João Derly: a aproximação por cima do muro
A história política atrelada às suas aspirações pessoais é o que define a candidatura de João Derly. O judoca, medalhista olímpico entrou no exercício da práxis política em 2007 quando foi procurado por diversos partidos. Escolheu estar junto aos comunistas pelo carisma da então recém-deputada federal Manuela D’Ávila que lançou a sua candidatura a vereador em Porto Alegre para manter cadeiras cativas do partido que pouca a pouca perdia sua relevância na cidade.
O tímido judoca cresceu na carreira por sua maneira calma de perceber as tendências de mudanças que ocorriam nos rumos políticos brasileiros. Foi quando conseguiu vencer as eleições a deputado federal que mudou a sua postura, sendo mais altivo e discordando do próprio partido que o elegera, o PCdoB por divergências do seu ‘centralismo democrático’. Aproveitou a brecha partidária de poder se filiar a REDE Sustentabilidade, partido que recém havia sido criado, encabeçado por Marina Silva, candidata que teve nas eleições de 2010 e 2014 como principal mote de campanha a de ser uma alternativa à dicotomia nacional PSDB-PT.
A sua ligação ao esporte como superação de vida liga-se às crenças políticas em propostas de desenvolvimento de maneira autônoma e descentralizada. Está relacionado a um processo de comunicação pela informação com os cidadãos como um ciclo de realimentação cumulativo de inovação como forma de fornecer poder ao indivíduo. A flexibilidade é a forma de ele manter esse diálogo em todos os pares, sem divergir nas diferenças drásticas de desigualdade e poder na cidade, ou seja, na tentativa de reconfigurar sem destruir a organização social que regem essas estruturas. É por isso que sua postura acaba sendo “em cima do muro” e não como alternativa.
Uma análise das transformações da era informacional nessas relações está nas novas organizações produtivas e de trabalhos ligadas às forças globais e que afetaram a estrutura social, tanto de individualização quanto de fragmentação das sociedades. E é a partir desse olhar que o plano de governo de Derly se aproxima às pessoas, ou seja, dentro de uma lógica de rede colaborativa que supera as mazelas pelo incentivo ao empreendedorismo, dando suporte às principais demandas individualizadas que os cidadãos apontam. São propostas atreladas às características de um novo paradigma do que Manuel Castells constrói em seu livro ‘A Sociedade em Rede’, onde considera a participação em rede pelas Tecnologias de Informação os passos que revolucionaram a apropriação de poder descentralizada dos indivíduos.
Apesar de ter assumido todas os projetos da REDE, percebeu uma alternativa em se aproximar com maior presença pelo Republicanos, partido evangélico, ligado a Assembleia de Deus e que já tem capilaridade na periferia da cidade em seus projetos de assistencialismo e transformação de poder ideológica. Além do mais, novamente, liga-se à tendência maior de estar em diálogo com a população justamente pelos rumos conservadores que se enquadram em âmbito nacional, de uma ética e espírito protestante.
Apesar da utilização das redes sociais justamente para trazer propostas sobre problemas considerados universais como segurança, sua figura como político não tem movimentação efetiva. As tecnologias de informação, ao invés da descentralização de poder, demonstraram ser instrumentos ligados a partidos conservadores que utilizam de “Fake News” para disseminar e potencializar preconceitos já incorporados na sociedade e na crença de falácias de desenvolvimento como a autonomia de mercado. Assim, a candidatura de João Derly é mais uma fé e um fogo de palha na cidade de Porto Alegre, uma repercussão que já havia sido anunciada quando da candidatura à presidência de Marina Silva em 2018 cuja posição “em cima do muro” a levou a terminar com pouco mais de 1%.
Próximo candidato será José Fortunati.
Obs: Essa é uma análise independente cujas informações adquiridas foram retiradas a partir de páginas e vídeos oficiais do facebook do candidato.
@luizhapollo











