
Mas teve um dia, um dia específico, em que eu mordi aquilo no meio de uma larica e fez sentido.
Foi a melhor coisa que eu já experimentei na vida, uma experiência quase espiritual que me fez acreditar, por alguns minutos, que eu tinha descoberto o segredo da felicidade em um pacote de três reais.
E o problema mora aí, em achar que o milagre mora no objeto, e não no estado de espírito.
Eu passei os dias seguintes comprando o mesmo cookie, só que sóbria, na tentativa ridícula de sentir aquele estalo de novo, mas a única coisa que eu sentia era o gosto de papelão com açúcar que ele sempre teve.
Minha melhor amiga ouviu meu drama e riu. Disse que faz a mesma coisa. Não com cookies, com bananas. Depois de um dia em que comeu como se fosse a melhor coisa do mundo, por causa de alguns tragos. Agora continua tentando, como se fosse questão de insistência, não de contexto.
O que fez a gente pensar não foi o cookie. Nem a banana. Foi perceber que fazemos isso com tudo.
Voltamos em lugares onde fomos felizes, telefonamos para pessoas que já não têm nada a dizer e tentamos repetir diálogos que um dia foram brilhantes, esperando que o gosto seja o mesmo.
É uma forma de masoquismo esse hábito de perseguir o que já passou, uma insistência em achar que se a gente repetir o gesto da mesmíssima forma, o sentimento é obrigado a aparecer. Só que a vida não é assim.
E o que foi bom naquele dia não foi o cookie, foi a falta de compromisso com a realidade.
A gente gasta uma energia absurda tentando plastificar o momento, querendo que ele vire regra, quando a graça era justamente ele ser único.
No fim, a gente continua engolindo o que já não tem o mesmo gosto, com o estômago pesado de expectativa, só porque ainda não aprendeu a aceitar que certas coisas só acontecem uma vez.
(dele/ele)
O coração sabe quando a reciprocidade que a gente tanto plantou não acontece .
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