Na era do e-book, Bienal do Rio é analógica
A era do livro digital já começou: e-books são lançados diariamente e os aparelhos para leitura proliferam.
Quem passeou pela Bienal do Livro do Rio, encerrada ontem, viu poucos sinais desse novo mercado.
Em sua 15ª edição, a feira foi um típico evento do século 20, feito para, grosso modo, vender papel. Nas raras editoras em cujos estandes havia algum sinal de e-books, o que se via era um ou dois tablets ou e-readers encostados num canto.
"O mercado do livro digital ainda não começou no Brasil", disse à Folha Sonia Jardim, presidente do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (que organiza a Bienal). "Ele vai ter uma virada quando os aparelhos digitais de leitura se popularizarem."
Nesse sentido, a feira poderia ter começado a conscientização com seu estande Bienal Digital, onde havia 16 tablets de fabricantes distintos, todos atraindo muitos visitantes - estes, no entanto, nada liam: jogavam, navegavam na web e tiravam fotos.
Os e-books foram mais discutidos do que vistos e lidos - houve palestras sobre eles e um colóquio para debater as bibliotecas da era digital.
Uma das apresentações contrariou a noção de que o mercado do livro digital ainda não começou no país.
Carlos Eduardo Ernanny, criador da Xeriph (distribuidora de e-books que reúne mais de 150 editoras), disse já ter um catálogo de mais de 6.000 títulos digitais, a maior parte de editoras pequenas.
Quando se olha para as grandes editoras nacionais, o cenário é diferente: a DLD, distribuidora de e-books que reúne Objetiva, Record, Sextante, Rocco, Planeta e L&PM, tem hoje 650 títulos nesse formato, nem 1% do acervo total dessas editoras.
"Nos bastidores, não há editora no Brasil que não esteja se mexendo", disse Pascoal Soto, da LeYa. "Estamos atrasados em relação a Europa e EUA, mas temos de nos mexer para sobreviver."
Se os efeitos da tecnologia no mercado editorial foram debatidos, a discussão sobre como será uma bienal de e-books ainda é incipiente.
"A gente tem até brincado sobre isso, se perguntando se, quando o mercado migrar para o digital, a feira vai continuar", disse Sonia Jardim.
Um exemplo de como a feira pode continuar existindo em versão digital foi dado por Ziraldo, que lançou uma HQ para o iPad e esteve no estande da editora Melhoramentos para autografar tablets.
O esquema é análogo ao dos livros tradicionais: o leitor leva a obra (no caso, 15 fãs levaram iPads com a HQ) e o autor a autografa (em uma parte criada especialmente para isso) no aparelho.
Pessoal, resolvi fazer alguns comentários sobre o cenário dos livros digitais ou e-books aqui no Brasil.
Realmente o Brasil está atrasado em relação aos livros digitais, mas acredito que será o futuro. Vejo que muitas pessoas não analisam o mercado a fundo em relação aos livros digitais (e-books) e acabam soltando matérias como se fosse a maior novidade, talvez para alguns realmente seja. Vou pegar como exemplo os “livros nas nuvens” que algumas mídias andaram publicando como se fosse algo novo, mas não é.
A empresa JURID Publicações Eletrônicas, em parceria com Editoras comercializa livros digitais desde o ano 2000, quando nem se falava em livros digitais (o tal e-book). Em 2000 lançamos a primeira Biblioteca Jurídica Digital, onde o consumidor comprava um crédito mínimo de R$ 20,00 e poderia gastar da forma que achava melhor, comprando uma obra inteira ou apenas capítulos e páginas. Mas a Jurid não parou, lançou outras plataformas e melhorou aquelas que existem.
Mas com o avanço da internet, a Jurid no ano de 2006 lançou mais de 2.000 livros digitais (hoje com mais de 2.600 títulos) das Editoras parceiras totalmente nas nuvens, onde o consumidor escolhe se quer comprar o livro digital na integra, páginas ou até mesmo assinar toda a Biblioteca, tanto da Editora LTr. Você pode conhecer no site http://www.ltrdigital.com.br/
Outra coisa que estou percebendo é que as Editoras preferem adotar o PDF (desde que conheço computador já existia PDF e só agora que se fala em e-book e ainda em PDF, parece piada) e o E-PUB para os livros digitais, principalmente o PDF (cadê a criatividade das Editoras). Talvez seja por falta de opção, mas não acredito nisso. É incrível como as editoras brasileiras não dão valor para o que temos aqui no Brasil e preferem comprar tecnologia de fora, mas enfim…quem sabe um dia esse cenário mude.
Estamos batalhando com livro digital (e-book) há mais de 10 anos e sabemos que o mercado ainda é muito pequeno, tem muito que crescer.