Here we are, don't turn away now ▲ POV
Ele sentia o sangue fresco correndo-lhe por entre os dentes cerrados. O rosto tinha sido maltratado, mas continuava de pé. Aquele filho de Ares parecia ser incansável, mas Aaron também era adepto da tática da caça por cansaço. Poderia apanhar, obviamente, mas tinha mais resistência à dor do que qualquer outra pessoa daquela Academia, e mais cedo ou mais tarde seu adversário se cansaria.
“Ainda não desistiu, filho de Tânatos?”, o inimigo perguntou, também bastante injuriado. O Bertolazzo abriu os lábios quebradiços em um sorriso, macabro devido ao rubro que cobria a dentição. — A morte nunca desiste. No final da guerra, apenas ela permanece. — Respondeu, e novamente partiu para o ataque.
Têmporas e mandíbula. Boas para um nocaute, mas eram muito próximas do crânio. Seria perigoso se errasse. A cabeça era o melhor local para acertar, mas poderia quebrar ou deslocar seu punho ou dedos devido aos duros ossos que ali estavam. Mas Aaron era habilidoso. Por que não tentar?
O punho fechado enganou o adversário, movendo-se rapidamente pela esquerda, mas no outro foi posta a velocidade, e o mesmo acertou diretamente o olho do rapaz, ao invés do lado de seu rosto. O filho de Ares bufou, segurando a mão esquerda de Aaron e dando-lhe uma rasteira. Não! Não poderia se deixar ser dominado. Transformou a aproximação do oponente em uma chance de recuperar o controle, agarrando o tornozelo direito do rapaz quando o mesmo estendeu a perna a fim de dar-lhe um chute nos rins. O italiano puxou-o, sentindo uma dor excruciante no braço ao fazê-lo, mas logo em seguida levantou-se.
Nariz e olhos. Tinha acertado um deles, isso era bom. Aaron não atacava um inimigo caído, esperando o imberbe levantar antes de lançar-se ao ataque novamente, a mão espalmada em direção ao rosto alheio. O outro foi mais rápido, enfiando-lhe o punho fechado no estômago. Aaron emitiu um urro mudo, sentindo o ar deixar seus pulmões de uma vez só. Os olhos lacrimejaram pela força incutida no golpe, mas o Bertolazzo recuperou-se antes de tomar outra pancada na base da espinha. Viu pequenas estrelas diante dos olhos, mas não poderia perder aquela luta. Havia se empenhado naquela atividade nos últimos dez minutos, como iria deixá-la daquele modo? Seu espírito competitivo clamava por sangue adversário, e o golpe seguinte do filho de Ares fez o mesmo soltar um grito.
O corpo de Aaron estava quente. Fervendo. Sentia os braços entrando em combustão, o fogo lambendo a pele pálida e deixando-a completamente negra. As chamas queimavam em um tom negro arroxeado de aparência sombria, mas estranhamente encantadora. Era impossível visualizar os membros do rapaz por trás da chama estranhamente gélida. Ele sorriu diante da surpresa e confusão do herdeiro do deus da guerra, mas rapidamente balançou as mãos, e as chamas apagaram-se. A trilha de fuligem negra restou em seus braços, maculando a pele queimada no exato formato de suas veias, indo à altura do cotovelo. — Você teme a morte? — Mas não obteve resposta.
Pescoço e lado interno do cotovelo. O pescoço lhe tiraria o ar, impediria a fala e possivelmente atingiria os nervos da medula espinhal. O lado interno dos cotovelos desarmaria o oponente, mas ele não precisava desarmá-lo. Os olhos de Aaron brilhavam, chamas vívidas em meio à adrenalina da batalha. Dessa vez esperou o combatente, desviando-se de forma ágil quando o mesmo partiu em sua direção. Os dois iniciaram um veloz embate corpo-a-corpo, tão perto um do outro que o Bertolazzo conseguia ouvir a respiração do oponente. Aaron bloqueava e era bloqueado, acertava poucos golpes, recebia poucos golpes. Seus olhos estavam semicerrados, os lábios franzidos em uma eterna carranca. Ele não podia perder. O soco foi direto e certeiro no pescoço do adversário. O filho de Ares retrocedeu alguns passos, cambaleante com o golpe, as mãos envolvendo o pescoço e os olhos arregalados. Aaron planejava o próximo murro enquanto isso.
Plexo solar. Difícil de atingir, mas muito efetivo. Fígado. Tonturas, dor imediata e perda de fôlego. Era disso que precisava. Um, dois, três. Em poucos segundos havia terminado. Por fim, os punhos atingiram os rins, um de cada lado, e o oponente caiu. Liquidado. Derrotado. Vencido. A morte havia permanecido vencedora.
O Bertolazzo sorriu novamente, sentindo o gosto do sangue metálico enchendo sua boca. Cuspiu-o, mas ainda manteve o sorriso vermelho. — Eu acho melhor cuidar dos rins. Mijar sangue não é legal, cara. — Avisou, o tom rouco da voz aumentado devido à respiração pesada e ofegante. Os músculos contraídos continuaram até o mesmo deixar a arena, sem se importar em como o filho de Ares ficaria. Tinha seus próprios ferimentos para cuidar, mais algumas cicatrizes de batalha. Sentia-se levemente tonto, agora que parara para pensar. Mas o sentimento vitorioso o dominava. Assim, com o andar firme de sempre e a cabeça erguida, o Bertolazzo seguiu triunfante para os chalés, jubiloso pela peleja vencida.








