Quem cresceu no interior (no meu caso, no cerrado do estado de São Paulo) ou mesmo quem viaja com alguma frequência (e é atento) sabe que as estradas são praticamente intermináveis e, com poucas exceções), rodeadas por mata. O que por si só explica o número enorme de animais transitantes, animais de todos os tipos. Na minha região natal varia entre tamanduás e lobos guará. E aves! Muitas aves mesmo. Frequentemente se vê maritacas, papagaios, tucanos, seriemas, garças, gaviões, abutres, corujas… E assim por diante. Como é uma região comum aos sitiantes também não é anormal a presença de “animais da fazenda” (que costumam ser fujões) e esse é um ponto interessante e que provavelmente se fixou na memória de alguém aqui - considerando que sempre fui cheia de contar minhas empolgantes histórias de criança que fugia de um peru na chuva e derrapava na grama. Mas sem mais enrolação, a origem disso tudo: minha noiva, Patricia. No final de semana onde me mudei pro grande ABC paulista, no caminho pra casa, numa dessas longas estradas, estávamos as duas tendo nossas conversas bastante ocasionais sobre como os robôs ainda acabariam por dominar o mundo ou coisa do gênero. Eis que num momento onde o silêncio fez-se presente para um instante profundo de reflexão ela, em um tom surpreso e bastante animado, exclama: “OLHA A GALINHA!” Eu, já preparando minha câmera (sim, eu tirei fotos absurdas nessa viagem), pergunto onde. Ao nosso redor eu via só estrada, alguns barrancos de terra vermelha e mato. Teria a galinha fugido de nós? Eis que minha amada aponta para o céu azul, onde uma ave claramente de rapina pairava magestosamente. “Ali, olha a galinha!” repetiu, ainda empolgada. Seria uma águia? Gavião? Falcão? Não sei ao certo, mas DEFINITIVAMENTE não era uma galinha ali, voando tão no alto. Afinal, onde já se viu galinha voar? Obviamente a brincadeira ficou bem marcada como sendo uma frase de efeito (de muitas que temos).
- OLHA A GALINHA! - Galinha!? - Ali, voando no céu! Lá no alto! - Galinha não voa(!?).
Depois ficamos as próximas 4 ou 5 horas apontando pra absolutamente todas as aves que víamos como “galinhas”, menos a galinha ciscando num aglomerado de lixo.












