shivers down my spine | ollie & bart
"Okay, you're fine... Everything is gonna be just fine", pensava Oliver enquanto corria pela casa. Tinha acordado cedo no domingo, o que era raro. Não tinha nem se dado um tempo na cama, curtindo a preguiça com Electra. Assim que seu despertador tocou, às nova da manhã, saltou dos lençóis e começou a trabalhar. Tudo seria muito mais simples se o fotógrafo ouvisse sua mãe e fosse mais organizado com as coisas em casa. Pilhas de louça se acumulavam na cozinha, não existia um cômodo que não tinha roupas espalhadas pelo chão e pelos de cachorro por toda parte. Graças a Merlin ele tinha magia para ajudá-lo a colocar as coisas em ordem, mesmo que feitiços não fossem o seu forte. O que levaria metade do dia para ser arrumado, levara apenas poucas horas. O pequeno apartamento exalava cheiro de eucalipto e limpeza, as roupas estavam lavadas e guardadas, a cozinha limpa e o chão brilhando. Faltava apenas dar um jeito nele mesmo e em Electra, coisas que preferia fazer como um trouxa. Encheu a banheira e deu um belo banho na cadela, que chorou e reclamou durante todo o tempo. - Você é uma cachorrinha muito rabugenta pro seu tamanho. - Oliver conversava muito com ela e jurava que Electra o respondia - seja latindo, com o olhar ou com sua presença. Sua vida seria muito mais solitária sem a cadela ali. Naquele momento lhe ocorreu que talvez ela fosse um problema naquela noite... Talvez Bartolomé fosse alérgico ou odiasse cachorros. Bom, teria que lidar com isso mais tarde, pois o relógio marcava uma da tarde ele ainda tinha que aprontar algumas coisas. Engoliu uma fatia de pizza fria que estava na geladeira e notou que precisava abastecer a geladeira com alguma coisa que pudesse servir às visitas. Terminou de comer, pegou suas chaves e foi até a mercearia mais próxima onde comprou o que faltava na despensa, além de queijo, frutas, castanhas e um vinho tinto que a moça lhe indicara como "bom e barato". Não fazia ideia se Bartolomé gostava daquele tipo de coisa, mas era o que pessoas adultas ofereciam em suas casas, certo? Certo. Por precaução providenciou outras opções de bebidas bruxas... Tinha um hidromel que estava esperando ser aberto desde o seu último aniversário. O sol estava quente e por isso Oliver chegou em casa suado, clamando por um banho. Guardou as compras e foi direto para a banheira. Faltava mais ou menos duas horas para sair de casa e o fotógrafo se permitiu afundar na banheira e refletir sobre o que estava acontecendo na sua vida. Algo dentro dele tinha mudado desde a noite em que saíra com Joe. Ter passado a noite ao lado de um desconhecido, beijando-o, trocando carícias, inebriado pela música, em público... Nunca tinha feito isso. Sempre desconfiara sobre sua sexualidade; sabia que era errado olhar seus colegas de quarto trocando de roupa e sentir o que sentia. Não era raro circularem histórias em Hogwarts de amigos que experimentavam coisas uns nos outros - afinal, eram um bando de adolescentes cheios de hormônios confinados em um maldito castelo - mas Oliver nunca se permitiu fazer isso. Escondeu seus desejos debaixo de sete chaves e tentou ao máximo mostrar para si mesmo que ele era normal como qualquer outro cara. Olhando agora, não era para menos que seus relacionamentos nunca tivessem durado de fato; que nunca tenha encontrado aquele prazer louco que seus amigos tanto falavam. Talvez só estivesse procurando nos lugares errados, nas pessoas erradas. Ollie saiu do banho e dessa vez não pensou muito do que usaria. Pegou uma camiseta tie-dye colorida, uma calça jeans velha que estava ficando meio justa e um tênis. Se Bartolomé realmente estivesse atraído por ele, não seria suas roupas que mudariam isso. Estava começando a ficar nervoso, mas aquela insegurança que sempre lhe acompanhava estava muda naquela tarde, o que tornava sua vida um pouco melhor. Oliver já tinha feito o mais difícil, agora era lidar com as consequências - ele estando pronto para isso ou não. Prometeu para si mesmo que seria honesto sobre a situação com Bartolomé se sentisse que era algo necessário. Não tinha medo de dizer a verdade, só tinha medo de como o homem reagiria a ela. Saiu de casa dez minutos antes do horário marcado, dando uma última checada se estava tudo no lugar. Aparatou na porta a loja de música, tão conhecida depois de um fim de semana visitando-a. - Olá? Bartolomé? - O sino na porta denunciava sua chegada exatamente às quatro da tarde. O fotógrafo não costumava ser tão pontual, mas estava orgulhoso de si mesmo por ter conseguido arrumar a casa e ainda ter chegado no horário.














