Pedro Malazarte (Camargo Guarnieri) - Theatro Municipal de São Paulo, 16/fevereiro/2012
Ópera brasileira com legenda em português. Opção 1: parte1, parte2, legenda. Opção 2: parte1, parte2, legenda. Para download do vídeo, sugiro usar o software JDownloader 2.
A ópera modernista "Pedro Malazarte", em 1 ato, foi composta em 1932, mas a sua estreia só ocorreu em 1952. É considerada, entre todas as óperas nacionais, como a mais verdadeira -- um exemplo de brasilidade!
Com o propósito de repensar e legitimar a ópera brasileira, Mário de Andrade escreve (em 3 dias) o libreto cômico da ópera Pedro Malazarte. Esta ópera é quase um guia do pensamento de Mário de Andrade para o nacionalismo musical na ópera. O nacionalismo operístico e o sentido do nacional estariam, por exemplo, nas referências folclóricas, nos cenários típicos brasileiros, nos figurinos, nas indicações culinárias do libreto, no cancioneiro popular adaptado como as cirandas, o maxixe, a embolada e a modinha, enfim, traçando um amplo painel da cultura brasileira. Destaca-se ainda a preocupação com o "falar brasileiro", a língua viva que dá sentido e expressão da nacionalidade. Outros elementos característicos de brasilidade presentes nesta ópera são as ambiências urbanas e sertanejas, o uso de formas populares, o uso de elementos musicais da cultura brasileira, como a síncope, a repetição sistemática de um valor pequeno, os modos lídio e mixolídio, os saltos melódicos audaciosos, o caráter vivo, as frases descendentes, a forma estrófica, entre outros.
"...Pedro Malazarte abre uma estrada nova, e funda, na realidade a ópera brasileira. Não é um trabalho de fôlego — antes uma deliciosa ‘trouvaille’ — mas traz as indicações de rumo estético certeiras para a criação de uma grande ópera nossa. (crítica do Correio da Manhã 29 mai. 1952 apud, Cotrim, 1989)"
Para Mário de Andrade, a ópera cômica seria o meio ideal onde o teatro cantado pode se realizar plenamente, pois, na sua visão, o artificialismo de se falar cantando, se torna um elemento de prazer pela comicidade.
Dizer “Eu te amo!”, “Adeus!”, “Como vai?”, etc., em música, é sempre pelo menos... insatisfatório. Mas não é o na ópera cômica, porque esse ridículo é mais um elemento de comicidade, mais um elemento de prazer. O que é contradição no drama musical, vira valor estético na comédia musical. Quanto mais prazer desinteressado, mais artístico. A ópera cômica é a única solução esteticamente perfeita da arte dramático-musical. E quanto mais cômica, mais artística. (Mário de Andrade, 1944 apud Hollanda, 1992, p.56)
A música do compositor Camargo Guarnieri se utiliza dos gêneros pop-folclóricos, como as cirandas, os cocos e uma modinha! A composição expõe a escala nordestina, em uma harmonia mista: tonal e modal; e permeada por cromatismos -- tudo envolvido por uma textura polifônica.
O jovem compositor Guarnieri tentou criar uma música que não tivesse parentesco com qualquer ópera brasileira anterior, a começar pelo seu próprio estilo de composição, que diferia de tudo o que o antecedeu no Brasil.
Elenco: Sebastião Teixeira (Pedro Malazarte); Ednéia Oliveira (Baiana); Eric Herrero (Alemão)
Carlos Moreno -- regência Cleber Papa -- cenografia e direção cênica
Pedro Malazarte, uma Ópera Modernista (págs 14-21) (link)
Camargo Guarnieri - memórias e reflexões sobre a música no Brasil (USP 2009)
Libreto
Editora da OSESP
Documentário Mozart Camargo Guarnieri (2007)
Notas Soltas sobre um Homem só - Camargo Guarnieri (2009)
Personagens principais: - Pedro Malazarte: Um aventureiro espertalhão. Moço moreno, magro. Todo de preto, com elegância almofadinha. Vem carregando uma folha de porta e puxa um gato por um cordão. - Baiana: Baianinha tendendo pra mulata. Gorducha, cabelos e olhos pretos. A mulher-boazuda do Alemão. - Alemão: Um colono-tolo. Marido da baiana. Muito loiro. Simboliza a ingenuidade do homem simples e trabalhador, contrastando com o malandro Pedro. obs: No libreto, a grafia é "Alamão", forma popular para alemão em "gauchês".
Sinopse: Malazarte flerta uma dona casada, de fato só para bispar a janta boa dela. Ela é baiana mora em Santa Catarina e é casada com um alemão, que foi na cidade vender o mate. A cena está só com a baiana, pondo a mesa para o namorado que vem. Está inquieta, abre a janela, e entra uma raiada de coro. É uma ciranda pedindo pra dançar na casa. Ela manda o pessoal dançar na vizinha e põe a comida na mesa. Ciranda amazônica passando por baiana em Santa Catarina. Ciranda vai e ciranda vem. Quando Malazarte é descoberto, este aplica um golpe no Alemão e toma-lhe as economias.
















