Carta aos meus anos
Eu já não conto mais o tempo como quem espera alguma coisa acontecer. Mas, ainda assim, quando olho pra trás, eu sinto. E sinto muito. Eu amei os meus anos. Grata até pelos que me quebraram! Mesmo os que me deixaram em pedaços que eu nem sabia como recolher, porque foram eles que me ensinaram a existir quando existir não era leve. Eu aprendi que crescer não é vencer, é sustentar. Sustentar dias difíceis, sustentar silêncios longos, sustentar a mim mesma quando ninguém mais podia. Aprendi que nem tudo fica. E, mais importante, que nem tudo precisa ficar. Eu deixei pessoas. Deixei versões minhas que já não cabiam. Deixei expectativas que eu jurei que eram destino. Deixei. E doeu. Mas também abriu espaço pra algo que eu ainda estou aprendendo a nomear. Eu aprendi que sentir muito não é fraqueza. É excesso de vida, chorar é transbordar, escrever é me derramar num corpo que ainda está aprendendo a caber em si. Eu aprendi que nem todo luto é morte. Às vezes, é só a despedida. E mesmo assim, mesmo com tudo isso, eu olho pra mim com um tipo estranho de carinho Não perfeito, não resolvido, mas verdadeiro. Se existe alguma coisa que eu posso dizer sobre mim hoje, é isso é muita dor que, ainda assim, não me amargurou me amadureceu. E talvez esse seja o meu maior aprendizado não é sobre ter feito tudo certo, é sobre não ter desistido de mim.










