A Primeira marcha do orgulho trans no Paquistão: saiba o que foi
A primeira Parada Trans-dissidente no Paquistão foi realizada no dia 29 de dezembro de 2018 em Lahore onde reivindicaram a implementação das reformas dos direitos trans e não-binário marcada por surpresas.
“Essa é a primeira vez, em nosso mais 70 anos de história, que estamos celebrando nossa visibilidade e identidade. Eu sou uma ativista, artista e uma das principais pessoas que apresentou o projeto de lei que foi aprovado. Hoje, no dia 29 de dezembro, nos reunimos aqui para celebrar isso. Pessoas trans estão sempre lamentando, mas hoje, desde que nossa lei foi aprovada, estamos celebrando” - Jannat Ali
No início de 2018, um canal de TV local no Paquistão contratou sua primeira âncora transgênero. Quando o ano estava chegando ao fim, um autor canadense-paquistanês lançou um livro infantil para ajudá-les a tornarem-se mais tolerantes com a comunidade LGBT. O livro intitulado My Chacha is Gay conta a história de um garotinho Ahmed, que mora em Karachi, e cujo tio é gay.
O Paquistão ainda tem quilômetros a percorrer para reconhecer e adotar os direitos LGBTQIAPN+, mas estamos, lenta e seguramente, chegando lá. A primeira Marcha do Orgulho Trans e dissidente de gênero foi realizada em Lahore na semana passada, encerrando o ano com uma nota positiva. A modelo transgênero e ativista Kami Sid também fez parte das festividades que adicionaram mais cor às ruas de Lahore (Kami nas fotos abaixo )
Acompanhe aqui o vídeo no YouTube sobre como foi
Aes manifestantes marcharam, entre outras coisas, para exigir a implementação da "Transgender Person Act", uma lei que estabelece os direitos fundamentais das pessoas trans e não-binária, votada em 8 de maio de 2018 pelo Senado.
O texto permite que pessoas trans determinem seu próprio sexo/gênero em todos os documentos oficiais. Em 2009, esse país de cultura conservadora e patriarcal esteve entre os primeiros do mundo a reconhecer legalmente um terceiro gênero.
A lei também proíbe toda discriminação contra as pessoas trans no trabalho, na escola, nos hospitais ou no transporte público. Problema: A ratificação do texto pelo presidente paquistanês Mamnoon Hussain ainda não ocorreu
Como um país não-ocidental é importante deixarmos claro que aqui o significado de trans, assim como não-binário entre outros termos e as noções de gêneros ocidentais, são expressos e interpretados de formas um tanto diferentes, então não são a mesma coisas que no ocidente. Por isso optamos pelo termo dissidentes de gênero (MGA). Pessoas dissidentes de gênero no paquistão vão de Hijras, Khawajasiras, khawajas sara, khusras, khadros à Bachas Posh.
O evento começou com uma coletiva de imprensa des ativistas que lideravam a marcha, que em si atraiu uma grande multidão, enquanto tomavam as ruas da segunda maior cidade paquistanesa. Pessoas aliadas ao movimento seguravam cartazes em apoio à comunidade e agitavam bandeiras, enquanto as outras na rua apenas olhavam.
De acordo com o jornal Express Tribune, os manifestantes de março de 2018 pressionaram o governo a finalmente implementar a lei. "Esta é a primeira vez na história do Paquistão que as pessoas trans-dissidentes de gênero estão recebendo seus direitos", disse Neeli Rana, uma ativista trans-paquistanesa, no final da reunião.
E para acrescentar: "As pessoas trans não imploram por implorar. Nós também temos o direito de protestar e descer a rua. Cabe agora ao governo implementar este projeto. "
Discriminação persistente.
No entanto, na vida cotidiana, as khawajasiras, uma comunidade de pessoas transfemininas e intersexo, vivem como párias e muitas vezes são reduzidas a mendigar e prostituir-se. Extorsão e discriminação são comuns, assim como estupro e assassinatos dessas pessoas.
Apesar da descriminalização da homossexualidade no país vizinho Índia, gays e lesbicas ainda correm o risco de serem preses no Paquistão, um legado de uma lei anti-sodomia do governo colonial britânico. Éles são punides até sob a lei Sharia, também aplicada neste país muçulmano conservador.
O Código Penal do Paquistão de 1860, originalmente desenvolvido sob o colonialismo, pune a sodomia com uma possível sentença de prisão e tem outras disposições que afetam os direitos humanos de paquistaneses LGBT, sob o disfarce de proteger a moralidade pública e a ordem.
Fontes: Tetu/CutaCut/ DailyPakistan/ MangoBazz
Postado e Editado por D. Camel via NBh+










