Tão Tarde.
Sua voz bateu como um sussuro tão fraco, enquanto me dizia para ir embora, me disse tantas vezes de que eu deveria sumir. Até mesmo quando me dissera que a música que tocava na radio aquela noite, lembrava de quem eu era, por causa da profundidade que a melodia enchia seu peito, como se fosse um oceano. Mas eu sempre tive medo das águas turbulentas, que me afogam somente pela lembrança de estar perdida em alto-mar. Olhei centenas de vezes aqueles olhos castanhos e de forma triste, olhava para ele, meu olhar refletindo em uma tristeza sem fim e ele era capaz de dizer em seu silencio, que parecia já nao haver mais felicidade preenchendo o meu peito, como se de alguma forma, soubesse que aquele era o meu fim. Suas palavras ainda ressoam em minha mente, com os dizeres de que o amor era uma lança de dois gumes, capaz de sempre machucar mas tambem se alto infligir dor, apenas com um olhar. Sempre que me olha dessa forma acabas por me machucar, ele dizia com sua voz cansada. E eu, incapaz de dizer algo apenas insinuei que o amor nao deveria ser comparado com uma lança, mas talvez uma rodovia, onde se é possivel ir e vir, dar e receber mesmo que nao seja necessario pedir algo em troca. Mas creio que talvez fosse tarde demais para me expressar. Ele já tinha ido embora à muito tempo, deixando comigo um cordão, um coração machucado e lembranças do que poderíamos ter sido em alguma primavera.













