Lidando Com Críticas
*obs: o texto a seguir ficou um pouco grande e está cheio de gifs.
Sendo escritores, nós dedicamos muito tempo das nossas vidas ao trabalho de criar nossas histórias, os personagens, o universo que tanto amamos e defendemos e tudo mais acerca dos nossos livros. Depois de tanto trabalho, nós esperamos por um feedback positivo, por aquele leitor que vai amar nossa criação, aquele comentário que te faz sorrir de orelha a orelha. Porém, nem tudo são flores; é impossível agradar todo mundo, sempre haverá alguém que não lhe dará um bom retorno e isso nos tira a motivação, o que é compreensível. Mas aquele comentário não dirá tudo sobre a sua história, talvez a pessoa nem goste daquele gênero, ou ela quis apenas tentar ajudar. É aqui que entra o modo de como lidar com esses comentários.
É praticamente impossível fugir das críticas. No momento em que você decide mostrar seu trabalho para alguém, seja um amigo ou então resolver postar na internet, você irá se deparar com elas. Todos nós estamos sujeitos a encontrar os críticos — não só na escrita, mas em qualquer coisa que façamos na vida — e precisamos aprender a lidar e conviver com eles.
Cada pessoa é diferente da outra, cada uma delas possui opiniões diferentes e elas estão no seu direito de expressá-las.
Além disso, mesmo que você nunca mostre seu trabalho e o deixe trancado na gaveta, nada impede que você não critique a si mesmo. Estamos sempre fazendo isso, mesmo que inconscientemente. Nós somos os primeiros a fazer uma avaliação do nosso próprio trabalho, julgando com nossos critérios se ele está bom ou ruim, se devemos revelá-lo, seguir adiante ou não. Isso já consiste em uma avaliação.
Não há como fugir.
Você provavelmente já ouviu falar que existem dois tipos de crítica, a construtiva e a destrutiva. E é importante saber diferenciá-las.
Crítica construtiva: essa tem o objetivo de ajudar o escritor, apontando aspectos na história que podem ser melhorados, dando dicas de como o autor pode evoluir de forma positiva.
Crítica destrutiva: essa já é o contrário da construtiva. Ao invés de ajudar, ela muitas vezes vem na forma de uma ofensa, denegrindo o trabalho e o próprio autor. A pessoa que a faz não visa ajudar o escritor.
Embora elas divirjam entre si, às vezes não é fácil conseguir identificá-las e saber em qual delas a avaliação que você recebeu se encaixa. Muitas pessoas esperam receber uma crítica construtiva na forma de elogio, quando, na verdade, ela não possui esse papel. Esse tipo de crítica irá analisar a sua obra e apontar o que necessita ser melhorado, o que está bom e o que está ruim. O objetivo é fazer o escritor progredir e amadurecer. A crítica construtiva não serve para amaciar seu ego, então entenda que ela muitas vezes não terá só coisas boas sobre a sua história; nesse ponto ela tende a ser confundida com a crítica negativa.
Já deu para perceber que existe uma linha fina separando os dois tipos de análises, até porque existem outros critérios que podem ser levados em conta na hora de distingui-los. Às vezes o tom usado pelo avaliador pode fazer pensar que ele esteja debochando do seu trabalho ou mesmo o denegrindo quando aquela seja apenas a sua maneira de se expressar. O modo de como a avaliação é entregue, de quais palavras são usadas e a maneira que o então crítico se comporta deve ser levado em conta; não só dele como o do autor também. Tudo isso influência no jeito em que iremos lidar com aquela situação. Porém, temos que lembrar da existência de interpretações diferentes, nem tudo é como achamos ser, algumas vezes podemos achar que tal pessoa foi grossa quando ela pode apenas estar falando normalmente.
Ou talvez eu esteja apenas complicando um pouco o assunto, mas é isso que acontece em muitas situações. As nossas interpretações podem estar tão certas como erradas. Algumas críticas destrutivas podem surgir disfarçadas, com sutileza, para que o escritor sequer perceba o que está acontecendo. É importante identificar as circunstâncias, conhecer o avaliador torna mais fácil o convívio e a maneira de reagir.
E é aqui que entra a busca pelo crítico certo para você. Gosto de pensar que essa parte é como encontrar um amigo num ambiente novo, você pode conhecer alguns ou não, mas normalmente fazemos amizade com quem sentimos/criamos uma maior afinidade. Encontre aquele crítico que faça você se sentir à vontade, em quem você tenha confiança; mas não basta apenas isso, é bom que esse alguém saiba o que está fazendo.
Sei que muitos gostam de escolher seus amigos para fazerem isso, e não é que eu ache algo ruim, pelo contrário, é sempre bom saber a opinião de pessoas que gostamos. Contudo, nossos amigos podem ter receio de falar o que acham de verdade e acabar nos chateando de alguma forma, então esse algo bom se torna algo não tão legal assim.
Nesses casos — ou em qualquer outro, você quem escolhe — recomendo ter mais de um avaliador, desse modo você aprende a filtrar o que precisa levar em conta.
Antes de ler alguma avaliação, você precisa entender que ninguém é um sabe-tudo, ninguém é perfeito, a sua escrita não é a melhor do mundo (e nem por isso ela será a pior), você ou a outra pessoa não são superiores a ninguém, não são melhores que ninguém, a outra pessoa tem o total direito de não gostar da sua obra. Sei que é difícil ler algo que não gostamos, mas precisamos aprender a encarar esse desafios porque eles não são exclusivos só na escrita, eles acontecem com todo mundo ao longo da vida. São dificuldades, obstáculos que necessitam ser superados. Portanto, seja humilde.
Lembre-se de que, mesmo que você tenha recebido alguma ofensa, a pessoa do outro lado é tão humana quanto você. Não cometa o mesmo erro que ela respondendo com uma ofensa de volta, nada de lavar lama com lama, mostre ser superior: ignore. É melhor ficar em silêncio do que começar uma briga que só vai causar dor de cabeça para ambos os lados errados (sim, porque um só quis perturbar e o outro não demostrou maturidade diante de uma dificuldade).
O comentário ruim é apenas uma pedra no caminho, você quem decide se vai chutá-la na rua e acabar acertando alguém ( e se machucando no processo), ou se vai guardá-la junto a outras para construir um lugar firme para viver.
É importante compreender que nem toda crítica é muito boa ou muito ruim. Você pode receber uma avaliação elogiando o seu trabalho, mas não é só de comentários bons que se vive um escritor, preste atenção se há alguma dica ali, algo que faça você refletir e tentar melhorar seu trabalho. Saber que outras pessoas estão gostando do que você está fazendo é maravilhoso, mas quando ela não acrescenta em nada ela não contribui tanto para o crescimento da sua obra. Sem contar que aumenta o ego do autor, o que pode ser tão bom quanto desastroso; evite se apegar a elogios, assim, quando receber um comentário negativo, o baque da realidade não será tão grande.
Do mesmo modo, nem toda crítica negativa é ruim. Leia atentamente e filtre o que ele diz, às vezes as pessoas acabam apontando furos na história que nós, por estarmos tão fundo naquele universo, acabamos não percebendo estar ali.
Precisamos saber ouvir o que os outros dizem, pegar para si o que pode ajudar e descartar aquilo que machuca ou não contribui em nada.
Ou você pode optar por ignorar tudo, afinal, ninguém é obrigado. Você pode receber uma crítica (independe de ser uma boa ou ruim) e simplesmente não ligar para nada que foi comentado. A história é sua, faça o que quiser com ela.
É aqui também que entra a autoestima literária. Você gosta de escrever, gosta dos seus personagens, do enredo do seu livro, da sua escrita; você pode até saber que não está perfeito, mas nada ali está te incomodando. Por que a opinião de outra pessoa irá importar? Você apreciar a sua obra já é uma coisa incrível, afinal, foram meses/anos se dedicando àquilo e você está satisfeito consigo mesmo, com a sua conquista. Você não precisa da aprovação de ninguém além da sua, a opinião de outras pessoas não estão te interessando no momento, e não há nada de errado nisso.
Se por acaso você procurar por um crítico, evite desmerecer o serviço dele. É preciso levar em conta o trabalho que esse avaliador teve para fazer a crítica da sua obra, do tempo que ele gastou para se dedicar à ela. Você acha justo não dar valor para o trabalho dele? Não estou dizendo que você deva seguir o que foi dito como regra, longe disso, mas que no mínimo reflita sobre o que foi falado. Assim como você demorou para criar a sua obra, ele teve o esforço para tentar ajudá-lo a se aperfeiçoar. Se você foi atrás de uma crítica, o lógico é que você leve a opinião da outra pessoa em conta, ou não teria sentido ir atrás de um avaliador.
Eu acho que as pessoas estão vivendo muito na defensiva, não é nada fácil você receber uma crítica da sua obra, contudo, isso não significa que estão atacando você e que você deva atacar de volta. Algumas pessoas levam o assunto com um extremismo desnecessário, se importam demais com a opinião alheia, ficam ofendidos rapidamente por coisas pequenas. Tentem não levar tudo a sério, encarem a vida com mais leveza.
De acordo com o dicionário, a crítica é atividade de examinar e avaliar minuciosamente uma produção artística, literária ou científica. Ela está ali para ajudar as pessoas a crescerem e a amadurecerem, não apenas elas como o seu trabalho.
Se sua história tiver um furo enorme que você não consegue ver, não gostaria que alguém avisasse para que você possa consertar e deixar sua obra ainda melhor? Essa é a função da crítica.
Escritores iniciantes são os que mais têm receio em relação a suas obras, afinal, estamos começando, não somos profissionais e muitas vezes mal sabemos o que estamos fazendo realmente. Sei que muitos ficam sentidos quando não recebem um elogio sobre sua história, tenha em mente que você é um escritor iniciante, que irá cometer erros e que não agradará todo mundo. Se isso acontece com escritores renomados e bem sucedidos, por que não aconteceria com você?
Com as plataformas de escrita, onde você pode postar sua história online e leitores podem comentar assim que leem, criou-se uma onda de imediatismo. As pessoas querem tudo mais rápido, só que a escrita leva tempo, é demorado, é difícil e trabalhoso. Você não se tornará um bom escritor de uma hora para outra, e comentários acerca da sua história (os ruinzinhos inclusos aqui) podem ajudar você a progredir como escritor.
No final, você aprende a lidar com os comentários, desenvolve uma autoestima literária e cria uma barreira para aquelas mensagens mais ofensivas. Tudo isso se aprende com o tempo, com a experiência e maturidade. E aquelas pedrinhas no meio do caminho podem te ajudar a construir um mundo inteiro bem firme.
Matéria por: Myrla
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Os gifs foram usados meramente para ilustração.















