Canto a tua imagem Um cântico sujo e vadio Aliado aos meu quereres Ferem e fermentam outros corpos A tua pele anemia contra a minha E o aconchego era tudo que não sinto Deve ser o excesso de sua vontade Deve ser o excesso da sobriedade O quarto depõe contra você O cheiro de pressa passada O lençol amassado e sujo Os buquês lustrosos que me trazes Tudo cheira a culpa, e como não seria Um corpo morto sob o jornal O feitio da fome e da dor A carnificina construída Teu nome é prepotente Tua idade é um hiato Teu ato, atuado Tua dor, existencial Quem nos medica hoje Nos roga doenças amanhã Para seu bel enriquecimento Ególatra e financeiro Sou o sim embargado Voltando ao amor que me ama Sou a posse empossada em teus dedos Enrolando em você feito anel, temendo outra deixa Sou o trêmulo cuidado, anestesiado Sou a caça e o póstumo argumento Sou o corpo dilatado em feridas Que nunca cicatrizam na cinza do cigarro...
O Amor em Termos de Cólera, Pierrot Ruivo











