RELACIONAMENTO E ÁNALISE DA LITERATURA E DOS QUADRINHOS: MAURÍCIO DE SOUZA
Heitor Ramos Santos
Juliana de Matos Romito
Lucas Matheus Parras Luque Vogt Montes
INTRODUÇÃO
O objetivo deste trabalho é analisar e relacionar os dois corpus de estudo, ou seja, literatura e quadrinhos. Os corpus escolhidos foram um gibi da turma da Mônica e o primeiro manga da turma da Mônica jovem, ambos do autor Maurício de Souza. Seu primeiro estilo de gibi é aclamado na literatura brasileira e considerado um dos meios mais importantes de educação da literatura infantil, pois foi uma das primeiras ferramentas a aproximar a criança e o jovem da leitura. Para a turma da Mónica jovem ele além de adaptar os personagens, trazendo mais suas histórias próximas dos jovens, ele também adaptou seus traços se aproximando mais de um estilo estrangeiro que vem crescendo e se tornando comum, o manga. Maurício percebeu que a sociedade estava se modificando, ou seja, ficando mais maduro e moderno decidindo atualizar suas histórias para um contexto histórico social para que pudesse se enquadrar com as crianças e jovens do século XXI, muito mais próximas da vida adulta do que os jovens e crianças na qual suas antigas histórias abrejeiram. As bases teóricas utilizadas e debatidas em Letras interdisciplinar foram as teorias de Antônio Candido, Ezra Pound e Bauman onde aborda assuntos de literatura como sistema, tipos e meio de comunicação utilizado pelo autos escolhido, características, entre outros.
LITERATURA COMO SISTEMA – ANTÔNIO CANDIDO
Sob a perspectiva de Antônio de Candido a respeito das definições de literatura e manifestação literária, definições essas que se entrelaçam em muitos momentos, observamos que ambos os corpus de estudo dessa analise, a 1º edição do gibi de “A turma da Mônica” e a 1º edição da nova versão de “A turma da Mônica jovem”, edição essa apresentada em estilo manga, possuem algumas peculiaridades. Em a Formação da Literatura Brasileira, Antônio de Candido propõe que para um corpus se tornar literatura ele precisa de um produtor mais ou menos consciente, um público alvo e um meio de transmissão. Em “Mônica e sua turma”, a primeira edição do que viria a se tornar a hoje “Turma da Mônica”, Mauricio de Souza é um produtor consciente, que já contava com produções para a Folha de São Paulo e muitos de seus personagens já haviam sido criados. Os gibis já possuíam um público alvo, pois as histórias de alguns personagens já eram lidas nas tirinhas em jornais, esse público alvo, o infantil, foi expandido quando as histórias passaram a ser vendidas em pequenos gibis. O produtor das séries de histórias já possuía um meio de transmissão, as tirinhas em jornais, mas as historias se tornaram mecanizadas e receberam um titulo apenas quando partiram para as revistas em gibi, meio de transmissão escolhido pelo produtor, passando a competir com as histórias em quadrinhos estrangeiras, como pato Donald e outras. Em “A turma da Mônica Jovem”, o produtor continua consciente, e continua a história de seus personagens já na fase adolescente. Seu público alvo, agora também adolescentes, foi modificado, pois 30 anos depois as crianças ficaram mais maduras e próximas da fase adulta, tornando necessária a adaptação das histórias, que agora também contam com vilões e aventuras. O meio de transmissão foi a principal alteração da produção de Mauricio de Souza, que adota o estilo mangá, que fique a ressalva da adaptação do estilo manga, pois Mauricio de Souza omite alguns dos estilos tradicionais e inclui algumas características pessoais a nova produção. A adaptação a um novo estilo de revista deve-se ao fato da grande aceitação de produções orientais no Brasil, os mangas foram difundidos entre os jovens, e Mauricio de Souza sentiu a necessidade de modificar seu estilo para se aproximar do público atual.
O QUE É LITERATURA? – EZRA POUND
De acordo com analises e estudos feitos baseados nos conceitos do Ezra Pound, no primeiro momento de Maurício notamos que ele apresentava o seu lado inventor, onde ele cria suas próprias história, realiza traços diferentes e histórias diferente, jamais vistas. Com isso, seu ramo de produção cresceu, suas listas de personagens se abrejeiram não sendo autor apenas da Turma da Monica, mas de uma turminha completa apresentando, fantasminhas, vampiros, anjo, caipira e entre outros. Já em seu segundo momento, o mangá, o autor resolveu acompanhar crianças que se tornavam jovens e já não tinham mais interesse de ler seus quadrinhos infantis, trabalhou para realizar uma coisa nova lembrando e dando continuidade a toda sua carreira, suas histórias e seu trabalho apresentando há anos. Sendo assim Maurício criou a Turma da Mônica Jovem, e se tornou mestre em suas habilidades, aperfeiçoando traços nos desenhos, histórias mais reais, mais maduras acompanhando todo o seu público e o contexto sócio histórico da sociedade.
EDUCAÇÃO SOB E APESAR DA PÓS-MODERNIDADE - BAUMAN
Mauricio de Sousa, inspirado pelas peculiaridades de cada um de seus filhos e da forma singular que cada um via o mundo, criou em 1959 “A turma da Mônica”, História em Quadrinhos sobre o cotidiano de Mônica (personagem inspirada em Monica Spada e Sousa) interagindo com seus amigos. A revista em quadrinhos foi um marco, uma revolução na forma de ver e apresentar o quadrinho, pois, sempre de forma contemporânea e com uma ótica lúdica; inicialmente infantil, traços grossos, cores fortes e temas cotidianos para os infantis, atraia aos poucos aquela que sem saber seria a próxima geração de leitores. Com o tempo seus traços grossos foram dando lugar a traços cada vez mais finos, cores mais amenas e todos os personagens foram recebendo leveza em seus traços, em contra ponto, a temática de seus quadrinhos foi tomando uma forma mais socialmente responsável, tivemos acréscimo de personagens para serem representantes étnicos, incorporou algumas facetas nacionalistas, tanto com novos personagens como em visões apresentadas nas histórias, rompeu com o modelo de quadrinho de folhetim e ganhou revista própria, com histórias mais cumpridas e mais trabalhadas. Estas mudanças foram o suficiente para manter por anos a franquia como ícone ao se tratar de quadrinhos, quando não se tinha mais em vista mais mudanças em sua apresentação na plataforma revista, foi apresentado em Agosto 2008 à novidade: ”Turma da Monica Jovem – Eles cresceram”. Transformando seus personagens que por muitos anos foram vistos como crianças, em jovens, assim assumindo novas temáticas, manteve presente o lado lúdico, mas uma proposta de abordagem mais juvenil tomou as obras de Mauricio, novo traçado com características mescladas entre a técnica japonesa do “Mangá” com suas marcas registradas no quesito desenho, para assim, facilitar a associação da nova sequência a já estabelecida franquia. Dentro da ótica de Zegmunt Bauman, as alterações que a franquia “Turma da Monica” passa nos quesitos conteúdo e apresentação já a 59 anos, ocorrerem para manter sua função relacional na forma de construção de conhecimento para o público infantil. Crianças e jovens no período de lançamento do quadrinho viram o início das indústrias, o surgimento das rodovias, hidroelétricas e construção de Brasília dentre outras mudanças econômicas. Socialmente tiveram como alguns exemplos de mudança, lidar com as consequências do êxodo rural, se adaptar ao choque cultural da parcela da sociedade que saia dos campos e o da parcela que já estava nas áreas urbanas e progressivamente recebe nesta época influencias em termos de comportamento e economia norte-americanos. Essa carga pedia que o material de leitura para este público fosse a um formato ameno e simples para atrair leitores, rápido para manter a atenção apenas por poucos momentos passando informações a primeira vista sem muito valor, mas vista de forma padronizada, passava o senso de valores que eram necessários para a manutenção social, mesmo que tivemos outras mudanças conforme o tempo de existência da obra, tivemos a mudança significativa da estrutura e apresentação a partir do título da revista em Agosto de 2008 pois, para acompanhar a mudança social que representa a nova geração de leitores. As crianças e jovens de nossa época nasceram na era da velocidade, do imediatismo e da liquidez, para continuar atingindo o novo público de mesma faixa etária que o foco primário de “Turma da Monica”, era necessário envelhecer os personagens, visto que, as crianças de hoje já se veem mais velhas, não estão mais adaptadas as noções de tempo do presente, e estão sempre querendo ser mais velhas, logo a melhor forma de atrai-los é colocar personagens juvenis, mas para manter eu entendimento da obra foi mantida a face lúdica, a arte nos desenhos do quadrinho passaram a ter uma apresentação com traços mais finos e pintura com uma aparência mais plástica, remetendo a uma aparência mais tecnológica e futurista, com fins dessa vez não de apresentar, mas de manter a base dos ensinamentos sociais já conhecidos por serem as bandeiras levantadas na obra de Mauricio de Sousa.
CONCLUSÃO
Com base nas analises propostas em sala de aula e neste trabalho, Maurício de Souza é o maior desenvolvedor da literatura em quadrinhos e apresenta seus diferentes aspectos em suas duas fases, histórias em quadrinhos infantis e Turma da Mônica jovem em manguá. Maurício apresenta primeiramente seus quadrinhos da Turma da Mônica infantil como inventor, sendo o maior expoente desse tipo de literatura, já em sua fase de manguá se transforma em mestre, onde se aperfeiçoa e se adequa. A obra de Mauricio de Sousa apresenta função relacional desde os primórdios até o período atual, ela mostra como se deve agir em sociedade e mostra o valor de alguns atos e a desvalorização de alguns atos de acordo com as reações que seus personagens têm com ocorrido, quando se age socialmente de forma positiva, ele constrói um desfecho positivo, indiretamente afirmando seu valor e reforçando que o leitor deve agir assim, quando a ação é negativa seu desfecho também é negativo, repetindo esse padrão ele reforça cada vez mais suas ideias.
BIBLIOGRAFIA
BAUMAN, Zygmunt. A sociedade individualizada: vidas contadas e histórias vividas. Rio de Janeiro: Zahar. Ed, 2008
CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira: momentos decisivos. 6ª ed. Belo Horizonte: Itatiaia, 2000.
POUND, Ezra. ABC da literatura. 11ª ed. São Paulo: Cultrix, 2006.















