A little bit of chaos. A lot of hapiness.
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A little bit of chaos. A lot of hapiness.
Katherine Abrams, 2018 and 2030.
YEARBOOK: Ladies and gentlemen, the class of 2021 from Hackley School.
Katherine Abrams, a otaku da geração.
Puckerman e Abrams, as duas crianças que acham que podem fazer o que quiserem sem se abalarem com a opinião alheia.
VOGUE.COM: Senhorita Abrams, pode nos dizer o que significa para você ter sido nomeada ao Oscar como Melhor Atriz Coadjuvante por Starfire?
Katherine Abrams: ❝Quando eu tinha uns três anos, meus pais se separaram. Toda a imprensa soube disso, foi notícia inclusive em revistas como a própria Vogue, quando meu pai deu uma exclusiva falando sobre o seu novo projeto de filme, que se mesclava com seu novo projeto de vida. Na época, lógico, eu nunca li a reportagem, mas quando tinha por volta dos sete, eu cacei tudo que Artie Abrams tinha dito ou escrito e estava lá, em letrinhas miúdas e pretas, ele afirmando que era um projeto que minha mãe nunca poderia executar, porque “seu rosto não representava a mulher americana”. E, bem, eu sou herdeira dos traços de minha mãe, como todos os descendentes de asiáticos. E aquilo era óbvio que estava sendo imposto que eu também não representava a mulher americana. E isso me marcou, por anos. Por longos anos, mesmo querendo pisar em Cannes como a atriz protagonista de algum filme que fizesse as outras pessoas sentirem algo, mesmo fazendo aulas de teatro e lutando contra meu medo de palco, mesmo treinando discretamente assinaturas na contracapa do meu caderno, eu tinha em mente que não conseguiria um destaque em um filme comercial, porque não tinha o rosto que a América se identificasse. Foi preciso um processo, por vezes sofrido, de aceitação, ao ponto de olhar na frente do espelho e dizer para mim mesma que meus olhos puxados não eram motivo de piada e que eram lindos do jeito que eram. Que eu podia sonhar em fazer um papel que não contivesse como especificação que deveria ser uma mulher asiática a interpretá-lo. Que eu poderia conquistar espaço porque também fazia parte dessa enorme população que atravessa diversos discursos similares ao que me deixou para baixo quando era criança. Ter interpretado Christine, que em momento algum é colocada como “a garota asiática” na trama do filme, sendo uma das responsáveis pelo desfecho do filme, foi um sentimento catártico de que eu estava sim, sendo a representatividade que me negaram quando era mais jovem. E poder talvez ganhar um prêmio pela minha atuação é algo que além de me deixar nas nuvens, me faz pensar que posso ser o rosto que diga para alguma garotinha em casa que sim, ela também tem a cara desse país, que ela também faz parte dessa cultura, e ninguém pode dizer o contrário.❞