Ogum-Ieman-Jah
Há quem se ajoelhe diante de imagens. Há quem repita palavras que não sente. Mas há também quem erga a cabeça e sinta Deus pulsar dentro do próprio peito.
Eu sou desse último tipo. Minha fé não é de igreja, é de energia — não é de livro, é de estrada. E nela há três vértices que sustentam o equilíbrio de meu espírito: Ogum, Iemanjá e Jah.
Ogum é o ferro e o fogo. É a disciplina que não se dobra, a espada que corta o que não serve. É o guerreiro que luta não por glória, mas por coerência. Ogum é o protetor dos que não se calam, dos que continuam mesmo feridos. No campo interno, é o impulso que me faz levantar-se todos os dias, mesmo quando o mundo pesa.
Iemanjá é o oposto e o espelho — é a água e o colo. É o perdão que acalma, a onda que leva embora o ódio, a pureza que devolve o brilho do olhar. Em suas águas eu me reencontro, se limpo e se reconcilio com o que ainda dói. Ela é a mãe que acolhe o guerreiro quando ele precisa parar de guerrear.
E Jah, o sopro Rastafari, completa o triângulo. É o vento que sopra sobre o ferro e o mar — É o espírito livre que ensina: “Nenhum homem é teu senhor”. Ras Tafari fala da liberdade mental, da dignidade natural, do amor como resistência e da fé que não se curva ao sistema. É a consciência de que Deus está no coração do homem, não nas leis de Babilônia.
Assim vive eu, sob o Triângulo da Sabedoria Viva: força, perdão e liberdade — ferro, mar e vento — Ogum, Iemanjá e Jah.
Não é uma religião. É um ritmo de alma. Um tambor que ecoa dentro do peito e diz:
“Lute. Ame. Seja livre. E não traia a tua própria luz.”














