Revista Brasileiros pág. 46
"Brasileiros: O que aconteceu quando, aos 18 anos você largou a carreira?"
"Paula: durante os sete anos em São Paulo, não aconteceu com minha carreira e voltei pra casa. Acredito que, graças a essa sensibilidade toda que tenho, às vezes ate sinto que meus poros são mais abertos do que o normal... Foi uma junção de fatores, a criação que tive. Meus Pais deram o que tinham e o que sabiam, mas houve erros também que eles cometeram nesse desenvolvimento entre ter uma artista dentro de casa e a filha. Não os culpo por isso, mas acho que foi uma coisa natural."
"Brasileiros: Você queria ficar independente, é isso?"
"Paula: Não, acho que é porque eu não viajava de férias, era só trabalho... Até que um dia, deu um estalo. Eu estava em uma gravadora que não oferecia condições, já tinha terminado terceiro colegial e ficava em casa pirando. Não tinha namorado, meus amigos estavam longe. Quando fazia um amigo, eu me mudava. Comecei a descobri que eu não estava do jeito que queria. E as portas se fechavam também. diante de tantos "nãos" de gravadoras, empresários depois de praticamente nove anos de busca..."
"Brasileiros: Você caiu em depressão? Foi medicada?"
"Paula: Tomei remédio tarja preta, fui ao psiquiatra... Para aceitar o psiquiatra, foi dificílimo, eu achava que isso era coisa de doido. Eu tinha 18 anos. Descobri que até criança de dois anos pode ter depressão.
"Brasileiros: Você era bipolar?"
"Paula: Não. Tive crise de pânico, tremia tinha medo de andar de ônibus sozinha, medo de dormir sozinha. Meu médico dizia que o alarme da gente fica desregulado. Então, se passa um vento, ele dispara. Só que, ao mesmo tempo, eu estava muito lúcida, sabia o que estava acontecendo. Mas a gente não controla as emoções, porque o copo já encheu. Gradativamente fui recomeçando a trabalhar, fazendo o tratamento direitinho, amor, amor, amor..."
"Brasileiros: Amor de quem?"
"Brasileiros: Quanto tempo levou para sair da crise?
"Paula: Dois anos mais. A gente vai se desintoxicando e descobri, nessa época, o quanto eu era forte. É impressionante como a gente é uma pessoa antes e depois da depressão."
Créditos: Meus dedos (pravoce-pf) - Revista Brasileiros