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A little bit of chaos. A lot of hapiness.
Aviso: se você caiu aqui nesse post aleatoriamente, esse conto não é pra ser lido por você. No mais, peço desculpas a WG e a DV por ter metido os herdeiros de vocês nessas furadas.
Uma reunião de Puckerman era a coisa mais normal na vida de qualquer um deles; quando se tem uma família daquele tamanho, invariavelmente acabariam esbarrando um no outro. Não era como se a ilha de Manhattan fosse grande o suficiente para que eles nunca ocupassem os mesmos espaços. Naquele dia, entretanto, era uma reunião, pelo menos, marcada. Por serem mais de 10 primos, a facilidade com que os aniversários aconteciam eram assustadora. Estavam ali para bater palmas para mais uma volta ao sol de Haneul - e comer a maior quantidade de kyungdan e cupcakes kosher que pudessem. Até ali, tudo dentro dos conformes.
O que não parecia se encaixar era porquê estavam separados dos outros primos, como se estivessem em uma ilha de castigo. Até perceberem que sim, estavam. A ilha do castigo do seu tio Moses.
— Ele não pode estar TÃO irritado com a gente até hoje — Nyx comentou, furando o seu cupcake com um palitinho de madeira, um leve bico surgindo. — Quer dizer, não é como se a gente tivesse ACABADO com o fim de semana dele de verdade...
— É uma sensação estranha, ninguém nunca esteve de fato irritado comigo — Sabrina balançou a cabeça, confusa demais, como se não conseguisse perceber onde errou.
— Sorte sua. Pra mim, o normal é ser ameaçado a cada 3 horas, que nem alimentação balanceada — acrescentou Zeke, sem se abalar, comendo o seu pedaço de bolo em paz, como se não estivesse tomando um gelo.
— Boa noite, exilados! Estão se divertindo? — Haneul chegou até eles perguntando, o sorriso cínico nos lábios, como boa causadora que era.
— Seu pai nos odeia? — Nyx perguntou, direto ao ponto.
— Cara, ele teve que ir em três prisões diferentes pra livrar a cara de vocês sem avisar os seus pais. Você esperava o quê? — Haneul rebateu, a mão na cintura e a cara de julgamento presente.
— Olhando por esse lado... — Sabrina comentou, olhando para cima e juntando os fatos.
— Dá nada. Não é como se fosse o fim do mundo — Zeke comentou, de boca cheia, recebendo a cara de desgosto das três meninas.
Sabrina sabia que tinha passado dos limites. Soube no momento quando a suspenderam pela cintura e a carregaram para fora do evento, as pernas se agitando no ar e os braços ainda tentando alcançar o pirata a sua frente, determinada a acertarseu rosto.
— Vamos contatar seus pais, Senhorita Puckerman — o guarda da convenção lhe avisou, a fazendo soltar um suspiro.
Eric estava ocupado naquela noite em um evento pela NFL, em Boston, enquanto a mãe estava gravando na Georgia um novo filme. Podia pedir ajuda a Julian, mas sabia que ele iria comprar sua briga e acabariam os dois em maus lençóis, o que seria muito ruim para eles quando juraram de dedinho aos pais que iriam se comportar na ausência deles. Então, tinha uma saída arriscada a recorrer, nesse caso.
— Meus pais não estão, mas pode ligar pro meu tio? Ele é meu responsável nesses casos.
Uma hora depois e Moses estava quase passando mal.
— E você achou de bom tom socar a cara do maluco ao invés de chamar os seguranças? — ele perguntou, sentindo a dor de cabeça.
— Ele tem idade pra ser meu tio e achou de boas dizer que eu era o sonho lolita dele. Quem tinha que ter bom senso era ele e não eu — rebateu, sem se abalar, tomando um suco de uva que tinha levado em sua mochila.
— Ele é um otário e eu mesmo desceria o soco nele. Mas eu sei que reagir com violência faz você parar em trending topic e ninguém quer saber se você estava certa ou não — passou as mãos no cabelo, olhando para Sabrina. — Então, o que mais aconteceu?
— Eu disse que meu cosplay de Yor não era da conta dele. Mas o chute no saco que ele iria levar, sim. E aí ele riu e eu chutei o saco dele, antes de tentar cair no soco.
Moses botou as mãos na cintura.
— Então você atacou ele fisicamente.
— Me defendi.
— Você... Okay. Eu vou ver o que faço. Não saia daqui.
Nyx não tinha ideia que a sexta-feira do seu tio tinha sido agitada quando pediu para chamar por ele diretamente da delegacia de polícia. Estava com as pernas e braços cruzados, a cabeça baixa e escondendo o rosto o máximo possível, até ouvir que seu responsável estava ali. Abriu um sorriso em direção a Moses, o saudando.
— Por que estou aqui em pleno sábado? — ele parecia cansado, mas Nyx apostava que era da idade mesmo.
— Porque, como uma Clarington, aprendi que temos que gerenciar crises com os melhores profissionais da área, e quem melhor do que meu querido tio pra me tirar daqui sem que a imprensa e meus pais fiquem sabendo? — o discurso da garota estava na ponta da língua, o olhar astuto dela o encarando enquanto ele parecia repensar todas as escolhas de sua vida.
— O que você fez?
— Não é que eu tenha feito, exatamente... — começou a explicar, balançando as pernas nervosamente.
— O que você tentou fazer?
— Estão me acusando de falsidade ideológica por tentar comprar bebidas com RG falsa — colocou a mão no peito, fingindo estar ofendida. — Quando todo mundo sabe que beber um champagne na vida não é o fim do mundo.
— Você estava mesmo tentando comprar champagne?
Nyx bateu o seu salto umas duas vezes no chão, antes de encarar o tio, a contragosto.
— Não...
— Ótimo. Excelente. — Moses olhou para ela, balançando a cabeça. — Nyx, você é a embaixadora de uma marca de cosméticos...
— Eu sei! E por isso confio no senhor pra dar um jeito nisso — e sorriu com seu melhor sorriso de quem não vale nada.
O homem sentia que estava pagando caro por algo que nem ele pediu.
Zeke estava com um conjunto de moletom com a estampa da polícia de NY e grande demais para ele quando Moses surgiu. Era domingo a noite e o tio parecia exausto, mas exausto de verdade.
— O senhor parece que vai coringar a qualquer momento — o garoto comentou, sentado na sala de depoimentos.
— Tudo que eu queria era tomar uma cerveja e comer alguma coisa enquanto assistia jogo na televisão. Um pedido simples, pequeno, um sonho de um homem comum! — Moses estava puxando o cabelo estilo o Pica-Pau, surpreendendo muito Zeke porque o tio era vaidoso demais para se descabelar assim. — Me diz, Ezekiel Puckerman, como eu vim parar de um fim de semana tranquilo aqui, no fim da noite?
— Bem, eu liguei pedindo ajuda pro tio Seth e ele disse que iria ligar pro senhor porque o senhor manjava dessas coisas de resolver crimes dos outros — respondeu o menino, sem se abalar.
— Eu nem mesmo fui o primeiro da lista. Só melhora — Moses suspirou, apertando o ossinho entre os olhos e o nariz. — Vai, garoto, o que você fez?
— Então. Sabe quando os seus amigos dizem "duvido?" e você diz "então olha só" e faz algo estúpido? Foi tipo isso. Me desafiaram a correr só de cueca numa rua. — Então fez uma pausa, balançando a cabeça. — Só que era uma rua com uma igreja católica e estava acabando a missa.
— Ah, que ótimo! — Moses jogou as mãos para o alto, exausto.
— Então, não era nada... Mas aí as idosas chamaram a polícia e me prenderam por atentado ao pudor. Pelo menos eu tava de cueca, sabe!
— Deixa eu adivinhar: seus pais não fazem ideia que você está aqui — Moses sentenciou, o olhando de canto.
— Não... E eu espero que não saibam.
O tio quase infarta com a causalidade do moleque.
— Vou resolver isso. Fique aqui e não estrague nada.
— Fica de boas... Eu já tava até fazendo amizade na cadeia. Tinha um padre na minha cela. Ele foi preso por desobediência civil. Eu falei pra ele que a gente tinha muito em comum, se fosse olhar bem.
— Zeke... Cala a boca.
Haneul lambia a mistura de mel e arroz doce que escorria do kyungdan, pensativa.
— Quer saber? Não estraguem mais o fim de semana do homem e prometam nunca mais fazer merda. A gente sabe que não é verdade, mas ele vai fingir que acredita e vocês vão fingir que falam sério. Feito?
— Feito — os três concordaram.
— Vou ver o que posso fazer por vocês. Mas vão ficar me devendo essa, delinquentes.
Sabrina Puckerman, the angry fairy.