o sol é surdo, a lua é a única que vai lembrar @bvdcmens
Era sua época favorita. E ainda que o escuro tirasse uma grande porcentagem da beleza do cenário da primavera, essa não perdia completamente a briga. As luzes artificiais conseguiam enaltecer do seu próprio jeito e aí, quando caminhava sozinho, devagar, com o vento batendo na cara, ele se sentia como em um filme. Um sem violência para variar um pouquinho. Infelizmente, o efeito das folhas de cerejeiras não era duradouro. Elas até distraíam, até traziam sentimentos gostosos, mas elas não isso não era estável — o motivo pelo qual ainda estava acordado e caminhando sozinho, com um cigarro pendurado na boca, voltava a sondar sua mente no segundo em que o vento parava de soprar os galhos. Terminou no farol. Talvez tivesse seguido a luz sem nem perceber que fazia, como se em alguma espécie de metáfora estúpida. O gosto na boca já não era mais o de cigarro; tinha dado vez ao de um refrigerante de uva verde comprado numa máquina no meio do caminho. Foi com certo contentamento que Eunseo enxergou uma outra figura onde deveria estar vazio. Reconheceu fácil. Era a segunda vez que o encontrava ali com a mesma postura de uma alma perdida — um tanto semelhante com a sua própria quando sentou com um bom espaço entre os dois. Eunseo deixou as pernas penduradas em direção ao mar e se apoiou numa mão atrás do corpo. "O mar está mais bravo hoje. Tá combinando contigo?" ele ponderou após um bom tempo de silêncio seu e mais da metade da latinha. Não era bom figuras de linguagem, mas sobre água, especialmente a do oceano, ele achava entender pelo menos um pouquinho













