Há dias nos quais não conseguimos controlar a saudade. E a gente desaba… desaba na cama, no chão, nos braços da solidão. E a gente chora, se joga no colchão. Afunda a cabeça com força em meios aos travesseiros na tentativa falha de fazer a dor passar.
Você já amou alguém tanto, tanto, mas tanto que chegou a doer?
Faz dois dias desde que comecei a escrever essas linhas.. me faltaram palavras e o jeito certo para externá-las. Bom agora fazem três dias.
Quando peguei o computador e comecei a digitar as primeiras palavras, uma saudade gigantesca me tomava e eu pensei em uma maneira de fazer ela diminuir.
Tentei o de sempre quando a noite chegou.. Vi suas fotos, ouvi nossas canções, li seus textos endereçados a mim, abracei o Tigrão e chorei sentindo uma dor agoniante: falta de ar misturada com a falta de você.
De repente uma coragem e vontade de te ouvir me encheu os poros, pulmões, coração.. Sem pensar demais para não desistir, disquei seu número e então apaguei rápido. Senti medo. Medo de como seria sua reação. Medo do que ouviria. Do que poderia ser dito. Medo de não me atender. Então me escondi atrás do “número privado”, não queria sentir a dor de ter a certeza que sou um ser desprezível para você. Alguns toques e logo depois o seu tão conhecido “Oi?” ao atender uma ligação.
Fiquei pensando em como todo mundo atende dizendo “Alô?”, mas tu não, é diferente até na forma de atender o telefone. Ou será coisa da minha cabeça porque te amo?
Mas enfim, aonde estávamos? Ah sim, você atendeu e quando te ouvi dizer o tão esperado “Oi?”, desliguei. Tremia inteira com medo de sua reação se descobrisse que eu era o ser por trás do número oculto. Voltei ao ritual do choro abafado. E então adormeci quando já não tinha forças.
No dia seguinte acordei e aparentemente a saudade absurda de ti tinha ido embora na noite anterior, junto às lágrimas.
Mas, só aparentemente... no fundinho do core eu sabia e sentia ela apertando, sufocando. Continuei fingindo estar bem, livre de ti.
Contudo, a noite mais uma vez chegou e ela foi me tomando novamente. Fui sendo sugada para o miolo do furacão que é ainda amar você. Sofri dois longos dias até numa outra madrugada ser encorajada por uma amiga a te ligar e dessa vez mostrando-me inteira, sem "número privado" me escondendo.
E ela tinha razão! Se eu queria tanto saber se ainda me desprezava, precisava, antes de qualquer coisa, te fazer ou te deixar saber que eu estaria ligando.
Depois de muita aflição, medo e tremedeira, disquei seu número outra vez.
Para minha surpresa você atendeu e fiquei ainda mais pasma quando, sem dizer claramente, me deixou descobrir que desde o princípio você sabia que era eu.
Depois dos cumprimentos e palavras ditas de modo atrapalhado, me faltou assunto. Não imaginava que tu iria atender. Eu até havia ensaiado um diálogo entre nós. Tinha as falas prontas e tudo mais. Mas é claro que não adiantou. Me deu um branco com todo o nervosismo.
Tantas coisas queria e precisava dizer, mas não conseguia.
Temia você querer desligar.
Temia você me desprezar, me odiar.
Meu coração parecia uma bateria de carnaval e o suor frio descia em minha nuca e estava presente em minhas mãos.
Desejei conseguir dizer o quanto te amo, o quanto ainda quero você.
Desejei dizer que os nossos planos e sonhos ainda estão vivos em mim, aqui.
Vivi uma batalha interna gigantesca, na qual de um lado estava a minha vontade de fazer aquela pergunta e do outro o medo da resposta.
Optei por não perguntar.
No fim, depois de me desculpar e conversar coisas bobas das quais senti tanta falta de falar contigo, desliguei.
E a tristeza pós você foi foda.
Me senti burra, idiota. Como é que eu liguei justamente porque queria te lembrar e te falar o quanto te amo, e no fim, não disse nada? Trouxa.
Liguei de novo e só pedi pra que me ouvisse, foi sincero o pedido, não queria te ouvir dizer de volta, só precisava te falar.
Então, eu disse.. E não foi nem metade do que eu pensei em dizer.
Desliguei.
Chorei, afundei na cama, porém, dessa vez tinha uma curva nos lábios sendo banhada com a água salgadinha dos olhos.
6 meses de saudade.
6 meses sem ouvir você.
6 meses te buscando em todos os lugares.
6 meses mais outros 6 e outros 6 e outros 6...
No outro dia lembrei que esqueci de perguntar: daqui 6 meses eu posso te ligar?