[flashback] and when your hope crashes down, shattering to the ground you, you feel all alone. you’re not alone. when you believe in, when believe in the gift of a friend. || stiwork || february 79
Astrid não se lembrava uma única vez que não teve Felicity ao seu lado. As duas eram muito próximas desde os tempos de Hogwarts e muitas vezes, a Woodwork sentia-se muito mal por mentir para a melhor amiga. Desde que sua avó morrera, Astrid vinha enfrentando uma enorme crise com seu pai. Elliot Woodwork não era apenas um alcoólatra, mas também um viciado em jogos e isso muitas vezes o custava muito dinheiro. Sempre que ganhava a mesada que a jovem dava a ele todos os meses, ele tratava de gastar rapidamente nos jogos e mal sobrava dinheiro para comer e pagar as contas de casa. Por isso Astrid trabalhava tão duro, ele precisava sustentar não uma, mas duas casas, a sua e a de seu pai, uma vez que ela não tinha pique para que ele vivesse na mesma casa que ela. Queria ter sua privacidade e levar o homem para morar junto dela, era chamar mais do que a atenção e ter problemas em dobro. Ela sabia que não deveria deixa-lo sozinho, mas muitas vezes precisava. Ela precisava ter uma vida normal, por mais que vivesse mais no trabalho do que em qualquer outro lugar. A jovem não reclamava, gostava do que fazia, de como fazia, mas queria muito que seu pai um dia largasse tudo aquilo que lhe fazia mal. Mas todas as vezes era a mesma coisa, ele prometia a ela que ia parar, mas um dia depois tudo estava de volta ao normal dele.
E foi assim que ela ficou por mais de cinco anos, até que um dia, estava indo visitar Elliot, como sempre e quando entrou no prédio e chegou até o andar onde o pai morava, a porta estava aberta. Até ai nenhum problema, muitas vezes Elliot esquecia a porta aberta, o que chocou a garota foi ver um homem alto, apontando uma arma para o peito de seu pai. A primeira reação da garota foi gritar, o que acabou assustando o homem que acabou atirando bem próximo ao coração do homem. O cara acabou saindo correndo e Astrid nem teve tempo de fazer nada, nem mesmo sacar sua varinha para segurar o homem, apenas correu ao encontro de seu pai e tentou conter o sangue que estava ali, jorrando do peito de Elliot. Quando o homem percebeu o desespero da filha e viu que ele iria morrer, apertou a mão da menina que estava tentando, inutilmente, conter o sangue em seu peito e sorriu fraco para ela. “Você sempre f-foi assim, c-como… sua m-mãe, querendo sem… sempre ajudar os mais f-fracos. E s-sempre tive orgulho de você, filha, e-embora eu tenha sido esse cara, que você não se orgulha, esses anos todos com você, eu sempre a a-mei m-m-muito, mas eu já não pertenço a esse mundo há anos, desde que sua mãe se foi. Agora eu posso me encontrar com ela, certo? Posso ser feliz lá. E você… Você pode continuar sendo essa garota que… Você é. E-Eu tive muito orgulho de ser seu pai.”
Muitas partes daquele dia ainda vagavam pela mente de Astrid, algumas de coisas que ela mesma tinha dito a ele naquele momento e outras do que ele tinha lhe falado. Doía lembrar, muito. Ela não esperava que o pai tivesse tido aquele fim, mas ela mesma nunca fizera muita coisa para ajudar, pelo menos era assim que ela pensava. Sempre dando dinheiro, ajudando-o a sustentar o jogo, que no final foi a causa de sua morte. Divida de jogo. E aqueles momentos, a jovem Woodwork não conseguia esquecer. Tinha trabalhando muito para deixar aquelas imagens longe de sua cabeça, mas tudo era muito inútil. Tinha até mesmo duplicado sua jornada de trabalho e o resto de tempo acabava ficando em casa mesmo. Por mais que ela não fosse muito ligada a seu pai, ele era o último de sua família vivo. Era seu dever cuidar dele e tinha falhado nisso também.
Um de seus pesadelos estava invadindo sua mente mais uma vez e teria ficado pior se não tivesse escutado a campainha tocar e isso não a tivesse despertado de seu sono. Levantou-se do sofá, jogando as cobertas pelo chão e procurou pela chave da porta. Como não tinha plantão naquele dia, não tinha visto problema em ficar em casa e dormir um pouco. Era bom fazer aquilo, por mais que ela estivesse fazendo isso desde que presenciara a morte do pai. Mas quando viu Felicity ali na porta, pelo olho mágico, a jovem deu um tapa de leve em sua própria cabeça, havia esquecido completamente de que elas tinham marcado de se encontrar, logo depois que Felicity saísse do trabalho e Astrid simplesmente tinha se esquecido desse detalhe. Tirou a tranca da porta e abriu-a no segundo seguinte, encarando uma Felicity que não parecia muito alegre por ter sido esquecida por quase horas no bar. — Eu sei que eu esqueci, mas juro que não foi de propósito — disse enquanto brigava com ela mesma por estar de pijama e nem ter se dado ao trabalho de se trocar, onde poderia dar uma desculpa que já estava saindo — Eu não me lembrava que tínhamos marcado nada hoje, ai acabei deitando no sofá e dormindo — comentou desviando os olhos e seguindo para a cozinha, assim poderia fazer algum chá ou chocolate, para que elas comessem enquanto conversassem. Mas sua intuição tinha falado, que Felicity não estava ali só para tomar chá e que aquele encontro não era só para matar as saudades. Ela queria saber de alguma coisa e Astrid tinha quase certeza do que era.