Nagelstein: o ‘novo’ conservador
Amanhã teremos o famigerado dia das eleições municipais. E aqui lhes apresento o último candidato dessa série que moveu a Acrópolis Virtual para reflexões sobre essas candidaturas e a quem elas realmente representam na cidade. Foi muito interessante notar o quanto que conviver se relaciona com os posicionamentos políticos e as cidades imaginadas para cada uma dessas figuras.
Suas organizações partidárias, muitas vezes distantes da maioria da população, determinam forças de poder que são presenças marcantes na construção histórica da sociedade brasileira, conforme suas peculiaridades locais. Assim, apresento a candidatura de Valter Nagelstein, a partir das suas narrativas morais e de projetos de privatização que compõem as forças econômicas financeiras para determinar uma cidade para ambiente de negócios.
Devido à falta de apoio local, Nagelstein ainda não é a principal aposta desses investidores que buscam um território como forma de exploração e lucro de seus negócios, preterindo qualquer uso de espaço público. Como secretário de urbanismo da cidade durante os anos de Fortunati e de Marchezan, Valter passou pelos últimos governos como aquele empresário que construiu seu networking e tenta vender a cidade a qualquer custo.
Com o projeto de revitalização da área do 4º Distrito, o Masterplan, estabeleceu diversas pontes de diálogo com investidores na tentativa de financeirizar a área, ou seja, auxilia na especulação imobiliária para determinar qual nível socioeconômico deve morar em áreas privilegiadas de Porto Alegre. Suas pretensões são para colocar em prática sonhos de uma metrópole de altos investimentos e extremamente segregada.
Junto dessas forças econômicas, ele se alia ao discurso moral anti-corrupção em uma típica narrativas demagógica sem projetos que efetivamente questionam as estruturas que auxiliam nessas práticas ligadas a benefícios privados em bens públicos. Além do mais, também se liga aos anseios da segurança da classe média na cidade que é solucionado por práticas autoritárias e segregacionistas, sem efetivamente solucionar as causas que levam à violência urbana, como a falta de oportunidade e a desigualdade social. No combo dessa narrativa, ainda está a preservação da família, o que só completa valores morais de hierarquias de uma formação nuclear que conserva costumes, sem reconhecer a subjetividade de cada um, ou seja, preservando a heteronormatividade.
Assim, sua candidatura é determinada como uma das mais conservadoras e ligadas às forças econômicas neoliberais. O partido em que se encontra, o PSD, cria essa bandeira reconhecida à nível nacional e cresce em diversas regiões do país. Amanhã, Valter terá uma pífia votação, mas isso não significa que sua candidatura foi em vão. Ele apresentou a sua vontade política e os investidores estarão prontos para financiá-lo à próxima candidatura. Além do mais, foi um candidato que tentou creditar como um elemento outsider já que não compunha a quadripartite do prefeito, vice-prefeito, ex-prefeito e ex-vice prefeito. Por isso, conseguirá alianças com mais facilidade para ser uma força política do amanhã para conservar o já está ordenado hoje.
Agradeço aos leitores que dispuseram de um pouco de seu tempo para refletirem junto comigo sobre essas eleições e suas representatividades. Espero que tenham um excelente dia de eleições. Hasta la victoria, siempre. Agora é ela!
Obs: Essa é uma análise independente, cujas informações foram adquiridas em entrevistas, debates, notícias e nas redes sociais do candidato.
@luizhapollo














