Acabei de me dar conta que, mais uma vez, talvez - mas só talvez - eu tenha ido um pouco longe demais. Eu tenho esse problema, sabe? Essa mania de colocar significado no que não tem. Eu sou cheia dos neologismos, por assim dizer. Cheia de procurar insistentemente em lugares que já foram vasculhados sem obter sucesso.
Eu sou dessas que sente por mim e por você. Mas essa não é a pior parte, acredite. Estou começando a achar que sou dessas que cria um mundo inteiro na própria cabeça. E nesse mundo a gente se conhece. Nesse mundo eu e você tivemos momentos. Eu realmente não sei como descrever melhor.
Como daquela vez em que passamos o dia todo falando de pessoas que não conseguíamos deixar no passado, apesar delas serem de fato passado. Como daquela vez em que ficamos em silêncio e eu entendi que você não estava bem sem que uma palavra fosse dita. Como daquela vez em que eu senti vontade de que o meu abraço fosse o bastante pra tirar toda a dor que você sentia. Como daquela vez em que você disse que só queria ouvir o que eu queria dizer, e isso bastava. Como daquela vez em que você disse que eu não era ordinária, em meio a uma das minhas referências favoritas. Como daquela vez em que eu disse que era complicada, e você rebateu com "color my life with the chaos of trouble". E todas essas vezes ainda moram dentro de mim, dentro desse mundo que eu acabei criando por não saber lidar com pessoas, por sempre sentir demais. Por isso são momentos, sem começo nem fim, indeterminados. Reais?