Been going down a rabbit hole about the levee break in West Quincy, Missouri (during Great Flood of 93') and James Scott's conviction for supposedly causing it. Holy shit, Norman Haerr probably framed a dude and got him stuck with a life sentence so he could cash in a home insurance policy.
In the words of James Scott, the rise of the domus witnessed "an unprecedented gathering of sheep, goats, cattle, pigs, dogs, cats, chickens, ducks, geese."
"Plagues Upon the Earth: Disease and the Course of Human History" - Kyle Harper
Ler o diário de James estava sendo mais cansativo emocionalmente do que Aleksander poderia prever. Mas dias depois da primeira vez que leu duas passagens em dias diferentes, ele decidiu tirar do cofre e fazer uma nova leitura.
Ele abre o diário ao acaso, torcendo para que dessa vez o peito não aperte, que as lembranças venham suaves, que ele apenas leia como se fosse algo distante. Mas não é.
DIÁRIO DE JAMES
[Sábado, 01 de novembro de 1924]
“Eu acabei de voltar da casa dela. Estávamos sentados no chão, na sala, com folhas de papel e carvão espalhados entre nós. Tentávamos desenhar um ao outro, e, honestamente, rimos tanto com os resultados que por um momento, tudo pareceu leve. Era bom estar com ela. É sempre bom.
Mas aí ela disse… que talvez estivesse apaixonada por mim.
Nós somos namorados. Essa deveria ser uma coisa comum de se ouvir, certo? Mas não foi. Aquilo me paralisou. Meu estômago embrulhou, o sorriso morreu no meu rosto. Eu sabia que o certo era retribuir, dizer que sentia o mesmo. Era o que qualquer garoto normal faria. Mas eu não sou qualquer garoto. Eu não pude. Não consegui mentir. Deus estava ali comigo, eu senti. E Ele veria a mentira se eu dissesse algo que não fosse real. Mas então, se eu não a amo… e amo outra pessoa… será que isso também aborrece Deus?
Minha resposta foi dizer que ela merecia alguém melhor. Alguém que a amasse de verdade. Disse: “Você seria a escolha perfeita, se eu pudesse escolher.” E acho que ela não entendeu. Mas como explicar que o coração escolhe sem a nossa permissão?
Ela é tudo que eu sempre achei que procuraria em uma garota: doce, gentil, linda, inteligente, vinda de uma boa família. Meu pai a aprova. Quando comecei a namorá-la meses atrás, ele até parou de me olhar daquele jeito, como se tivesse algo errado comigo. Talvez seja por isso que tentei tanto. Mas ela espera um príncipe encantado. E apesar de acharem que eu pareço um, a verdade é que eu não estou procurando por uma princesa.
Queria muito que tudo fosse diferente. Saí da casa dela sem jeito, sem saber o que fazer. E agora, olhando para trás, não parece nem que namoramos de verdade. Foi tudo estranho. Eu gosto de estar com ela. Adoro a companhia dela. Mas não conseguia desejar o toque dela. Não sentia vontade de beijá-la. Que tipo de garoto é esse?
O que há de errado comigo?
Ao mesmo tempo… eu sei a resposta. Tem nome, sobrenome, uma dificuldade horrível com tarefas escolares e olhos lindos.
Espero que Deus me perdoe por amar quem não devo.”
Aleksander fecha os olhos com força. Aquela cena. Era aquela cena. A mesma da visão com Zafira. Ele consegue lembrar da sensação do carvão nos dedos, o sorriso dela, o jeito como ela pareceu tímida ao confessar o que sentia… e o desconforto que nasceu em James logo em seguida.
Tudo está registrado ali. Exatamente como a lembrança. A mão de James segurando a dela, a hesitação, o peso da verdade não dita. Aleksander engole em seco e vira a página seguinte.
DIÁRIO DE JAMES
[Quinta-feira, 06 de novembro de 1924]
“Terminei o namoro. Acho que nunca terei coragem de dizer a ela o motivo pelo qual fiz isso. Tive que partir. Eu sou um monstro, incapaz de amar uma garota. Sou errado, inapropriado e pecador. Nada mais a declarar.”
Uma onda de mal-estar atravessa Aleksander com força. O peito aperta como se aquele julgamento escrito por James tivesse sido lançado diretamente contra ele. "Errado", "pecador", "monstro". Aleksander não se sentia assim por si, mas a leitura fez com que sentisse como se fosse ele. Como se a dor pertencesse a ele. Cada palavra pesa como uma pedra em seu estômago.
É como se ele mesmo tivesse escrito aquilo. Como se o eco daquela culpa ainda estivesse dentro dele, mesmo depois de outra vida. Como se toda a repressão que James viveu ainda existisse em suas veias, em sua memória antiga, mas ainda dolorosa.
Não é só dor. É vergonha. É medo. É aquele silêncio abafado que muitos garotos como ele aprendem a usar como armadura. Ele sente a humilhação de não se reconhecer, de tentar se moldar ao que esperam, de tentar agradar ao pai e nunca ser bom o suficiente, de sorrir quando tudo dói.
Mesmo assim, ele se força a voltar algumas páginas. Não quer encerrar ali. Ainda não.
DIÁRIO DE JAMES
[Domingo, 12 de outubro de 1924]
“Tenho 16 anos. E começo a achar que tem algo errado comigo.
Meus amigos todos já se apaixonaram, ou pelo menos dizem que sim. Eles falam de como o coração acelera, de como não conseguem parar de pensar na menina com quem saem. E eu... eu nunca senti isso. Já me perguntei mil vezes se o problema sou eu. Talvez meu coração esteja atrasado. Talvez esteja esperando por alguém certo.
E então ela apareceu. Uma garota incrível. Gentil, inteligente, com um sorriso calmo e os olhos mais doces que já vi. Tínhamos que fazer um trabalho juntos e acabamos nos aproximando. Teve um momento em que achei que talvez fosse isso. Aquilo. Amor. Ou um começo.
Na primeira semana de namoro, eu me sentia flutuando. Não por estar com ela, mas por parecer… certo. Meu pai me elogiava, meus amigos me parabenizavam. Ela me olhava como se eu fosse especial. Tudo parecia no lugar.
Mas depois… não sei. Comecei a perceber que não sentia vontade de segurá-la pela cintura, de encostar meu rosto no dela. Quando ela me beijava, eu devolvia o beijo, mas era como se eu estivesse repetindo uma receita. Não havia fome. Não havia fogo.
Ela é linda. As ondas do cabelo loiro dela parecem feitas de sol. O sorriso é gentil, paciente, sempre sincero. A forma como ela se importa com os outros, como escuta com atenção, como se lembra dos detalhes… é encantadora. E eu adoro estar com ela. Mas não consigo sentir o que eu deveria sentir. Não sinto vontade de beijá-la. De tocá-la. O que há de errado comigo?
Eu só peço a Deus todos os dias que tire de mim os pensamentos que me rondam, os sentimentos que tenho quando estou ensinando matemática pro Landon — ou tentando, porque o coitado pode ser bonito e popular, mas é péssimo com estudos.
E peço a Deus que me faça sentir isso. Eu quero sentir isso. Por ela. Quero me apaixonar. Ela parece a escolha perfeita, meu pai a adora, e ele passou até a conversar mais comigo. Oro todos os dias para me apaixonar por ela. E, se não, que me dê forças para deixá-la e não partir o seu coração. Kimberly merece ser amada. Ela é incrível.”
Aleksander fecha o diário com cuidado, mas é como se as palavras ainda estivessem abertas em sua pele. O nome dela nunca foi dito na visão de sua regressão, mas ele sabe agora. Era ela. A garota do olhar partido, da confissão tímida, da despedida dolorosa.
Ele queria saber mais. Queria saber se ela ficou bem. Queria saber se os dois se acertaram no futuro, se ficaram amigos. Mas não hoje.
O cofre é reaberto. O diário volta ao seu esconderijo. E ele deixa para continuar em outro dia.