Por que o modelo social de individuo está caminhado rapidamente para o fracasso?
Autora: Marise Miranda Gomes
Vamos analisar como tudo começa.
É inegável o desejável compromisso da família e da escola que, em ação conjunta, devem oferecer condições físicas, cognitivas e afetivas para que a criança possa desenvolver-se plenamente. O custo social da negligência e do abandono faz-se presente em nosso cotidiano, se tornado cada vez mais evidente, através da violência que, a cada dia, instala-se com maior vigor em nosso meio independente da camada social.
A energia de nossos jovens está sendo desperdiçada em atos que em nada contribuem para o seu desenvolvimento pessoal, principalmente no social. Perde a sociedade que deixa de realizar-se com entusiasmo e com tantas possibilidades diante dessa nova geração.
Vive-se hoje, uma crise de valores humanos que hipervaloriza o que não é tão essencial e subestima -se a afetividade, a vida em família, o convívio social saudável. Essas questões precisam ser analisadas e discutidas exaustivamente para que seja possível buscar novos caminhos e construir uma sociedade mais saudável, na qual nossos filhos possam adquirir a esperança de viver em paz e desabrochar em toda sua dimensão humana.
Será mesmo preciso fazer curso de “mãe chata” e estudarmos a função do pai em psicanálise para compreendermos o lugar das figuras de afeto dentro da família? Será preciso, para entender que “a função paterna, nem sempre representada pelo pai, constitui o epicentro crucial na organização do sujeito”?
Jöel Dor, ao comentar a função paterna no campo psicanalítico, enfatiza que ela não é simplesmente um dado biológico ou uma autoridade externa, mas uma instância simbólica que só se torna operatória quando é investida na dinâmica edípica.
É pertinente trazer para o artigo o ponto central de sua ideia., na qual descreve que a função paterna não atua por si só: ela precisa ser reconhecida e investida como mediadora entre mãe e filho. Esse investimento simbólico significa que o pai (ou quem ocupa essa função) não é apenas um indivíduo, mas representa a Lei, a interdição e a alteridade. Na dialética edipiana, o pai introduz uma separação necessária entre mãe e filho, impedindo a fusão imaginária e abrindo espaço para o sujeito se constituir no campo do desejo.
Para esclarecer um pouco mais é preciso entender o papel das instâncias simbólicas, ou seja, o pai funcionando como terceiro termo que regula a relação dual mãe-filho. Ele precisa encarnar a função de interdição (o “não” ao gozo absoluto da criança com a mãe), mas também abre o campo do desejo ao inscrever a criança na ordem simbólica. Sem esse estatuto simbólico, o pai não exerce sua função: seria apenas uma presença empírica, incapaz de instaurar a diferença e a lei. E isso está mais frequente do que o desejável para constituir uma sociedade mais empática, que entende o não como necessário na instalação da ordem.
Podemos resumir descrevendo que Dor mostra que a função paterna só opera quando é investida como significante, ou seja, quando é reconhecida como portadora da lei simbólica que estrutura o desejo. É essa mediação que permite ao sujeito sair da relação fusional com a mãe e se inscrever no campo da cultura e da linguagem.
As vezes me pego perguntando; mataram o Pai Celestial, onipotente, onipresente e onisciente. O pai Estado parece morto também pois não organiza nada além de criar leis paralelas para se manter. E por último o pai biológico que tem se tornado confuso, fraco e até disfuncional, incapaz de renunciar aos prazeres imediatos diante de uma sociedade cada vez mais hedonista que prega o viver hoje intensamente sem pensar nas consequências do amanhã.
Referencial
DOR, Jöel O Pai e sua Função em Psicanálise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 1991
Autora:
Marise Miranda Gomes
Neuropsicopedagoga e Psicopedagoga Clínica e Institucional de base Psicanalítica









