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If it’s okay, I’d like to request some Danganronpa headcanons with Kirigiri, and Aoi.? With a male s/o who was taught to never show sadness and bottle up their feelings.? And maybe the girls have to show that it’s okay for their s/o to need comfort.? Or show that it’s okay to cry-? Just- mainly the girls comforting their boyfriend-.? (This actually is a problem, with people telling boys to “man up” whenever a male feels down, so- WE NEED SOME GIRLS TO PROVE DIS WRONG PLEASE—
Hey! I'm sorry if these are a little short, but I hope you enjoy! And please, don't feel odd sending another request, the more people send the better!
Aoi Asahina
• When Aoi first met you, you weren't very... expressive if that makes sense. You almost never showed sadness and you always seemed off.
• She always tried to cheer you up when you looked a little disappointed.
• You would always tell her that you were fine and that men don't get sad or cry
• She immediately disagreed. Men can Express emotions too! It wasn't fair. You shouldn't have to 'man up', Emotions are natural!
• She'll always try to cheer you up when you're sad.
• She'll bring blankets, snacks, drinks, and everything you might need!!
• She really loves you. And she'll do anything to make you feel comfortable. She really wants you to open up to her and Express your emotions to her.
• She tries to cheer you up but swimming
• Whenever she sees you crying she'll pay you on the back and tell you that everything will be alright and that it's okay to cry.
• She let's you wear her jacket to make you feel safe and happy. And she'll take you on a tone of dates to cheer you up if you're still a little sad!
• Overall: very kind and sweet
Kyoko Kirigiri
• She handles these situations in a calmer manner than Asahina.
• Whenever you started crying even the slightest, or showed the slightest bit of sadness, you would apologize, saying that men shouldn't cry
• "No. Men are allowed to cry. Men and women aren't very different if you think about it. They both have emotion, they're just raised differently" Kyoko would say, smiling a bit.
• She wouldn't exactly comfort you, but she would give you many reasons why she accepts you and shows you that it is okay to feel sad.
• If you really want to, she'll even cuddle you.
• She'll make sure whoever told you to man up will pay.
• She'll always get down to the point and tell you that if you're crying then it's alright and she will always love you.
• She'll hold your hand for the rest of the day.
• She loves you so much and she'll never make you feel sad or uncomfortable.
• Over all: very straightforward and caring.
O Homem Anônimo
Sinópse
Eu nasci em uma casa oculta do resto do mundo. Motivo? Não sou humano. Mas isso nunca foi um problema, afinal, eu sempre soube me esconder bem entre eles. Isso é mais por causa da minha família, mesmo. Meus pais têm medo da sociedade e preferem se esconder, fazendo uso apenas da internet para interagir com o resto do mundo. No passado, eles foram vítimas de uma grande catástrofe que magoou seus corações para sempre.
Bom, mas apesar disso tudo, eles nunca me impediram de interagir com ninguém. Acham até saudável, afinal, eu não sou eles e nem preciso pensar como eles. E foi aí que minha aventura começou.
[Próximo]
O Homem Anônimo - Capítulo 2
Eu fiquei observando ela de longe. Ela parecia ter a minha idade, e usava roupas gastas e estranhas. Isso e algumas outras coisas nela me intrigavam. Ela entrou três semanas depois do início das aulas. A turma já tinha várias panelinhas, então, consequentemente, ela ficou isolada. Eu era diferente, nas minhas manias, nos meus trejeitos, na minha forma de falar e me expressar, mas ela, além de ser diferente nesses aspectos, também era muito tímida, o que dificultava ainda mais dela arrumar algum amigo. No primeiro dia dela na escola, durante o intervalo, ela tentou se aproximar de um aluno. Trêmula, tímida, ela tocou seu ombro, dizendo com um simpático e acanhado sorriso:
“Oi, me chamo ----------- você quer ser meu amigo?”
Ela foi empurrada pelo garoto tão forte que caiu no chão. Ele a encarou com muito desprezo e logo vomitou suas palavras sobre ela
“Hahahaha, tá maluca, garota? Olha as suas roupas! Onde estão seus pais? Quem é você??? As pessoas estão cochichando coisas de você por aí, eu não quero ficar andando com uma mendiga estranha!”
Ela se levantou, tapou a boca, abraçou o estômago e, curvada, virou e foi embora.
A minha rodinha de amigos riu com aquela situação. Na verdade, todos riram. Eu fiquei horrorizado. Achei super desnecessário aquilo. Um menino chegou a me cutucar e falar “Qual é Allan, ficou com peninha, esquisito?” Eu acenei que não e dei uma risada falsa, com medo de acabar tendo o mesmo destino que ela. Quando o assunto se tornou outro, eu saí de fininho atrás dela. Andando pelos corredores da escola, pude ver ela entrando no banheiro feminino. Encostei na parede, esperando ela sair. Um tempo se passou, muito tempo, na verdade, e nada dela. Resolvi entrar. Não tinha mais ninguém lá dentro, a janela estava aberta.
No dia seguinte, ela foi para a aula novamente. Parecia ainda mais assustada. Quando ela chegou, todos começaram a cochichar.
Eu fiquei com o meu grupo.
Durante a aula, eu vi ela pedindo para sair. Eu dei um tempo e pedi para sair também. Usei os meus sentidos aguçados para encontrá-la. Eu não expliquei antes, mas os Cururod além da capacidade de mudar de forma, também são capazes de ampliar seus sentidos quando querem e também cessá-los completamente, o que significa que conseguimos ficar cegos e surdos voluntariamente ou aumentar nossos sentidos em 10x além do normal. Naquele momento, eu ampliei o meu olfato e minha audição, e consegui localizá-la. Ela estava perto de uma árvore no pátio, e estava conversando com alguém. Quando descobri onde ela estava, cessei a minha ampliação e me aproximei. Não tinha ninguém perto dela, o que me deixou ainda mais curioso. Para que ela me notasse, fingi ter tropeçado e caí no chão. Ok, mentira, eu não fingi, isso realmente aconteceu.
- Você está bem!?
- Ah, sim! Desculpa, eu sou muito desastrado.
Ela se virou para mim na mesma hora, estendendo a mão para me levantar
Eu respondi, segurando a mão dela para me levantar. Ela parecia feliz por eu não ser hostil como os outros garotos. Eu me levantei e não soltei sua mão. Fechei os olhos , sorrindo carinhosamente para ela, cumprimentando-a em um aperto de mãos
- Eu me chamo Allan. Qual é o seu nome?
- Ahh, meu nome é -----------------
Ela ficou um pouco apreensiva, mas logo me respondeu
Eu perguntei só de bobo, porque eu já sabia qual era o nome dela. Inclusive, eu vou ficar censurando o nome dela sim, só pra dar um drama. Eu gosto, fazer o quê?
- Você quer ser minha amiga?
- SIM!
Ela respondeu na mesma hora, muito feliz e super empolgada. Seu rosto estava um pouco vermelho, ela era realmente muito tímida.
Depois daquilo, eu disse pra ela que tinha visto o que tinha acontecido com ela no dia anterior, e disse que falaria com os meus amigos a respeito. Ela ficou muito agradecida. Eu esperei a aula acabar e cumpri o que prometi, mas………
Não deu certo.
- Cê ficou maluco, cara? Olha bem pra essa garota
- Já viu as roupas dela?
- Alguma vez já viu os pais dela?
- Fiquei sabendo que ela foi recolhida na rua pela escola
- Não sei quem ela é, mas pra estar na rua deve ser filha abandonada de bandido
- Eu olhei pra ela e perguntei
- Quem é você?
Ela apertou os punhos e abaixou a cabeça. Mordeu os lábios inferiores com tanta força que deixou marcas. Após, evidentemente, pensar muito no que iria responder, sem levantar a cabeça, ela apenas me encarou com os olhos sofridos
- Me desculpa… Eu não posso responder. Eu não sei o que te dizer e não quero mentir pra ninguém.
Um dos garotos logo a caçoou
- Está vendo? Essa garota entra aqui aos trapos, sozinha, cheia de desculpas e não pode nem se explicar. Só pode ser filha de bandido!
- Tudo bem… - Ela logo retrucou - Eu não quero ser um problema pra vocês. Espero que um dia nós possamos nos dar bem.
Mesmo sendo tão maltratada e julgada, ela ainda conseguia ter aquele tipo de postura. Eu nem sabia exatamente o que sentir. Eu queria que os garotos a aprovassem, queria ser amigo dela e não queria que ela ficasse sozinha. Mas…. Mal sabia eu que seria muito bom se a história tivesse parado por ali
- Vai embora daqui, mendiga! Isso nunca vai acontecer
Um dos garotos do meu grupo a empurrou e, novamente, ela caiu no chão
- Para com isso, cara! O que ela te fez!?
Eu gritei logo, ficando à frente dela
- Cê quer mesmo brigar comigo, Allan? Pra proteger a sua princesinha mendiga?
Eu costumo ser um cara muito forte. Sério, eu sou mesmo! Todos me chamam de magrelo desajustado, mas, eu juro, eu consigo dar uma surra em qualquer um! Mas… Não daquela vez, eu fui fraco. Eu abaixei a minha cabeça e me afastei dela.
- Muito bem, Allan. Em respeito à sua obediência, eu não vou dar uma surra nela. Mas eu quero que fique claro que se ela se aproximar da gente com esse papinho de novo, ela vai sair daqui vestida de vermelho. E você… Vai acabar na mesma situação do que ela.
Me desculpa pessoal, eu tinha medo deles, eu tinha pais traumatizados, toda uma história de guerra nas minhas costas que eu não gostaria de passar também. Eu estava ali para estudar os humanos, não para salvá-los ou para ser machucado por eles, eu não queria interferir em nada, apenas observar. Porém, sendo bem sincero, acho que esse foi o meu maior erro.
Ela se levantou com a cabeça baixa e foi embora sem dizer nada, como fez da outra vez. Inclusive, da mesma forma. Abraçou o estômago e cobriu a boca, só que, dessa vez, ela também puxou a camisa para cima da cabeça. Ninguém entendeu, e aquilo foi apenas mais motivo de chacota, os garotos começaram a rir, tacando pedras nela, chamando ela de bruxa. E quem era eu ali naquele meio? Um observador ou um herói? Eu não tinha força para enfrentar todo aquele grupo, por que eu defenderia uma humana dos próprios humanos? Bom... Pensando bem… Acho que estava mais do que óbvio que, assim como eu, ela poderia também não ser humana.
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O Homem Anônimo - Capítulo 1
Escola, casa, escola: Durante minha infância, minha rotina sempre foi essa. De vez em quando eu ainda conseguia sair com alguns meninos, mas eles nunca gostaram muito de mim. Sabe como é, eu não me encaixo nos padrões. Aliás, eu nunca me senti muito bem no meio dos humanos. Sou um Cururod, o único na minha escola. Quer dizer… Não exatamente. Também tinha outro, que aliás, era meu vizinho e meu melhor amigo, mas eu não vou falar sobre ele agora.
Na escola, sempre disseram que eu era muito inteligente. Bom, já que eu não tinha muita coisa para fazer mesmo, acabei passando boa parte do meu tempo estudando, jogando videogame, lendo, pesquisando… Essas coisas. É até mesmo por isso que entendo um pouco sobre tudo. Eu, por ser um Cururod, também vivo muito mais tempo que um humano, então, consequentemente, demoro centenas de anos a mais para crescer e acabo tendo muito mais experiência e tempo de vida do que eles. Por isso, passei a vida toda descobrindo e estudando sobre tudo e sei muito mais coisa que muito profissional formado, mas o bom do conhecimento é que ele é infinito, então eu posso sempre aprender coisas novas. E qual lugar é melhor para acumular conhecimento do que no meio estudantil? Quando tive minha primeira turma na época da escola, todos eles se formaram no ensino médio e eu ainda tinha a aparência física de uma criança de 5 anos.
Como eu pude me manter esses anos todos sem ser descoberto? Bom… Eu sou um Cururod, e uma das minhas habilidades especiais é mudar de forma. Se eu não pudesse fazer isso, eu nem seria capaz de viver entre os humanos, afinal, minha aparência original é um homem forte e másculo de cabelo verde.
…
Tá, tá… Talvez eu não seja lá tão forte. Meus amigos atuais adoram berrar comigo falando que sou magrelo e fraco, mas eu realmente tenho cabelo verde. Verde e preto, ele tem uma divisão meio maluca. O centro da minha franja, partes laterais e mais baixas do cabelo são todas pretas, as partes mais superiores e resto da franja são verdes. Meus olhos também têm divisões de cores, mas é entre verde e azul. São metade verdes e metade azuis. Um carnaval, não é? Pois é… Por isso, eu sempre me transformava em vários fenótipos diferentes para cada turma que eu passava na escola. Eu era sempre “o aluno novo”. Eu me fazia alterações físicas conforme o tempo passava para parecer que estava crescendo, e quando a turma se formava, eu me formava junto, depois começava tudo de novo com uma nova aparência. Me formei no ensino médio várias vezes, e também no ensino superior em diversas áreas, mas as que eu mais gosto são as de tecnologia e engenharia.
Entre estes disfarces que eu mantive por um tempo, um deles se chamava Allan. Ele existiu durante a minha primeira turma na escola, era a primeira vez que eu frequentava o meio estudantil, e o Allan passou por alguns acontecimentos que me marcaram pra sempre.
Quando eu era muito novo, eu pedi pros meus pais para conhecer os humanos, porque eu queria ter novas experiências, conhecer o mundo e como as pessoas são. Secretamente, eu também queria encontrar outros garotos parecidos comigo, ou também outros garotos de outras espécies que não fossem a humana, pois eu sabia que eles viviam por ali, mas escondidos, assim como eu e minha família. Meus pais ficaram um pouco apreensivos, mas entenderam o meu desejo, afinal, eles já tinham passado por tudo isso e tiveram um destino terrível, mas tinham esperança que meu futuro fosse diferente, fosse bom, e eu também tinha direito de conhecer o mundo lá fora como eles conheceram. Por isso, eles mudaram sua forma e foram me matricular na escola mais próxima de onde morávamos, que, inclusive, era bem longe da cidade. Estudei como Allan por um bom tempo. Logo que eu entrei na escola, eu fiz logo amizade com um grupo de humanos. Eles me achavam estranho, não à toa, eu era realmente diferente de todos, mas, ao menos com aquelas crianças que eu fiz amizade, ser diferente não era ruim. Bom, foi o que eu pensei, até chegar na quarta série e conhecer aquela garota.
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O Homem Anônimo - Capítulo 3
Covarde como sou, novamente, não fiz nada. Eu não pude fazer nada, eu não queria fazer nada, mas também não queria que ela ficasse sozinha.
Quem era aquela garota?
Realmente, por que ela usava aquelas roupas? Por que ela aguentava aquilo tudo calada? Por que ela estava ali?
Eu passei a me encontrar com ela escondido. Aquela situação era simplesmente ridícula, mas eu tinha medo do que poderia acontecer comigo se fosse visto com ela pelas outras crianças. Ela era sempre muito maltratada, jogavam pedras nela de longe, um menino chegou a aparecer com um fósforo na escola, ameaçando queimá-la, mas foi suspenso. Isso aconteceu pela segurança dela? Pff…… Claro que não, foi em segurança da escola, mesmo. Ficamos uma semana inteira assistindo palestras sobre responsabilidade com o patrimônio alheio e riscos de incêndios.
Quem era ela?
Por que ela estava ali?
Por que aguentava tudo calada?
Ela não me respondia, eu não conseguia destrinchar.
Ela tinha um cheiro diferente, eu podia sentir algo a mais nela.
Não é possível, ela não podia ser humana.
Toda vez que ela apanhava ou era humilhada, ela escondia a boca e abraçava o estômago. Quando era mais sério, ela dava um jeito de esconder a cabeça. Os humanos fazem isso? Não… Não fazem. Não era só ela que sofria bullying ali, mas era só ela que reagia daquela forma.
Não tinha por que isso acontecer, realmente não tinha, eu não conseguia entender. Ela não fazia mal pra ninguém, estava tentando sempre uma amizade, sempre querendo se encaixar, mas não adiantava, eles eram sempre muito cruéis.
Um dia, aconteceu. Independente das minhas tentativas de não interferir na vida humana, de não me tornar um alvo, uma coisa horrível aconteceu.
Um mês se passou nos nossos encontros secretos. Eu conseguia enxergar que era a única válvula de escape daquela garota. Nós brincávamos, conversávamos sobre a vida (de forma limitada) e sempre que podia, ela me abraçava, me dizendo o quão maravilhoso eu era pra ela, que eu era o homem de sua vida e que quando ela crescesse, iria se casar comigo
…
Ok, não era exatamente isso que ela falava, não. Mas ela dizia coisas que me deixavam feliz, mas também triste ao mesmo tempo, porque eu não era capaz de protegê-la ou de me encontrar com ela em qualquer momento. Conforme os dias foram se passando com ela naquela situação, eu conseguia enxergar uma aura triste cada vez mais forte pesando sobre o corpo dela. Ela ficava mais calada, mais irritada.
Muito irritada.
Ela começou a responder os garotos, decidiu que não iria mais levar desaforo pra casa. No início, respondia com piadas. Ela rebatia as provocações de igual pra igual e eles ficavam em uma longa discussão. Geralmente, era sempre ela que tinha os melhores deboches. Os garotos praticamente sempre perdiam as discussões. Como não aceitavam perder pra uma garota e ficavam sem resposta, passavam para a agressão física. A partir disso, as agressões eram cada vez mais frequentes, mas àquela altura ela também não apanhava mais calada. Ela desviava, mas não revidava. Ela era muito boa nisso, aliás. Fazia aquilo rindo da cara deles. Isso tudo acontecia com bastante frequência, era praticamente todos os dias, para ser sincero. Ela estava ficando cada vez mais desgastada psicologicamente, mais triste, e eu não sabia o que dizer pra ela. E, um dia...
Fomos vistos juntos.
- Ô esquisito, tá namorando!?
Um garoto nos viu de longe, já se aproximando da gente
- Tá fazendo o quê com esse saco de bosta fedido aí?
Ele disse, apontando pra ela. Eu apavorei e demorei um pouco pra responder
- Ela é legal comigo, cara… Eu não tenho porq-
- ELA!? Há, nós é que fomos legais com você, e você ainda tem a cara de pau de nos traír.
- Vocês não têm por que fazer isso com ela!
- Você é que não tem por que fazer isso com ela. Apesar das suas esquisitices, a gente nunca te tratou mal. Mas deveria, sabia? A gente te mantém perto porque é legal falar de você pelas costas, é o nosso bobo da corte. Muito engraçadinho
- Vocês são uns arrogantes violentos! Ela não fez nada pra vocês, assim como eu também não fiz
- Agora acabou de fazer, idiota
Ele me empurrou no chão e deu um tapa muito bem dado na minha cara. Nessa hora, ela correu e deu um chute na cara dele, tirando ele de cima de mim. Quer dizer… Ela não estava mais somente desviando, ela atacou!
- Oi bonitão, saco de bosta fedido se apresentando. Sai de perto do esquisito.
Ele parecia tão assustado quanto eu, porque ninguém imaginava que ela pularia na minha frente pra me defender. Ele limpou o rosto, que ficou sujo de terra do tênis dela, e logo me esqueceu, andando em direção a ela
- Vai fazer o quê? - Ele perguntou
- Você vai querer saber?
- Acabei de perguntar.
- Vem descobrir, então
Os dois lutaram de forma muito agressiva, eu vi ela fazendo coisas que não imaginei que veria uma garota humana fazendo. Ela conseguiu desviar de todos os socos e chutes dele. Até que ele desistiu, ele sabia que o ponto fraco dela era eu, então ele correu na minha direção pronto para me dar um murro, ela agarrou ele pelo braço, girou e jogou longe. De onde ela tirou tanta força??? Ele caiu e ralou o rosto no chão. Quando ele se levantou, eu pude ver marcas roxas de mãos nos braços dele, ela não só apertou com uma força muito absurda como, quando girou ele, torceu a pele do braço dele com os dois braços como se fosse um pano sujo antes de jogá-lo. Ele estava apavorado, mas, ainda assim, resolveu enfrentá-la
- QUE PORRA É ESSA, QUEM É VOCÊ???
- Você vai querer saber?
Ela disse aquilo com um sorriso muito sádico, um olhar prepotente. Seu peito estava estufado, ela estava com ambas as mãos abertas, uma de cada lado de seu corpo com os dedos dobrados e espaçados. Sua respiração estava intensa, eu conseguia ouvir de longe. Ele não respondeu, virou e correu. Quando estava longe, pudemos ouvir ele gritar novamente
- VOCÊ VAI VER UMA COISA, VADIA
Não demorou muito, após ele sumir da nossa visão, ela despencou. Toda a sua pose durona fluiu e se tornou um choro intenso. Ela ajoelhou no chão, eu corri, sentei ao seu lado e a abracei
- Me desculpa, eu sou um covarde
- Não, você não tem culpa - Ela disse, me abraçando - Eu sou muito perigosa, deveria ir embora.
- Mas pra onde você iria? Me diz quem é você
- Me desculpa, Allan. Eu não posso
- VOCÊ PODE, SIM!
Dessa vez, quem empurrou ela fui eu. Ela me encarou, assustada
- Me desculpa! Eu sei que eu sou fraco, medroso e não posso te proteger. Você que era o alvo sempre, o saco de pancada de todo mundo dessa escola, e não bastando isso, eu vi você interpretando um papel pra me proteger, eu sei que aquela não era você! Não era você! Eu não sou capaz de te proteger, mas eu espero que você ainda possa confiar em mim pra te fazer companhia e ser seu amigo!
Ela ficou séria, um tempo em silêncio e desviou o seu olhar. Com uma voz muito baixa, ela disse
- Não, eu sou um monstro. Não sou como vocês.
- Eu não acabei de falar que sei que aquela não é você!?
- Está certo, não sou eu. Eu sou muito pior
- Eu não acredito em você!
Foi aí que ela agarrou meu braço, com força, muita força. Ela apertou e virou para mim, me mostrando os dentes. Eram afiados… Quer dizer, eles não eram afiados. Eles começaram a ficar, do nada! Suas pupilas afinaram e seus olhos amarelaram, suas unhas cresceram, e ela começou a fazer um rosnado, um rosnado feio... grosso.
- Pode acreditar agora.
Eu fiquei estático, meus olhos se arregalaram de uma forma que eu juro que nem sabia que era capaz de arregalar, chegaram até a doer e ressecar. Logo ela me soltou, se levantou, e quando pisquei, tudo aquilo já tinha desaparecido. Eu tinha certeza agora, ela certamente não era humana. Ela se virou de costas para mim e começou a andar
- Preciso ir.
- ESPERA!
Eu logo me levantei
- Eu não tenho medo de você.
- E quer ter?
- Eu sei que não vou precisar. Olha pra mim.
Ela se virou, e quando bateu o olho em mim, eu mudei minha forma. Estava no formato de um filhote de gatinho.
Novamente, eu vi ela mudar repentinamente as suas expressões. Ela ficou me observando, com os olhos tão arregalados quanto os que eu havia feito antes
- Você…….!!??
- Miau!
Me esfreguei nas pernas dela, e ela me pegou no colo, acariciando minha cabeça
- Eu tô ficando maluca???
- Miau!
Para confirmar que ela não estava, eu mudei de forma novamente, esticando o corpo, me tornando um gato bípede. Meus olhos se fundiram, tornando-se um só, fazendo de mim um gato ciclope humanoide. Parei de miar e comecei a falar normalmente
- Não está, não. - Pisquei meu olho “ciclóptico” pra ela - ………...Se eu tivesse dois olhos, essa piscadinha seria mais sexy.
Ela gargalhou alto com aquela cena e logo me abraçou. Aquele foi, certamente, o alívio que nós dois precisávamos, pois...
Nos encontramos
Sabíamos que não éramos os únicos, havia mais “monstros” como nós escondidos por aí, e, finalmente, estávamos tentando nos encontrar nesse mundo.
Foi a partir daí que eu decidi que nunca terminaria a minha busca, e estaria sempre ali pra ela.
Embora tudo parecesse perfeito naquele momento e estivéssemos muito felizes, como eu disse antes, uma coisa horrível aconteceu. Aquele garoto que ela derrubou voltou com um grupo. Eu ainda estava em seus braços com aquela forma esquisita de gato humanóide ciclope, e os garotos me viram.
- O QUE É ISSO NA SUA MÃO??
- NADA!
Ela me pressionou forte em seu corpo, tentando me esconder com seus braços. Ela sabia que eu não poderia mudar de forma ali, e também sabia que eu estava em perigo. Se tem uma coisa que esse tempo todo de convivência me fez aprender sobre os humanos, é que eles não aturam e nem aceitam coisas diferentes, principalmente pré-adolescentes.
- EU VI VOCÊ SEGURANDO UM MONSTRO, DEIXA A GENTE VER
- MANO, ME DEIXA EM PAZ!
Eram muitos, eles foram se espalhando e ela não conseguia focar em todos eles. Um deles conseguiu chegar por trás dela e agarrá-la
- SOLTA ISSO!
- NÃO!
O garoto que estava gritando com ela chutou sua barriga, e me chutou também. Eu caí no chão, zonzo com o chute, quase desacordado, mas ela não parou de lutar. Ficava berrando para que não mexessem comigo. O garoto que gritou com ela se aproximou e se agachou, para me observar de perto
- Que porra é essa, cara…? Cada vez que a gente descobre uma coisa nova de você, é alguma coisa bizarra.
Ele olhou para ela sem se levantar, e com um sorriso muito nojento nos lábios, falou em tom irônico
- Então, tu é mesmo um monstro.
Ele se levantou, chegou perto de um canteiro de árvores e pegou um pedaço de pau. Se aproximou de mim, agora me observando sem se abaixar
- Desculpa, garota. Mas não posso te deixar dar cria. Hoje morre um pequeno monstrinho.
- NÃO!
Ele me deu uma paulada tão forte na barriga que me fez um corte. O sangue começou a escorrer e manchar todo o resto do meu corpo. Antes que eu pudesse voltar a mim, todos eles já estavam em volta, procurando pedaços de pau, pedras, qualquer objeto que tivesse no caminho. Eles pretendiam me matar.
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