Fim da tarde choveu, sol e chuva... deve ter aparecido algum arco íris em algum lugar, mas não aqui, nunca aqui. O Kiwi tomou banho de chuva, eu tomei um banho de chuva, e não foi pelo fato de correr e tirar roupas do varal na pressa, escapando dela, mas foi com alegria, e dessa vez não teve varal algum... era eu e um passarinho verde tomando banho de chuva. Rodrigo até me questionou “vai tomar banho de chuva?” e eu pensei, refletindo muito bem em cada palavra que eu ia dizer e disse “ sim vou tomar”. Quanto tempo eu só não tomo um banho de chuva? E isso me fez lembrar do céu estrelado, que tanto gosto, mas nunca paro para olhar, ou da chuva que amo, e nunca me deixo molhar. Vivendo no automático, no constante medo e na mais profunda ansiedade, sendo sufocada pelo meu silêncio. E na angústia de me esconder em boas educações enquanto meu coração lateja de dor da tristeza. Quem eu me tornei? Alguém que tanto reclama, e não adianta não reclamar, estar aqui é estar findada a dias ruins, onde manhã, tarde e noite as pessoas não sorriem, não se tratam bem, não estão presentes e não importam, e eu não sei com quem se importam... O que me entristece que aqui, as pessoas se anulam, e anulam as outras pessoas, e nada nunca está bom e nada nunca está leve. E eu ando pesada de gritos presos na garganta, de lágrimas que agora precisam de hora certa para cair. E mais uma vez eu conheço essa história e o final dela, já vivi isso antes, vivi e não sei desse círculo sair.














