4 poeminhas antes que o mundo acabe
(1)
desequilíbrio de chackra
abobada,
abóbora queimada,
queimando-se com sálvia
na manteiga, a sálvia crocante e as palavras
brotando-me, cogumelos de pau, de dia pra noite,
brotando-me outra, trocando-me, entendendo que:
_ de repente, você acorda e lá está o cogumelo saindo da sua boca, orgânico
_ completamente improvisado
{ beleza meio estranha, humana, falida, fracassada, desde a primeira frase, salvando-se se o filme fosse exibido no fast foward }
tudo guardado há tanto tempo
e tão bem guardado, fechado, abafado e calado, completamente mudo
travado no escuro até minha boca se mexer tanto, a ponto de sair tudo
brotando-me outra, trocando-me, o dentro virando fora, tudo muito rápido.
mas, de repente, talvez a temperatura do ar
explique, a ciência; a química, a física, a energia quântica
eu sei lá. a gente tem que acreditar em alguma coisa,
nem que seja numa consciência ampliada do tempo
antecipando a finitude iminente e clamando o agora
o já, o não deixe para amanhã, o
não deixe de dizer um dia – e que seja hoje,
hoje é o último dia do resto da sua vida
hoje é o último dia do resto da sua vida
hoje é o momento mais propício e tenso de todos os tempos
HOJE é a possibilidade de felicidade dançando feito piano,
pedindo pra ser tocada