Ele estava sozinho, sentado no banco de concreto daquela praça logo ali
o único poste aceso de luz fraca amarelada iluminava o seu metro quadrado
ainda que houvesse pouca luz, ele tinha em mãos um bonito livro grosso
parecia concentrado na leitura, mas quando ouviu meus passos virou-se apressado
abriu aquele sorriso exagerado de quem anseia por sentir mais
deu-me um abraço quase que desesperado e apertou minhas mãos
seus olhos brilhavam de felicidade, pareciam refletir um universo inteirinho
ele queria chorar, gritar, correr e pular, mas só conseguiu manter-se de pé me olhando
não saiu sequer uma palavra de sua boca...
até que respirou fundo, fechou os olhos e me beijou
me beijou como nunca antes
eu ainda tentava entender, foram anos sem receber nenhuma notícia, dei o tempo necessário como me pediu
e agora estávamos ali, na mesma praça, muitos anos depois
nossas almas finalmente se reencontraram
mas estava tudo um turbilhão dentro de nós.