O troço entre o Refúgio Josep Maria Blanc e o parque de estacionamento onde está a nossa viatura é última etapa desta viagem de trekking ao Parque Nacional de Aigüestortes. Sente-se no ar um misto de “até que enfim termina” com “foi muito curto”.
Dependendo da viagem que escolhemos, o dia anterior pode ter sido uma longa jornada de 11 horas de caminhada ou um agradável dia de 4 horas de caminhada e contemplação de amplas paisagens de montanha e lagos. Há duas versões desta viagem e por isso há que fazer a distinção.
De qualquer dos modos, ao chegarmos a este dia já vemos aproximar-se o final da viagem e começamos a imaginar o carro no parque de estacionamento. O que raramente esperamos é o nível de dificuldade e aventura que este último dia nos pode trazer.
No dia anterior, ao descermos para o fundo do vale onde se encontra o dito refúgio onde passámos a noite, é inevitável pensarmos que no dia seguinte essa será a primeira subida que enfrentaremos e, como se diz na gíria, não é pêra doce.
Muitos são os motivos de fotografia que temos ao longo da subida e por isso não faltam distrações.
Ainda assim, até atingirmos o Coll de Monestero é uma belíssima jornada com cerca de 500m de ganho de altitude.
Saliento o aparecimento e passagem dos helicópteros. Não que tal seja uma ocorrência garantida mas porque estes fazem o abastecimento aos refúgios ou por estarem a evacuar alguém, estes veículos aéreos passam com alguma frequência e é sempre um avistamento que causa impacto.
Se a subida foi um desafio, a descida apresenta um grau de dificuldade diferente.
Na face Noroeste desta montanha encontramos uma descida muito degradada onde o piso é de cascalheira muito fina, talvez até lhe possa chamar areão ou mesmo terra solta. Isto faz com que se deslize, especialmente se temos botas que não tenham tacão ou com sola muito mole.
São nestes momentos que o calçado faz uma diferença brutal que se revela em conforto, velocidade de progressão mas sobretudo em segurança. Não é este o momento para desviar o assunto para o calçado mas essa oportunidade não faltará noutra ocasião.
A descida é demorada e ainda passa por uma zona de grandes blocos onde muitos caminhadas revelam alguma dificuldade em se deslocarem de pedra em pedra. Mas, o que alguns é uma maçada, para outros é um desafio engraçado.
Quando atingimos o fundo da parte mais íngrime do vale há, inevitavelmente, um suspiro de alívio. Para mim é sinal que consegui trazer os participantes em segurança e que estão contentes.
Já pouco resta, somente mais uns poucos quilómetros que se fazem descontraídamente. É um passeio no parque em que fazemos a descompressão de vários dias de caminhada.
Há momentos de silêncio, sinto a introspeção. Mas também há sorrisos de cumplicidade de quem viveu um história em comum e agora partilha memórias conjuntas.
Paramos no Refúgio Ernest Mallafré para uma cerveja e a alegria espelha-se nas caras dos participantes. Daqui ao carro é um tirinho.
Esta é uma jornada de 14Km, 500m de subida e 1100m de descidas acumuladas … duro.
Sinto o prazer do dever cumprido e anseio pela próxima voltinha.
David Monteiro
Trekking do Refúgio JM Blanc ao estacionamento O troço entre o Refúgio Josep Maria Blanc e o parque de estacionamento onde está a nossa viatura é última etapa desta viagem de trekking ao Parque Nacional de Aigüestortes.
















