Don’t ask and you won’t lose — Jock x Isabel x Thomas
Quase como um passatempo particular, Madge adorava quando tinha a oportunidade de participar de perseguições e seus variados. Ainda que trabalhasse tanto em campo quanto dentro da sede da Spectre, às vezes até mesmo se metendo em assuntos do laboratório, já que possuir conhecimento amplo de todas as possíveis áreas de atuação do seu campo de trabalho era requisito obrigatório para se tornar DNI, não era segredo para ninguém que a paixão maior da mulher era a ação: invasões, troca de tiros e todo o tipo de operação que envolvesse principalmente o elemento surpresa. Além disso, também interessava-se fortemente pela perícia, tendo um talento nato para revirar do avesso cenas de crime e reparar em pequenos detalhes que normalmente passavam despercebidos pela maioria. Não era a toa que conseguira chegar na posição que chegara e acreditava avidamente que qualquer um que visse o posto mais superior de uma agência como uma oportunidade para descanso não seria merecedor do cargo. Por isso, preferia continuar exercendo as suas funções de agente e orgulhava-se por ainda poder contar com seus reflexos aguçados e sua excelente forma, apesar de sua idade.
Por conta dessa necessidade ativa da diretora de participar das investigações mais agitadas, naquela noite Jock se dispusera a se infiltrar em um beco onde funcionava um esquema de tráfico de drogas. A sua agência, no entanto, ainda não possuía a localização exata de onde seria o miolo da tal atividade criminosa. Provavelmente seria o único lugar em que poderiam encontrar o chefe daquela quadrilha e terminar com a distribuição dos narcóticos, o que fazia com que se tornasse responsabilidade da Spectre descobri-lo, já que a polícia local vinha falhando nessa missão há semanas. Ainda que fosse muito arriscado, Madge decidiu colocar em prática boa parte do seu plano de forma solitária, sendo acompanhada de um de seus funcionários especializado como atirador apenas até a metade do caminho. Dali em diante, seguiria sem qualquer companhia, contando que suas armas e sua presença intimidante fossem o suficiente para protegê-la. Contava também, é claro, com um colete à prova de balas por baixo de suas roupas e estava armada até os dentes; o seu cinto fora substituído por um pente de balas, pendurado pelas alças da calça da mulher. Havia considerado a possibilidade de agir disfarçada, como se fosse uma nova compradora ou uma viciada, mas não teria onde esconder as suas armas e a ideia de não conseguir se defender de bandidos era algo que ia muito além do que Jock aguentava. Jamais aceitaria uma humilhação como aquela.
Depois de chegar até um dos vendedores que mais se relacionavam com o público, a agente teve a decepção de descobrir que nem mesmo ele podia ter contato com o chefe do tráfico. Jock pensou em não prosseguir com a ação, com medo de falhar, visto que teria que abordar um maior número de criminosos. Não conseguiria dar conta de tudo estando sozinha e, pior ainda, caso a descobrissem e abrissem fogo, poderia até levar um número considerável de bandidos consigo, mas não sairia dali viva. O seu movimento já estava limitado, graças ao grande sobretudo que vestia para ocultar a maior parte das suas armas – a metralhadora de médio porte pendurada em suas costas, duas pistolas amarradas aos seus tornozelos e uma semi-automática por dentro da calça, fazendo pressão contra o seu abdômen. Fora isso, quando abria o sobretudo, um bolso interior no forro do casaco armazenava cinco tipos diferentes de facas. A teimosia da mulher, porém, foi o bastante para convencê-la a seguir pelo menos mais alguns passos. O primeiro traficante concordou em levá-la para um outro de mais alto escalão, o responsável por repassar as drogas ao anterior, que era classificado como "popular". A negociação tinha sido extremamente fácil: bastou Broome apertar uma de suas pistolas contra a têmpora do rapaz e ameaçar de castrá-lo com um de seus canivetes.
Quando o homem a deixou no lugar onde poderia abordar o próximo meliante, a diretora algemou-o num poste; a boca já estava fechada com a própria camisa dele, que ela havia usado como mordaça. Logo em seguida, pegou o seu celular e enviou uma mensagem rápida contendo a sua localização e pedindo ao atirador que tinha vindo acompanhá-la que levasse aquele bandido dali. Assim que o seu colega viesse e iniciasse o processo para prender o traficante, Jock sabia que finalmente estaria completamente sozinha. A certeza daquilo fez com que a mulher sentisse receio, mas não desistiria logo agora, que havia descoberto uma nova pista. Dirigiu-se com passos lentos para o beco que lhe havia sido apontado, onde, segundo o rapaz que acabara de deixar para trás, teria uma porta preta. Dentro, uma espécie de cassino clandestino que oferecia não só jogos de azar como também um cardápio impressionante de drogas. Posicionou-se atrás de uma lata de lixo, camuflada pela escuridão do ambiente, e esperou por qualquer movimento que lhe desse uma luz de como deveria prosseguir.









