A estética apocalíptica

seen from United States

seen from Türkiye

seen from India
seen from India
seen from United States

seen from United States

seen from Malaysia
seen from United States
seen from United States

seen from Malaysia

seen from Hong Kong SAR China

seen from United States

seen from Netherlands
seen from Iraq

seen from Australia
seen from United States

seen from United States
seen from France
seen from United States
seen from Russia
A estética apocalíptica
A DESPEDIDA DE UM GIGANTE
A DESPEDIDA DE UM GIGANTE
Havíamos reaberto o ferro-velho há pouco tempo. A maior missão era reconquistar a freguesia.
Embora pouco antes do meu pai morrer, o Alex já havia tomado a frente, depois que o seu próprio faliu.
Ele havia aberto um com seu cunhado (na época) Fininho e um amigo dele.
Boa coisa não ia sair disso nunca…
Os últimos anos da vida do meu pai foram patéticos e tristes.
Um homem que sucumbiu totalmente à vida.
Lutou o quanto pôde contra o que lhe acontecia, mas de maneira errada. Ele achava que sua fé o salvaria.
Viciado em macumba, só conheceu picaretas. Uma vez até me falou que conversou com D. Aparecida num centro espírita. Disse que via espíritos do bem e ele decaindo cada vez mais.
Ele nunca foi um grande negociador ou investidor.
Não teve retorno nenhum nos imóveis que comprou.
E os dois filhos mais velhos, pioraram muito a sua desgraça.
Pouco a pouco as coisas foram retornando ao normal, ao menos o plano seria esse.
Fregueses voltando…
O que mais me marcou foi um jovem que deveria estar finalizando os seus vintes anos e iniciando seus trintas.
Ele vendeu sucata, material fino, ao receber, ficou uns segundos parado olhando para o carrinho.
Um carrinho improvisado, feito de caçamba de geladeira, madeira e roda de rolimã. Na frente um rosto desenhado.
_ Posso deixar o carrinho aqui.
_ Pode. A gente guarda pra você.
_ Não. Eu vou deixar aí com vocês.
_ Não quer mais o carrinho?
Olhou novamente o carrinho e depois se justificou:
_ Amanhã eu vou começar a trabalhar… Eu devo muita coisa a esse carrinho. Se não fosse por ele, eu morreria de fome, mas finalmente eu consegui um emprego e vou começar amanhã;
_ Que bom! Tudo bem, Deixa aí. A gente usa e empresta pra um catador, se ele pedir por um.
E partiu rapidamente.
Fiquei imaginando o turbilhão de emoções na cabeça do rapaz, que (talvez), no período mais complicado da vida dele, construir um carrinho com sucata de geladeira e madeira e foi à rua buscar seu sustento.
O fato de ele ter pintado um rosto no carrinho de mão, me faz pensar que por todo esse tempo, nesse momento em que amigos e familiares se afastam, o carrinho foi o seu único amigo confidente desse momento difícil, onde sua comida, roupa, talvez até aluguel, vinha do que ele poderia encontrar na rua pra catar e vender.
O amigo que não o abandonou, e ficou lado a lado o ajudando a sobreviver.
Porém…
Havia chegado a hora de virar a página.
Desconfio que o rapaz era crente ou frequentava alguma igreja.
Crentes catadores se vestem melhor. Calça, camisa de botão…
Ele era catador e não morador de rua.
Estava limpo, poderia se dizer que era até bonito.
Se o carrinho foi seu alicerce, talvez não o quisesse mais. Catar na rua é digno, mas não é bonito.
Conhecidos caçoam ou sentem pena.
Desconhecidos o ignoram.
Era a hora do carrinho mudar de dono. Deixar no ferro-velho. Lá ele teria uma sobrevida útil.
E teve mesmo.
Por muito tempo usamos o carrinho, que com o seu sorriso sério, ajudou a construir um bonito capítulo da minha vida.
Que também acabou de forma melancólica.
Mas essa é outra história…
Ferro-velho anunciando o lindo dia que tá começando.