Canto Gritando - Rancore
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Canto Gritando - Rancore
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Para aquela pessoa especial! Esse insta lindo mistura letras de música, ilustrações lindas e tem som! #regram @ilustrassom super criativo!!! #recomendo #frases #pessoas #ilustrassom
♫ Garota, eu vou pra Califórnia
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1991, agendas e amores
Quase Sem Querer by Legião Urbana on Grooveshark
{ Ler ao som de Quase Sem Querer | Legião Urbana }
Estamos em 1991 e você se rendeu à moda das Agendas.
A.gen.da sf. Caderneta ou registro para anotações de compromissos, encontros, etc. – Segundo meu míni Aurélio
AGENDA, para as adolescentes dos anos 90 tinha a forma e função originais da agenda do Aurélio, mas era exagerada, recheada de confidências, recados das amigas – que também tinham suas agendas – recortes de revistas, fotos, fotos de artistas (vale um post à parte), bilhetes, cartas, embalagens de balas, chicletes, do lanche e da batata do McDonald's, de ketchup e qualquer outro objeto, que contasse uma história ou fosse bonito, que coubesse dentro da agenda. Por isso, a AGENDAS das adolescentes eram gordas!
Voltemos a 1991 e o insight que me fez chegar a este blog. Vinte e dois anos depois, estamos dentro de um ônibus, lendo um livro bacana sobre dicas de escrita. De repente, lembrei de uma cena da adolescência sobre a qual gostaria de escrever. No segundo seguinte, pensei que poderia escrever sobre vários acontecimentos da minha adolescência para, em seguida, ter a ideia de revisitar meus diários e fazer algum projeto com eles. Os desdobramentos, escrevi ali, na Carta para a Glê.
(Imagem: Ilustrassom )
Você tem quinze anos, as aulas começaram há algum tempo, colégio novo, amigas novas, moços bonitos para todos os lados do Albert Einstein. Cursava o primeiro ano do ensino técnico em Decoração. Sentada, ao lado de fora no bar do Roberto, você aguardava uma amiga que fui buscar algo lá dentro, de cabeça baixa, que demorou para deixar de ser bicho do mato. Distraidamente, você levanta o cabeça, olha em direção a entrada do bar e, congela: aquele moço bonito, do segundo ano de Eletrônica estava te observando. Sim, aquele carinha por qual você andava suspirando! Olhando para você!
Alegria?! Êxtase?! Você sorriu de volta?! Não. Abaixou a cabeça, tímida e insegura que era e pensa que o Paquito estava olhando ATRAVÉS de você, afinal de contas, por que ele olharia PARA você?! Será?
Glê, querida, a gente nunca soube. Pois, mais uma vez e por repetidas vezes anos adiante, enfiamos a cabeça no buraco que cavamos, não sei quando, na terra. Relendo as páginas da nossa agenda e de outros diários, está lá, escrito e registrado o desejo por viver o tão comentado primeiro amor. Divagações, sonhos, prosas, poesias... você escreveu muito sobre isso. Contudo, a insegurança, salpicada da baixa autoestima que tínhamos, atrapalhou a realização deste sonho.
Carreguei comigo por anos a frustração de não ter vivido um amor adolescente. Amores platônicos foram incontáveis. Mas, não valia. Hoje, eu tenho este espaço não preenchido no coração, no entanto, aprendi a aceitar e isto fez com que a frustração me abandonasse. E, mais importante, aprendi a me aceitar, aceitar as características que fazem de mim um ser único e especial.
Daqui onde me encontro, posso te contar da mulher segura que nos tornamos. - Demorou, Fia! Ô gênio esse, o nosso! - Gostamos do nosso cabelo cacheado e volumoso! Não consideramos os quilos a mais crime ou falta de caráter. Nutrimos uma relação confortável com nosso corpo. E não mais ficamos com homens pelos quais não sentimos afinidade alguma, pelo medo de não aparecer pessoas mais interessantes! - Oi?!
Rimos bastante da vida. Procuramos nos divertir com tudo o que dá – e até com o que não deveria. Porque eu vejo que tínhamos uma mania de querer ser adulta antes do tempo. Encarávamos a vida com um ar grave e crítico demais para a adolescência. Estou sendo leve, sem ser leviana ou irresponsável, por nós duas. Devia isso a você, Moça!
Termino este texto, com um sorriso no rosto, intencionando que neste instante a parte de mim que é você leia isto com o mesmo sorriso e compreenda que, se a adolescência não foi do jeito que sonhamos, foi a melhor que poderíamos viver. E por isso mesmo, ela foi linda!
Com amor,
Gleide.