“I’m right here. And I’m not going anywhere.” Kikos
Um de seus braços estava enrolado do nele, o usando de apoio muito mais do que deveria, mas sentia que se ele a soltasse, iria desabar. Tinha a atenção fixa no chão apesar de não realmente estar acompanhando o que viam seus olhos, estava ocupada demais com a dor latente e cruel dentro de seu peito, que parecia aumentar a cada passo, assim como o peso em seus ombros. Com a mão livre segurava a barra do longo e decorado vestido, passando pelos corredores e se sentindo um verdadeiro fantasma andando na própria casa. O toque dele era a única coisa real, a única coisa que a mantinha firme para não se despedaçar e jamais se juntar de novo. Sabia que estava cumprindo seu dever, agradando aos deuses, mas só queria correr. Correr para longe e o mais rápido possível sem jamais olhar para trás. Sua vida não importa, a mente ecoou numa lembrança que a fez estremecer. Não tinha forças para nem mesmo tentar parecer feliz com aquilo por enquanto ou para pronunciar qualquer palavra, sendo assim, a última coisa que estava esperando era que fosse Kikos a puxar um assunto. Era quase cômico ouvir aquelas palavras dentre as tantas que já desejara ouvir dele, mas havia perdido a esperança há bons tempos. Não conseguiu controlar a surpresa em ouvir aquilo, com os olhos arregalados e acesos na direção do rosto dele. Ah, Kikos... Se lamentou, querendo desesperadamente tocá-lo, mas sabia bem que ele só estava sendo agradável. Só estava fazendo seu trabalho. A dor apertou mais ao repetir aquilo para si, não podia exigir algo que ele não sentia. Pararam em frente às portas duplas para os jardins e Nesrin sabia o que havia além delas. Um tapete enorme formado por pétalas de flores variadas, fileiras e mais fileiras de cadeiras e convidados. Mais à frente, estaria Julian, com um sorriso lindo e brilhante no rosto ainda que ela soubesse que o coração dele pesava tanto quanto o dela. Fitou a madeira por momentos longos demais, num silêncio gritante e desconfortável. Me peça para ficar, implorou, gritou, mas ele não poderia ouvir. Por favor, me peça para ficar e eu juro que não vou hesitar em largar tudo isso por você. Mas ele não disse. Claro que não disse. Por favor, repetiu, ficando frente a frente com ele. As lágrimas despejaram por seus olhos e ela se permitiu ao menos uma maldita vez olhar para ele. Realmente olhar para ele, com tudo o que reprimia dentro do peito e que agora selaria o contrato que não a deixaria jamais falar sobre aquilo. Queria sorrir, queria dizer que ficaria bem, mas não conseguiu. Mentir para ele exigia mais do que para qualquer outra pessoa. Ouviu uma música suave do outro lado da porta e baixou as mãos, seguiria sozinha por aquele caminho e era melhor assim. Precisava libertá-lo. “Adeus, Kikos.”
As portas se abriram e suas lágrimas caíram ainda mais, em verdadeiras cascatas enquanto todos os feéricos a encaravam com pura expectativa. A princesa estava chorando? Ah, mas que romântico, diziam eles. O sorriso dela estava aberto apesar de não ter a atuação precisa de sempre, pois seu queixo tremia sem parar e seu peito estava em chamas. Todos riam, aplaudiam e comemoravam o quanto sua amada e querida princesa estava emocionada e feliz com o casamento. Julian a encontrou com passos pesados no meio do caminho, afundando o rosto de Nesrin em seu ombro enquanto ela caía de joelhos. Ele a segurou com firmeza e a manteve de pé. Sentiu que estava tremendo também. “Sinto muito.” Ele disse baixinho em seu ouvido enquanto a música e os aplausos aumentavam. “Sinto muito, Ness.”











