Do you see what we've done? We're gonna make such fools of ourselves” — decode, Paramore.
Cansaço. A primeira coisa que Katherine pensou ao sair do ginásio, cruzar as famosas portas da UCLA e sair, finalmente, do inferno movido à nostalgia, sorrisos falsos e memórias traumáticas. A mulher deixou o corpo ceder à exaustão mental ao entrar no próprio carro, um Rolls Royce, e deitar a cabeça sobre o volante, respirando fundo, criando coragem para se afastar do prédio que prometeu nunca mais pisar.
Katherine remexeu-se, incomodada, sobre o banco de couro legítimo, e decidiu pegar o próprio celular. Iria ligar para o delivery que sempre pedia sua garrafa de vinho favorita, quando se deparou com um cartão que, até então, não deveria estar ali.
Só pode ser piada! Alguém estava montando um complô contra Katherine e ela estava decidida a caçar o infeliz. Do convite à reunião de ex alunos, à nostalgia forçada, agora um cartão da BlockBuster de 2014? Em nome de Jhon Jacob Harris?!
A mulher encarou o objeto com tanta surpresa e raiva. O cartão em sua destra tinha um peso muito maior do que o objeto realmente tem, trazia consigo lembranças que Katherine se recusava a lembrar.
Totalmente frustrada, com raiva, cansaço e vontade de apenas sair daquele contexto e lugar, deu partida no carro e saiu o mais rapidamente possível da terreno da UCLA, ganhando as ruas de Los Angeles no limite de velocidade. Tentando desanuviar sua mente, Katherine conectou seu celular ao carro, dando play no aplicativo de música de modo aleatório. Viva La Vida, do Coldplay, ganhou os auto falantes do Rolls, e uma risada alta de Katherine.
Repetindo mentalmente: “isso não pode ser possível”, em minutos, a mulher estacionou seu carro à frente da mansão que havia adquirido recentemente em Bel Air, descendo do mesmo de modo irritado, batendo a porta atrás de si. A racionalidade sempre foi o forte de Katherine, e não seria agora que ela iria abrir mão de sua razão. Por mais que tenha se sentido mexida e emocionalmente abalada com as últimas horas, o cartão-piada em sua bolsa, e a música em seu celular, não iria correlacionar todos os acontecimentos. Não queria correlacionar. A única relação entre todos era apenas um: uma grande piada usando o ano de 2014 como pano de fundo para a abalar.
Decidiu deixar tudo de lado e se concentrar em sua rotina. Rotina, tudo que Katherine precisava era de sua rotina. Iniciou sua tradição antes de dormir, um banho bem quente e relaxante, todo um processo de skin care e hidratação de sua pele, além de prender seus fios escuros em um coque preciso, mantendo a escova.
Vestida apenas de blusa e calcinha, Katherine desceu as escadas de sua mansão, enchendo uma taça de vinho tinto e pegando os papéis de um novo cliente. Rotina para ela era isso: os cuidados consigo, o vinho para relaxar e os arquivos que precisava ler para o dia seguinte. Ao voltar para o quarto, deixou o celular sobre a escrivaninha, deitando-se de bruços na cama, taça em uma mão e documentos na outra.
O cansaço anterior voltou com força, e Katherine não percebeu que adormecia aos poucos, deixando a taça cair ao chão, manchando o tapete bege de vermelho sangue. O sono que a atingiu não era o comum estado de adormecer que estava acostumada, o sono se tornou leve, com pitadas de consciência e agitação. Tentou ingressar em um sono mais estável, mas seu subconsciente a forçava a quase despertar, até que seus olhos se abriram por fim, determinada a descobrir o motivo do endurecimento de sua cama.
Totalmente contrariada, revirou-se sobre a superfície dura e gelada, estranhando estar no chão. Quando foi que caiu? Não deveria estar mais confortável pela presença do tapete? Ajustando a visão à imagem a seu redor, Katherine se levantou em um sobressalto. Estava no… John Wooden Center novamente? Como assim?
Ao se virar para o lado, notou rostos conhecidos. Não havia os visto hoje a noite? Estava em um sonho? Sua mente deu um looping ao notar que todos estavam de pijama. Sua mente não a faria sonhar com ex colegas de pijama, faria? Mas foi somente quando um pegou o próprio celular no chão, um iPhone que não via desde… 2014?, que Katherine reparou na própria aparência pelo reflexo na tela. Estava mais jovem, os cabelos cacheados… parecia a mesma, mas em sua versão jovem e universitária.
Apertou rapidamente o botão de ligar o aparelho, tendo o segundo susto: a data marcava o início do último ano de graduação, 2 de setembro de 2013. A garota olhou para a pessoa mais próxima, procurando respostas que não fossem “você está sonhando” ou “você está louca”, mas a pessoa parecia tão confusa como ela. Seu celular vibrou em sua mão, chamando a atenção novamente para a tela que exibia uma mensagem: “Vocês tem uma segunda chance, mas cuidado, nem tudo é o que parece. Ao final dessa aventura, vocês terão uma escolha a fazer. Estejam preparados. Faça cada segundo valer a pena!”
Katherine estava prestes a se beliscar para acordar do pesadelo que imaginou estar tendo, quando o som o apito dos guardas do campus a despertaram. Era real demais para ignorar o conhecido medo de ser pega fora do dormitório em horário proibido, maior do que a confusão mental. A garota correu, correu com todas as suas forças pelo campus, assustando-se ao sair do ginásio e encarar a claridade do lado de fora. Foi quando lembrou-se de suas roupas e olhou para baixo: blusa e calcinha. Ela estava apenas de calcinha na frente daquela gente toda!
Não era sonho ou alucinação coisa nenhuma, era real! Era ela, a versão mais jovem e universitária! Em 2013! De calcinha na frente de todos os colegas de faculdade. Não havia tempo para pensar ou procurar alguém que tivesse respostas. Sabia que não estava louca, e sabia muito bem que viagens no tempo eram impossíveis. Mas como explicar estar em 2013 novamente?!
A única coisa em que Katherine conseguia se apegar era o instinto de sobrevivência. E o de não pagar maior mico na frente de toda a UCLA. Havia apenas uma única solução: correr para o Olympic Hall e encontrar suas coisas no antigo dormitório. Se iria fazer isso sem surtar, precisava fazer com suas coisas e o instinto de familiaridade. Além de roupas adequadas e reputação intacta.
task 001 — style, @tbthqs.
and I got that good girl faith and a tight little skirt.
Cardigans, coturnos, All Stars, jardineiras jeans, blusas de banda, saias, suéteres, botinhas curtas, vestidos com estampas de flores, bolsas de couro, meias altas, blusas xadrez ou listradas.
O estilo de Katherine sempre foi o simples, o básico e o confortável, afinal, as paredes da biblioteca não se importavam em como ela se vestia. Nunca se sentiu popular ou bonita o suficiente, sua aparência nunca foi seu forte e sempre soube disso.
Parte do estilo de Kath partia do prático, do rápido, malhas e tricôs, tecidos que não amassam tão facilmente. A outra parte, se inspirava em looks vintage, o visual retrô combinava com seu gosto musical, apesar de sempre acharem que ela somente ouvia Taylor Swift.
Por ter vindo de Ohio, a garota preservava seu gosto e estilo mais do interior, não se inspirando em marcas ou trends… Katherine preferia colecionar CDs e VHS, além de seus inúmeros livros que ocupavam quase que todo seu espaço no dormitório.