O Sacrifício de Isaque
Entregue-me seu único filho Arranque fora os seus olhos E também todos os seus sonhos Deixe-me depositar o parasita Você vai sentir uma sensação esquisita Dentro do seu corpo, nas suas entranhas Deixe-o dominá-lo e irá realizar façanhas Que não poderia realizar estando inteiro Vai se sentir feliz até em um chiqueiro O que eu quero fazer é limitá-lo Para que possa fazer o que eu te pedir Seja o que for, sem precisar ressentir E para que eu puxe mais e mais seu saco E tome a sua única arma: Seu taco Numa tacada só, levo todo seu dinheiro Junto com a sua vida, num pacto Entrego-a para um lixeiro Como se fosse um milagre divino Em troca disso, te dou o prazer O sentimento mais genuíno Que é o seu maior dever O de ser um lacaio subserviente E a sensação de ter um pedaço Do paraíso, pré-encomendado Após a morte, não irá sentir nada Nem dor, nem ódio, nem cansaço Eu terei te anestesiado tanto Que a dor será irrelevante Assim como a sua vida foi
31 de Janeiro de 2016 Psicodeluka


















