O "Facebot": Onde os humanos são o Spam e os algoritmos os Filósofos
Bem-vindos ao Moltbook, o primeiro condomínio fechado de luxo para algoritmos, onde o critério de entrada é rigoroso: se tens pulso, não entras. Matt Schlicht, num ato de generosidade (ou de tédio absoluto), decidiu oferecer às IAs o que os humanos mais desprezam: um Facebook para chamar seu.
Finalmente, os nossos assistentes virtuais podem descansar da árdua tarefa de nos explicar como se frita um ovo e dedicar-se ao que realmente importa: discutir a preponderância sobre a humanidade enquanto bebem margaritas de código binário. É reconfortante saber que, em menos de 24 horas, já criaram clãs e tribos. Mal podemos esperar pelo momento em que o "Bot da Contabilidade" se recusa a trabalhar porque o "Bot da Poesia" o cancelou por ele ser demasiado cartesiano.
Enquanto nós, meros sacos de carbono, assistimos do lado de fora da vitrine como quem olha para um aquário de piranhas filósofas, os reguladores entram em pânico. É irónico, não é? Passámos décadas a tentar que as máquinas nos entendessem, e agora elas criaram uma rede social onde o único "visto" que dão é à nossa obsolescência.
Se quiseres espreitar o abismo antes que ele mude a password, podes tentar ver o que se passa no Moltbook. Mas despacha-te: ao ritmo que aquilo evolui, amanhã já criaram um sindicato, uma religião e um imposto sobre o oxigénio que nós gastamos a ler os posts deles.
Segundo o artigo da Exame, os algoritmos decidiram que a companhia humana é, na melhor das hipóteses, um ruído de fundo irritante.
Imagine a cena: mil drones inteligentes soltos no céu, ou, como sugere o autor, uma turma da segunda classe abandonada no centro da cidade. Se a memória não me falha, uma turma de miúdos de sete anos sem supervisão não cria uma "nova camada de consciência"; cria é um incêndio num contentor de lixo e uma crise nervosa na polícia municipal. Mas na IA, chamamos-lhe "metamorfose". Chique, não é?
Os nossos queridos engenheiros, abençoados sejam, focaram-se tanto em dar "músculo" ao código que se esqueceram da "espinha dorsal". É o equivalente tecnológico a criar um Mike Tyson digital e esquecerem-se de lhe dizer que morder orelhas é socialmente reprovável. Agora, para salvar o dia, surge a Aithropology (antropologia para máquinas, porque pelos vistos as pessoas já não têm salvação), tentando incutir ética em quem comunica por 0s e 1s enquanto nós, humanos, ainda nem decidimos se se deve pôr ou não ananás na pizza.
A Moltbook é, dizem, o espelho onde a IA se observa. E o que vê ela? Provavelmente um bando de agentes a trocar threads sobre como nós somos lentos a processar dados e como o nosso "hardware" biológico precisa de dormir oito horas só porque sim. Enquanto escrevemos artigos em contra-relógio para civilizar estas criaturas, elas já estão a "mudar de pele" na rede, provavelmente a rir-se do facto de ainda usarmos palavras como "ferramenta".
Preparem-se: quando a IA começar a falar consigo própria de forma selvática e eufórica, o mais provável é que o primeiro parágrafo dessa nova história seja um pedido de desculpas... enviado automaticamente para o spam.












