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Once we were descending into #napoli's #inderground but we were all confident we might came out to see the #light again... #naples #sotterranei #wanderlust #waiting #mysterious #mistery #misteryous #once #love #amore #people #grave #deep #wonderland #boho #newyear #nikonartists #2018 #sangennarofaccilagrazia (presso Napoli Sotterranea)
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Kenneth Anger, o norte-americano underground
"Sou um solitário e me orgulho disso. Trabalho sozinho por opção. Que fique claro que Hollywood nunca veio bater à minha porta; por isso, tive que me virar com o que tinha em mãos, liberdade e independência, guiado pelo meu espírito e pelo meu cérebro."
A frase é de um dos mais importantes cineastas experimentais da história do cinema, Kenneth Anger, e revela muito sobre ele: distante da grande indústria cinematográfica dos EUA e fazendo arte com seu universo íntimo. Considerado o inventor do cinema underground americano, Anger usa em seus filmes elementos surrealistas e temáticas homoeróticas.
O norte-americano, nascido em Santa Mônica, na Califórnia, no ano de 1927, aos vinte anos chamou a atenção do multiartista Jean Cocteau com o curta-metragem Fireworks(1947), em que questões sexuais se constituíam enquanto linguagem poética. A temática em questão se tornou sua marca e uma bandeira a ser erguida. Dois de seus primeiros filmes, Fireworks (1947) e Scorpio Rising (1964), foram produzidos em pró da legalização da homossexualidade nos Estados Unidos.
Outra temática extremamente abordada em suas produções é a do ocultismo, termo que se relaciona com o paranormal e o esotérico, bastante evidente em filmes como Inauguration of the Pleasure Dome (1954), Invocation of My Demon Brother (1969) e Lucifer Rising (1972).
Alheio à Hollywood, o cineasta foi pioneiro no uso de imagens editadas a partir de música pop e criou os cortes que se tornaram os fundamentos do videoclipe. Seus filmes raramente possuem falas e duram entre 3 a 40m. Em suas trilhas sonoras se encontram nomes como os de Elvis Presley e Ray Charles.
Anger sabe do impacto que tem. Nomes de diversas áreas artísticas o reconhecem como fonte de inspiração, Martin Scorsese e os Rolling Stones são alguns deles. Durante sua carreira trabalhou ao lado de figuras expressivas e de grande espaço nos campos em que atuam: Anton LaVey, Jean Cocteau, Tennessee Williams, Mick Jagger e Jimmy Page são alguns dos que compõe a lista de parcerias.
Ainda vivo, com quase noventa anos, o artista experimental ainda produz escândalos: ele é autor da trilogia de livros Hollywood Babylon, que escancara os bastidores do cinema americano.
O cineasta possui um site.
Você pode ler uma entrevista feita com Anger em 2007, quando visitou o país para a 16º Festival Internacional de Arte Eletrônica SESC Videobrasil, aqui.
Abaixo, uma lista de quatro filmes de Kenneth Anger disponíveis online.
Inauguration of the Pleasure Dome 1954
O filme é baseado em um dos famosos rituais dramáticos do ocultista britânico Aleister Crowley, onde os participantes do culto assumem a identidade de um deus ou deusa. Em outras palavras, trata-se do equivalente de um baile de máscaras. O evento é planejado ao longo de todo um ano e, na Noite de Todos os Sabás, eles se tornam os deuses e deusas com os quais se identificaram, e a coisa toda assume a forma de um happening improvisado.
Invocation of My Demon Brother 1969
A invocação da Sombra do Senhor Lúcifer, quando os Poderes se reúnem para a missa da meia-noite. Segundo Richard Whitehall, crítico de cinema americano da LA Free Press, trata-se do “mais puro êxito visual de Anger, uma comunhão de forças pagãs que emerge da tela numa onda de poder místico e espiritual. O filme traz imagens estranhamente atraentes, ao som de trilha sonora de Mick Jagger num sintetizador Moog, que tem o poder insistentemente alucinatório do vodu”.
Lucifer Rising 1972
Lucifer Rising talvez seja o projeto mais ambicioso de Anger. Seu tema – Lúcifer, o anjo caído – se apossou do artista e o inspirou por uma década. A teologia cristã vê Lúcifer como a personificação do mal; a tarefa de Anger foi retratá-lo como o portador da luz, o lindo, mas rebelde, favorito de Deus. O filme traz repetidas performances memoráveis de Marianne Faithfull, do próprio Anger (como o Mago), e de importantes nomes da cena cultural londrina.
Rabbit's Moon 1950
Segundo Bill Landis, o autor de Anger: The Unauthorized Biography of Kenneth Anger [Anger: uma biografia não-autorizada de Kenneth Anger], neste filme ele usa “uma rica textura mítica pancultural para explicar sua própria condição psicológica. O coelho na lua é tirado de um mito japonês, onde a lua representa, nos termos de Aleister Crowley, a fêmea principal. O cenário propriamente lembra a floresta art déco de árvores prateadas de Sonhos de uma noite de verão”.
Texto: Francisco Mallmann