Vai ficar só me olhando por mais quanto tempo, Cuffe? Tô ficando meio maluco aqui.
Por Rowena, fale alguma coisa.

seen from Australia
seen from United Kingdom
seen from Luxembourg
seen from China
seen from China
seen from United States
seen from Australia
seen from Yemen
seen from Brazil
seen from China
seen from Malaysia
seen from China
seen from China
seen from Brazil

seen from Malaysia

seen from Australia
seen from United States
seen from China
seen from China
seen from China
Vai ficar só me olhando por mais quanto tempo, Cuffe? Tô ficando meio maluco aqui.
Por Rowena, fale alguma coisa.
She was not poetry and you were not a poet But still you wrote the stars into her skin As if she were the only sun you would ever know.
Abbott me disse que você precisava falar comigo. Pois bem, Hopkirk, estou aqui, mas ando um pouco ocupado então não tenho muito tempo. Do que precisa?
The poet and the ballerina
[listen] | (a mix for the boy who dreamed too much and his poetry girl, for the intense love that gets us by surprise and turns our world upside down).
i. song on the beach - arcade fire | ii. don't i know enough - i am oak | iii. moth to a light - betty and the boy | iv. crave you - flight facilities | v. all there is - gregory alan isakov | vi. fidelity - regine spektor | vii. if i had a boat - james vincent mcmorrow | viii. you're the one that i want - julia stone | ix. only love - ben howard | x. silk - giselle | xi. perth - daughter | xii. in my veins - andrew belle | xiii. poet - bastille | xiv. coffee & cigarettes - michelle featherstone | xv. stay - hurts
Barnabas Cuffe and Mafalda Hopkirk.Mumford & Sons, Babel.
[Flashback] Heavy in your arms | Barney & Mafalda | February 78
Wake up. Go to class. Have lunch. Study. Sleep. Repeat the process. Esta vinha sendo sua rotina nos últimos dias. Talvez Barnabas Cuffe apenas precisasse colocar seus estudos em dia ou quem sabe a proximidade dos N.I.E.M.s despertou nele uma estranha necessidade de sobrecarregar a si mesmo daquela forma. Provavelmente as duas opções tinham suas parcelas de verdade, mas o fato de que ocupar-se silenciava sua mente também era uma vantagem que ele não podia ignorar. Por isso, naquela noite comum ao longo da semana, o ravenclaw havia ficado para trás no salão comunal enquanto seus colegas se recolhiam para seus dormitórios, deixado para trás na companhia do crepitar das chamas da lareira, de uma caneca de café, alguns livros e um oceano de pergaminhos.
O salão comunal estava tão silencioso que o arranhar da ponta de sua pena no pergaminho não era algo muito difícil de se ouvir. Após uma pausa para bebericar um pouco do café e coçar a nuca com a ponta da pena de sua caneta, o rapaz voltou a escrever sobre Transfiguração Humana no pedaço de papel amarelado a sua frente, a caneca ainda em mãos e os olhos esverdeados indo e vindo das páginas de livros dispostas ao alcance de seu campo de visão. E então ele a ouviu, o susto atravessando seu corpo como uma descarga elétrica fazendo-o saltar na confortável cadeira da escrivaninha. "For fuck's sake." Barney deixou escapar, balançando a cabeça negativamente depois de erguer o rosto e reconhecer Mafalda Hopkirk em pijamas. A sua frente, uma mancha cor de café se espalhava pelo pergaminho.
Bollocks! Por Merlin, você me assustou, Hopkirk.
Da próxima vez, pelo menos tussa ou faça algum barulho pra anunciar sua chegada, não simplesmente apareça no salão comunal no meio da madrugada como se tivesse acabado de brotar do chão. Isso assusta! Quase tomei um banho de café agora mesmo.
[Flashback] In my veins | Barney & Mafalda | October 77
O silêncio era quase unânime, não fosse pelo soar de sua respiração pesada ou o tique taquear do antigo relógio pendurado em uma das paredes enquanto o pêndulo ia e vinha, marcando os poucos minutos que faltavam para as onze horas da noite. A pequena sala abandonada no sexto andar estava praticamente vazia, contanto apenas com algumas carteiras, um birô, alguns armários, estantes esquecidas e um quadro negro que não era usado há anos. As numerosas e enormes janelas de formato arredondado ao topo davam ao aposento certa distinção, especialmente por conta da vista privilegiada dos jardins, que havia sido um fator determinante para que Barnabas Cuffe escolhesse aquele lugar como seu pequeno refúgio. Era sua principal escolha quando desejava escrever e não ser incomodado, porque fazê-lo no Salão Comunal de Ravenlclaw ou no dormitório masculino do sétimo ano era algo praticamente impossível com tantos colegas entrando e saindo entre conversas e risadas, uma verdadeira tortura para quem precisava de silêncio e quietude.
Uma das carteiras havia sido arrastada até a janela do meio, de forma que ficasse encostada na parede e apenas alguns centímetros abaixo do amplo parapeito. As portinholas de vidro estavam abertas e permitiam que a brisa fresca daquela noite de outubro arejasse o lugar, inundando-o com a luz prateada de uma lua cheia. A chama de um candeeiro iluminava as páginas amareladas de pergaminho dispostas na superfície da mesa, assim como também aquelas que já haviam sido amassadas e jogadas ao lado. Sentado desajeitadamente na cadeira e girando com a mão esquerda a caneta de madeira com uma longa e fina ponta de um material de cor bronze, Barney encarava a folha disposta a sua frente, onde a caligrafia quase perfeita preenchia cerca de dez linhas. A mão livre deslizava por sua testa e percorria os cabelos castanhos e ondulados, como se isso o ajudasse a pensar em alguma palavra que se encaixasse da forma como desejava naquela última frase. Deixou o olhar se perder na paisagem por alguns instantes e, quando seu rosto se iluminou com a percepção de que talvez tivesse encontrado o termo perfeito, molhou a ponta da caneta no tinteiro ao seu lado e tornou a escrever, desta vez por quase três minutos inteiros sem qualquer descanso. Por fim, descansou a caneta e ergueu o pergaminho no alto, lendo as palavras em voz alta.
“Not quite. Not even close.” Murmurou com impaciência. O rapaz expirou profundamente, cansado de tentar e tentar e nunca gostar de como as palavras soavam, de sempre achar que não faziam jus a ela. “Merlin, I need fresh air.” Então deu-se por vencido, jogando o peso do corpo no encosto da cadeira e afrouxando a gravata anil e bronze para desabotoar alguns botões da camisa de alfaiataria do uniforme, a mão sendo esquecida em meio aos fios cor de chocolate de sua nuca.
Levou cerca de cinco minutos para juntar seus pergaminhos, os amassados, os que havia escrito e os que ainda estavam intactos, organizá-los dentro da pasta de couro e guarda-los dentro da mochila junto com as canetas, o tinteiro e outros tantos materiais. A janela foi fechada, o candeeiro apagado e colocado em um dos armários e a carteira posta de volta em seu lugar. Quando a sala estava totalmente organizada e sem qualquer sinal de que havia sido utilizada naquela noite, Barney passou uma das alças da mochila por cima do ombro e tomou o corredor mal iluminado do sexto andar para regressar a Torre de Ravenclaw.
Era trinta e um de outubro, Halloween, mas os últimos acontecimentos haviam modificado totalmente a rotina natural do castelo. Depois da morte do aluno de hufflepuff e a presença de aurores para investigar o caso, todas as atividades extracurriculares haviam sido suspensas, desde visitas a Hogsmeade até treinos de Quadribol, e um rígido toque de recolher havia sido imposto por medidas de segurança. Barney o estivera respeitando cuidadosamente como a grande maioria dos estudantes mas, naquela noite em especial, havia ultrapassado duas horas do limite estabelecido, imprudência que lhe renderia uma detenção caso fosse apanhado, além de perguntas incômodas e suspeitas que ele escolheria que não fossem depositadas em seus ombros. Mas escrever em meio a um salão comunal lotado e um dormitório cheio era impossível e as vezes era insuportável passar tanto tempo sem rascunhar algumas palavras, sozinho e em silêncio.
Havia aceitado os riscos, sim, mas precisava ser extremamente cuidadoso para não ser apanhado em seu caminho de volta a Torre caso quisesse se manter fora de problemas. Por isso, percorria os corredores em silêncio, parando por alguns instantes em cada curva para checar se conseguia ouvir o som de passos e ter certeza de que tudo estava limpo antes de prosseguir. Aguardava encostado em uma tapeçaria com a varinha em mãos quando, em um momento de total distração, a luz forte de uma varinha o cegou. “Fuck!” Deixou escapar, arrependendo-se no mesmo instante que as palavras deixaram sua boca, afinal, poderia ser um professor ou talvez um auror do Ministério. Ser pego fora do dormitório depois do horário de recolher já era ruim por si só, fazer uso de um linguajar daquele tipo não parecia ser algo capaz de melhorar sua situação. “Could you turn out your Lumus, for Merlin’s sake? I can barely see, you know?” Tentou ao máximo soar cordial, mas já estava impaciente em ter que cobrir os olhos daquela forma, sua visão tomada por uma luz branca tão forte que tornava impossível enxergar qualquer outra coisa. “Thank you.” Agradeceu, seus olhos levando alguns instantes para se acostumar com a pouca claridade. As formas e linhas aos poucos ganharam vida e, segundos depois, o ravenclaw conseguiu distinguir os contornos de uma garota à meia luz do luar que invadia as janelas do longo corredor.
“Hopkirk?” Sua confusão era visível tanto em seu tom quanto na expressão que tomou seu rosto. Sabia que Mafalda era monitora, mas encontrá-la sozinha havia se tornado uma verdadeira raridade desde o acontecimento de setembro. A colega de casa não passou a tratá-lo de forma diferenciada, pelo contrário, as vezes parecia que ela nem ao menos se lembrava de que haviam se beijado, tamanha a normalidade com que se comportava quando estava perto dele, o que era ainda mais estranho do que evitá-lo totalmente.
As vezes Barney preferia que ela tivesse escolhido a última opção.
“Antes que tome qualquer decisão precipitada, gostaria de dizer, em minha defesa, que mesmo estando fora do dormitório depois do horário de recolher, não estava fazendo qualquer coisa suspeita.” Apressou-se em deixar isso claro para a garota, erguendo as duas mãos para o alto como se mostrasse que era, de fato, inocente. Apesar de querer muito falar sobre outro assunto, formular primeiro uma defesa lhe pareceu mais apropriado. “Sei que é seu dever entregar qualquer pessoa que esteja descumprindo essa regra, mas...” Começou, avançando dois ou três passos na direção de Mafalda. “... eu não estava fazendo nada demais, como você pode ver.” Disse, tirando lentamente a mochila de um dos ombros e colocando-a no chão de pedra. “Estava escrevendo.” Admitiu com um sorriso orgulhoso nos lábios, como se aquela fosse a resposta para tudo, apesar de que sobre o que ele jamais admitiria. “Se me deixar ir, estarei em débito com você e poderá me cobrar esse favor da forma que desejar.” O sorriso tornou-se um tanto quanto malicioso e, somado ao tom sugestivo, era mais do que suficiente para deixar claro a que tipo de favor estava se referindo.
Estavam sozinhos e quem sabe assim tivesse a oportunidade de conversar sobre o ocorrido de setembro e confrontá-la quando Mafalda insistisse em fingir que nada havia acontecido entre eles naquela sala de estudos. Talvez assim tivesse a chance de dizer que não conseguira tirar a lembrança daquele beijo da cabeça, que estivera pensando nela com mais frequência do que o normal e que ela era, muitas vezes, o motivo para sua falta de concentração nas aulas ou quando escrevia. Que na verdade havia interrompido seus próprios projetos literários para simplesmente escrever a seu respeito, o que lhe parecia extremamente estúpido mas ainda assim havia sido a única forma que havia encontrado para lidar com aquilo. Que os pedaços de pergaminho em que estivera trabalhando minutos antes e que estavam guardados na pasta de couro dentro de sua mochila descreviam com perfeição o contorno de seus lábios, o perfume de seus cabelos e a cor de seus olhos. Que, naquele exato momento, estava travando uma difícil batalha contra seu próprio autocontrole para não beijá-la novamente.