É a lei da vida trocar o velho pelo novo. Substituir o que já não tem serventia por algo mais avançado. Videogames estão acostumados com isso, mas pessoas não. Nós, seres humanos, gostamos se nos sentir importantes e indispensáveis. Por mais inúteis que sejamos. Não aceitamos o fato de haver outro por aí com virtudes maiores que as nossas, que ocasionam essa transferência de “importância”. Não somos como computadores, que depois de um longo uso pode ser feito um backup, ou uma restauração que acaba com todos aqueles defeitinhos, esses tais defeitinhos continuam conosco, sabe? Substituições doem profundamente, até mesmo naqueles que mantém a pose de “inabalável”. Tudo se resume em um simples abandono, deveria ser crime. Utilizar algo por tanto tempo, para depois simplesmente descartar. Dói. Ser substituído, esquecido, tanto faz; queremos ser de alguma forma, eternos. Tanto nos pensamentos, quanto nos planos, e principalmente no coração de alguém. Retoricamente nos perguntamos se há no mundo alguém capaz de nos amar exatamente como somos, com todas essas disfunções, esses claros defeitos. Será? Sabe, “você se torna eternamente responsável por aquilo que cativas” E isso significa em hipótese alguma soltar a mão daquele que sempre caminhou ao seu lado. Ninguém é perfeito, não se ama alguém pela cor dos olhos azuis. Se ama de verdade pelo cabelinho bagunçado, pelas piadas sem graça, pelo sorriso roubado quando o dia lá fora fica meio nublado. É natural que o mais bonito atraia, e que o diferente encante profundamente. A novidade pode parecer mais conveniente, mas aquilo que já se conhece é bem mais seguro. (abstinenc-e)