diálogos: Por favor, não minta / Eu já sei de tudo / Você estava com ela(e) e depois mentiu sobre isso / Eu não preciso ouvir, é sempre a mesma coisa / Você pode ser honesto comigo pela primeira vez? / Já estou farta das suas promessas vazias / Me deixe te amar como você merece
Meu nariz arde de tanto passar o lenço, meus olhos doem e eu me sinto horrível. Encaro toda a decoração ridícula de comemoração que preparei. As velas já queimaram até o final, o jantar esfriou há muito tempo e a foto de Liam e Cheryl em um restaurante chique ainda estampa a tela do meu telefone.
Já é quase meia noite quando decido acabar com a humilhação própria e volto para a minha casa.
Era para ser uma boa noite, uma noite para comemorar o primeiro ano do começo das nossas vidas juntos, mas, pelo visto, meu namorado preferiu passar essa noite com a ex mulher.
Sentada no tapete no meio da sala, deixo mais uma vez que as lágrimas escorram.
Meu peito dói. Não tem alívio.
Batidas fortes na porta me acordam.
Três da manhã, só pode ser uma pessoa.
Sem encará-lo, deixo que entre. Liam dá passos nervosos até a sala pequena, encontrando em cima do sofá a caixa do presente que demorei semanas para conseguir escolher.
— Eu cheguei em casa e você já tinha ido… — Ele fala baixo, ainda de costas. Sua voz me causando ainda mais dor do que posso suportar.
— Onde você estava? — Pergunto, sem esconder a mágoa em minha voz.
— Bear teve uma emergência médica e…
— Por favor, não minta. — Imploro. — Eu já sei de tudo. — Como se estivesse em câmera lenta, Liam virou. Encaro seus tênis brancos, sem coragem nenhuma de olhar em seu rosto, isso apenas me destruiria ainda mais.
— Amor… — Ele tenta se aproximar, mas eu dou um passo para trás.
— Você estava com ela e depois mentiu sobre isso. — Sussurro, sentindo meus olhos inundarem mais uma vez.
— S/N, eu…
— Você pode ser honesto comigo pela primeira vez? — Grito. — Eu não mereço a verdade pelo menos uma vez? — Pergunto, passando as mãos com força pelas bochechas para afastar as lágrimas.
— Eu estava com a Cheryl… mas não é o que você está pensando. — Sem apressa em dizer. — Eu juro que…
— Eu não preciso ouvir, é sempre a mesma coisa. — Digo com ironia. — “Não é o que você está pensando, não foi bem assim, não vai mais acontecer” — Enumero as coisas que tantas vezes escutei de sua boca. — Já estou farta das suas promessas vazias.
— Amor. — Ele tenta se aproximar mais uma vez, mas eu não deixo.
— A verdade, Liam. É só o que eu quero.
— Encontrei com Cheryl para falar sobre a escola do Bear, fomos jantar para isso. — Ele suspira.
— No dia do nosso aniversário? — Pergunto, finalmente encarando o rosto que tantas vezes me trouxe alegria. A expressão de Liam se contrai, demonstrando que ele havia esquecido completamente da data. Sem conseguir mais segurar, deixo o soluço dolorido fugir, é preciso segurar na parede para que meu corpo não ceda.
— S/N…
— Você imagina como foi humilhante? — Sussurro. — Decorar toda a sua casa, fazer seu jantar favorito e esperar por horas como uma idiota enquanto você estava com outra.
— Amor, eu… — Ergo a mão para que ele não chegue perto, e para que note que ainda não terminei.
— Imagina como eu me senti quando vi em todos os sites de fofoca especulações sobre vocês? Eu fiquei horas esperando por você, Liam, horas. Sabendo que você chegaria e mentiria de novo sobre onde estava. — Escorrego pela parede, sentando no chão, sem forças para me manter mais. — Você sabe como eu me sinto, e mesmo assim você mente. Toda vez. — Dói. Tudo dói. O meu corpo e até mesmo os sentimentos que estou colocando para fora.
— S/A, você sabe que eu não posso simplesmente deixar de conviver com Cheryl, ela é mãe do meu filho e…
— Você quer que eu aceite seu filho, Liam? — Bato com a mão no piso. — Tudo bem! Quando começamos com isso, eu aceitei o pacote completo! Você e ele. O que eu não aceito é uma mentira nova cada vez que vocês dois se encontram! — Grito, sentindo minha garganta doer. Ele parece atordoado com as palavras, pisca lentamente algumas vezes e puxa o ar com força pela boca. — Eu não aguento mais. Não posso mais fazer isso. — Puxo minhas pernas para perto do peito, escondendo o rosto ali.
— O que você quer dizer?
— Não dá mais. — Dou de ombros. — Não posso viver assim.
— Amor, não faz isso. — A voz embarga, me fazendo soluçar alto. — Eu amo você, por favor…
— Se você me amasse mesmo, Liam, não mentiria pra mim.
— Eu não vou mais, eu juro. — Sinto as mãos frias afastarem meus braços para erguer meu rosto. — Por favor, não me deixa. — Ele sussurra, me encarando com os olhos molhados. — Eu te amo.
— Só amor não é suficiente. — Suspiro. — Não confio em você, Liam.
— Vamos dar um jeito nisso, amor. Não desista assim.
— Você acha que é fácil? Eu não aguento mais, Liam. Tenho guardado isso há meses, contando cada uma das suas mentiras, fingindo que eu não sei.
— Eu não traí você, S/N.
— Mentira também é traição. — Liam soluça, apoiando a testa em meus joelhos, deixando que suas lágrimas escorram pelas minhas pernas.
— Me perdoa. Por favor, me perdoa. — Sussurra. — Me dê a chance de te amar como você merece.
— Liam…
— Eu não vou mentir nunca mais, eu não vou dar motivos para que você vá. E, se no futuro você quiser ir embora, eu deixo. Mas vamos tentar, amor, por favor…
— Eu não sei se consigo. — Ele ergue o rosto, aproximando o corpo do meu, me tomando em um abraço desajeitado. Choro alto contra seu peito, molhando completamente a camiseta.
— Vamos conseguir. — Sussurra, deixando beijos pelo meu cabelo. — Uma última chance. — Implora, me fazendo olhá-lo. — Por favor, meu amor.
É uma decisão difícil de ser tomada assim. A mágoa ainda está muito recente, todos os sentimentos que transbordaram e foram expostos.
Peço por tempo, e mesmo hesitante, Liam aceita.
Por três dias inteiros considerei todos os prós e contras de seguir com a nossa história. A confiança abalada era difícil demais de ser reconstruída. Mas, em contrapartida, desistir do nosso amor sem tentar pelo menos mais uma vez também me parecia injusto.
Digitei a senha na fechadura eletrônica para que a porta se abrisse.
Ainda havia alguns resquícios da surpresa que havia preparado espalhados pela casa. Caminhei em silêncio, notando o corpo longo de Liam deitado no sofá, de costas para mim.
— Liam. — Chamei, fazendo-o pular para sentar e me encarar. Seu rosto inteiro se transformou em uma expressão de choro no momento em que ele focou os olhos em mim. Como um furacão, ele se ergueu do sofá, praticamente correndo em minha direção, quase me sufocando em seus braços. — É a última chance. — Sussurro, passando os braços em sua cintura para retribuir o abraço.
— Obrigado — Ele sussurra muitas vezes, com a voz embargada. — Obrigado, amor. Eu te amo.
Pedido: “ Meu pedido vai ser do Liam, ela sendo brasileiro e a família dele tendo preconceito, nao gostam dela por ser latina, por algum motivo eles todos passam um tempo juntos e ela faz comidas brasileiras e vai falando um pouco da cultura e história do Brasil, isso vai interessando eles e quebrando o preconceito sobre o país, ela também ensina português pra eles e quando eles veem as fotos daqui ficam loucos pra conhecer e até combinam uma viagem para assim poderem conhecer a família dela e o Brasil.”
Meu bem, assim que terminei, vi que não ficou 100% fiel ao pedido, mas espero que você goste mesmo assim! Por favor, me digam o que acharam <3 Lembrando que a ask está aberta para pedidos. Boa leitura!
Contagem de palavras: 2,369
— Vai ficar tudo bem, babe. — Liam disse massageando meus ombros tensos. Tentei sorrir, mas não estava dando muito certo.
A família de Liam estava vindo de Wolverhampton passar os feriados de final de ano conosco. E eu estava mais do que nervosa, desde o inicio do nosso relacionamento, quatro anos atrás, a família de Liam demonstrava que não aprovava nossa relação, piorando muito há três meses, quando ele me pediu em casamento.
— Eu não sei, amor. — Suspirei. — Ainda acho que deveria passar esses dias em um hotel, para que você pudesse aproveitar a sua família. — Me virei para ele, colocando as mãos em seus ombros. Liam me olhou com censura, a mesma expressão de dias atrás, quando eu havia sugerido aquilo pela primeira vez.
— Não mesmo. Essa é a sua casa, você fica. — Ele disse segurando meu queixo com os dedos. — Além disso, a minha família só precisa te conhecer melhor, e vão te amar tanto quanto eu te amo. — Me deu um selinho. Eu esperava que aquilo fosse verdade, mas não estava muito esperançosa.
No começo, pensamos que a família de Liam não gostava de mim pelo fato de não ser a Mãe de Bear, e eles serem uma família muito conservadora. Até que Liam me levou para passar seu aniversário na cidade natal, junto da família, e eu precisei ir embora, pois não aguentei ouvir as dezenas de comentários preconceituosos por ser latina. Esse era o grande problema. Por mais que a família de Liam convivesse por meses a fio comigo, eu nunca deixaria de ser brasileira, minhas origens eram muito fortes em mim, e eu tinha muito orgulho, mas ouvir os pais e as irmãs do homem que amo dizendo que se um dia tivéssemos um filho ele seria um “mestiço” ou um “bastardo” era demais para mim. Qualquer erro que eu cometesse, até mesmo falando com eles em uma língua que não era minha, era motivo de chacota.
Mesmo após cinco anos, os finais de ano eram muito dificeis de passar longe da minha família. Liam e eu havíamos ido ao Brasil no começo do ano, meus pais e meu irmão mais novo o adoraram, dando uma recepção digna do meu tão amado país. Pensar que passaria por essa época tão difícil tendo que aguentar comentários desnecessários era ainda mais desanimador.
Mas, como minha mãe havia me dito na ligação que fiz lhe contando que eles viriam: Se eu quero ter Liam para o resto da vida, preciso aprender a lidar com a família dele.
Depois de fazer minha costumeira faxina de final de ano com a ajuda de Liam, decoramos a casa com enfeites de natal. E eu decidi comprar as coisas para fazer uma ceia gostosa. Na Inglaterra não era um costume a ceia de natal, diferente do Brasil, eles apenas comem frango frito com pijamas em frente à uma televisão.
Liam avisou a mãe que a ceia seria no estilo brasileiro, e precisou ouvir um discurso de mais de uma hora ao telefone sobre “estar sendo castrado por uma latina”.
A família de Liam chegou toda junta, na véspera de natal pela manhã, como de costume, ninguém retribuiu meu comprimento, apenas abraçaram Liam, que depois os levou para seus respectivos quartos antes de se desculpar pela atitude dos pais.
— Você precisa ter paciência, s/n. — Minha mãe dizia pelo telefone, apoiado em um armário para que ela pudesse me enxergar pela câmera enquanto eu terminava de temperar o frango que logo iria para o forno. Como eu sabia que ninguém ali entenderia o que diríamos, não me preocupei em colocar fones de ouvido ou cuidar o que dizia.
— Eu não sei não. — Suspirei. — Eles me tratam como se eu estivesse “sujando” a família. — Disse fazendo aspas com as mãos sujas de tempero.
— Quando eles te conhecerem melhor, vão te amar, filha. — Ela disse sorrindo.
— É o que Liam diz, mas eu acho que já tiveram tempo suficiente, e nada mudou. — Falei lavando as mãos. Liam entrou pela cozinha e sorriu para a sogra na tela do telefone.
— Oi. sogrinha. — Disse com o sotaque arrastado, fazendo minha mãe rir. Ela havia passado um dia inteiro tentando ensiná-lo a falar “sogrinha”.
— Olá, querido! Como está? — Ela perguntou com o inglês não muito utilizado. Assim que contei á minha família que havia começado a namorar um ‘gringo’, todos decidirm fazer um curso da língua estrangeira, para que pudessem conversar com aquele que me fazia tão feliz. Mais uma diferença gritante entre nossas famílias. Meus pais fizeram de tudo para que Liam se sentisse em casa quando estivesse lá, até mesmo aprendendo uma língua com a qual nunca tiveram contato para poder se comunicar bem com o novo integrante.
— Estou bem! Sentindo saudades de vocês. — Liam falou devagar, para que minha mãe entendesse cada palavra. Ele era maravilhoso. — Estão falando mal de mim? Ouvi meu nome. — Ele disse me abraçando por trás, deixando um beijinho em meu pescoço.
— Nunca. — Falei rindo ao sentir cócegas quando sua barba roçou em minha pele. — Nunca falo mal de você. — Falei fazendo um beicinho, e ganhando um selinho.
— Vou levar Nicola para comprar alguns presentes, não devo demorar. — Avisou me dando mais um selinho demorado. Liam se despediu da minha mãe e saiu acompanhado pela irmã. Do ângulo em que estava na cozinha, era possível ver Karen e Geoff sentados no sofá da sala, assistindo algo na televisão.
— Queria estar com vocês hoje. — Suspirei, olhando para minha mãe na tela do telefone.
— Eu também, querida. Logo damos um jeito. — Ela disse fazendo uma careta. O plano inicial para o final de ano era juntar nossas duas famílias para se conhecerem antes do casamento, mas o visto da minha mãe não havia saído a tempo, então não foi possível.
— Espero que o seu visto saia logo. — Resmunguei, e ela sorriu.
— Eu também, bebê. — Disse me fazendo revirar os olhos. — Christian mandou um beijo.
— Manda um enorme pra ele. — Suspirei. Depois de mais alguns minutos de conversa, precisei desligar, pois ainda haviam muitas coisas a se preparar para a ceia. Assim que desliguei a tela do telefone, Karen entrou na cozinha, com os braços cruzados.
— Quem é Cristian? — Ela perguntou parando do outro lado da mesa, enquanto eu embalava o frango em papel laminado. A encarei surpresa. — Se você acha que pode fazer o meu filho de idiota, e andar com outros caras por aí, você está muito enganada, garota. — A loira se abaixou, apoiando ambas mãos na mesa, me encarando com raiva. — O meu filho vai saber que você fala sobre outros homens dentro da casa dele. Acha que porque estava falando no seu idioma eu não saberia que está falando de outros homens? — Ergueu uma sobrancelha. Antes que Karen dissesse mais alguma besteira, eu a interrompi.
— Cristian é meu irmão mais novo. Minha mãe estava dizendo que ele me mandou um beijo. — Respirei fundo, tentando controlar meu coração, que já batia a toda. Sempre que ficava muito nervosa, acabava me confundindo nas palavras, e dar a ela mais um motivo de chacota seria um inferno.
— E você espera que eu acredite nisso? — Ela disse com ironia.
— Não espero que a senhora acredite em nada. Mas é a verdade. — Dei de ombros. — Você pode perguntar á Liam o nome do meu irmão se quiser, não me importo nenhum pouco.
— O meu filho pode ser cego em relação á você, mas eu não sou, e vou fazê-lo abrir os olhos. — Ela disse me encarando.
— Karen, eu amo o seu filho, e me desculpe, mas eu não ligo para o que você pensa de mim. Liam me conhece, conhece a minha família e sabe muito bem o tipo de pessoa que nós somos. Meus pais já o consideram da família, e o amam tanto quanto a mim. Eu tenho pena da senhora, por ter um coração tão pequeno á ponto de odiar uma pessoa que ama o seu filho tanto quanto eu amo. — Comecei a disparar as palavras, sem conseguir controlar. — Se você quiser ir até Liam e dizer mais uma vez, como eu não sirvo para ele, ou como eu mancho o nome da sua família, pode ir. O amor que há entre Liam e eu é muito mais forte do que qualquer comentário que a senhora possa fazer sobre mim. Eu sequer queria estar aqui hoje, Liam me impediu que sair durante os feriados, porque eu não quero afastá-lo de vocês, mas não aguento mais ter que ouvir todo o tipo de xingamentos e mentiras sobre mim. — Meu rosto queimava, e o dela parecia ter perdido a cor. Eu nunca havia falado nada para a família de Liam, apenas ficava quieta e fingia não ouvir. — Já está sendo difícil o bastante passar o final de ano longe da minha família, então, por favor, não piore as coisas. Eu não vou cruzar o caminho da senhor, por favor, não cruze o meu. — Quando proferi a última palavra, vi Liam entrar na cozinha. Eu já estava com os olhos transbordando meus sentimentos. Me dirigi para fora do lugar, vendo Liam caminhar até a mãe com uma expressão de desagrado. Corri para o meu quarto, e pelo olhar de todos na sala haviam ouvido cada palavra.
Me sentei na cama deixando que as lágrimas escorressem, na esperança de que aquilo me acalmasse. Depois de alguns minutos, Liam entrou no quarto e se sentou ao meu lado. Depois de um longo momento apenas me abraçando, ele ergueu meu rosto e secou com os polegares.
— Me perdoa, babe, foi uma péssima ideia. — Disse baixinho.
— Está tudo bem. — Funguei. — Eu passei do limite com a sua mãe…
— Não. — Ele me interrompeu. — Ela ultrapassou todos os limites te acusando de traição, além das piadinhas que sempre faz. Eu nunca deveria ter permitido isso, amor. Se tivesse cortado desde o primeiro momento isso nunca teria acontecido. — Beijou minha testa.
— Você não controla os outros, meu bem. — Deixei um selinho em seus lábios. — Vou tomar um banho, colocar a cabeça no lugar. — Liam assentiu, selando nossos lábios mais uma vez e se dirigindo para fora do quarto.
Tomei um banho rápido, mas foi o suficiente para fazer meu corpo relaxar um pouco. Coloquei uma roupa quentinha, já que estava muito frio e voltei para a cozinha. Karen ainda estava lá, quieta, e eu também não disse nenhuma palavra. Não me arrependia de ter dito coisas que estavam entaladas há tanto tempo, mas definitivamente havia escolhido uma péssima data para isso.
Já era quase meia noite, Liam havia explicado aos parentes que no Brasil todos se arrumam para a virada do natal, o que eles fizeram. Eu estava na varanda, com uma taça de vinho na mão e sentindo meus olhos marejaram mais uma vez, agora de saudade.
— Feliz natal, s\n. — Meu corpo enrijeceu ao ouvir a voz da minha sogra se aproximando.
— Feliz natal, senhora Payne. — Respondi. Karen parou ao meu lado, apoiando os braços na sacada e respirando fundo.
— Liam me contou que Cristian realmente é seu irmão, lhe devo um pedido de desculpas. — Ela disse depois de algum tempo.
— Está tudo bem. Me desculpe gritar com a senhora.
— Eu entendo. — Ela suspirou. — Nesses últimos anos você aguentou coisas realmente horríveis da minha parte. — Disse olhando para as próprias mãos. — Liam disse que sua família o recebeu como um filho, até mesmo aprenderam nossa língua para que ele ficasse confortável. — Sua voz começava a ficar embargada. — Enquanto isso, nós a tratamos muito mal. Espero que possa nos perdoar, e que possamos recomeçar. — Ela disse erguendo seu rosto, e me olhando com olhos marejados. Tenho certeza de que minha expressão era de pura surpresa.
— Cla… claro. — Falei tentando sorrir, mas ainda tentando digerir tudo aquilo. Será que eu estava bêbada demais e imaginando coisas?
— Posso te dar um abraço? — Ela perguntou, com relutância, e eu assenti. Karen se aproximou, me tomando em seus braços, em um abraço apertado que eu retribuí. Senti que em algum momento ela soluçou, e eu a apertei um pouquinho mais, tentando dar conforto. Não vi o momento em que Liam entrou no local, mas reconheci o perfume assim que ele passou os braços em nossa volta.
— Vocês não tem noção de como estou feliz com essa cena. — Ele disse, a felicidade em sua voz era evidente.
Voltamos para a casa, e fomos jantar. Todos comeram bem, e elogiaram a comida. Depois que a bebida alcóolica fez algum efeito, todos estavam rindo. E por mais que fosse estranho, aquele momento de intimidade repentina, me fez sentir muito bem.
Liam mostrou aos pais fotos dos nossos momentos no Brasil, fazendo seu pai rir alto com a minha imagem preferida, Liam sentado no sofá da minha casa enquanto meu pai estava em sua poltrona com nosso cachorro no colo, Cristian estava entre os dois com os braços cruzados fazendo uma cara de bravo, imitando uma cena de poderoso chefão.
— Sua família parece muito engraçada. — Geoff disse, se dirigindo a mim. O que era novo, já que geralmente apenas me ignorava.
— Eles são. — Liam que o respondeu. — Cris têm onze anos, mas achei que ele fosse realmente me bater quando chegamos lá, s\n é a princesinha da família. — Ele disse fazendo meu rosto esquentar.
— Eu adoraria ir ao Brasil. — Karen disse, antes de tomar um gole de sua gemada.
— Meus pais estão loucos para virem. Talvez consigam no mês que vem.
— É mesmo? — Ela disse surpresa, a bebida fazendo-a exagerar nos movimentos e um pouco no tom de voz. Eu assenti com a cabeça. — Precisamos aprender português! Para podermos conversar! — Ela disse largando a caneca na mesinha de centro da sala. — Eu e sua mãe precisamos começar a organizar o casamento. — Disse batendo as mãos, animada, me deixando ainda mais surpresa, e fazendo Liam sorrir o máximo que podia.
— No fim, não foi uma má ideia. — Liam disse assim que deitamos em nossa cama. — Estou tão feliz que acho que posso sair voando. — Ele disse suspirando. Eu estava com a cabeça apoiada em seu peito e podia ouvir seu coração batendo levemente mais rápido.
— Estou feliz. — Admiti. — Quem diria que eu só precisaria surtar? — Brinquei, fazendo-o rir.
— Eu te amo. — Falou em português, fazendo meu coração derreter, como sempre acontecia quando ele fazia isso.
Pedido: Não acredito que estão de volta!!!! E já que estão com pedidos abertos, vou fazer o meu! Quero com o Liam. Que eles vivem de reencontros, e toda vez eles ficam (clichê basico), num desses encontros, os dois estão acompanhados de outras pessoas, fingem que nem se conhecem, mas no final de tudo acabam juntos, do jeito que eles planejaram em uma conversa aleatória planejando um futuro que nunca iriam ter (acho que o momento mais íntimo deles, são eles tendo essa conversa. Mas faz um hot tbm 😂)
Muito obrigado pelo pedido! Espero que goste <3
Uma pergunta, se importam do pedido aparecer assim no começo ou preferem sem que ele apareça?
💕💕💕💕💕💕💕💕💕
— Você está uma gata. — Ethan disse escorado no batente da porta do meu quarto. O respondi com um sorriso enquanto terminava de passar meu batom. — Vamos? — Perguntou quando peguei minha bolsa e eu assenti.
Sentia meu coração bater rápido à medida que nos aproximavamos do local da festa de Niall, queria muito ir prestigiar meu amigo, mas sabia que ele estaria lá. Entramos no lugar cheio e fomos de mãos dadas até a mesa onde estavam todos que eu conhecia. Comprimentei cada um com um abraço, inclusive Liam, deixando que seu perfume entrasse pelas minhas narinas, trazendo um ar de nostalgia.
— Pessoal, esse é Ethan. — Apresentei e ele deu um aceno geral.
— Essa é Cheryl. — Liam disse agarrando na cintura da mulher, e olhando diretamente para mim.
— É um prazer conhecer alguém tão... experiente na área. — Falei apertando sua mão, enquanto ela dava um sorriso fraco.
— Você canta?
— s/n ganhou a temporada do X Factor que nós participamos. — Ouço uma voz muito conhecida e então sou abraçada por trás.
— Meu loiro! Feliz aniversário. — Me virei abraçando Niall com força. — Ex loiro. — Me corrigi fazendo-o rir.
Ethan e eu sentamos no lado contrário de Liam e Cheryl na mesa, e eu podia sentir os olhos de Liam passeando por meu corpo.
— Eu quero dançar. — Falei próximo ao ouvido de Ethan. Várias pessoas da nossa mesa já estavam na pista de dança, lotada também com outras pessoas presentes no bar. Levantamos e pude sentir um pouco do efeito da bebida.
Balancei meu quadril no ritmo da música e fechei meus olhos, cantei "cool for the summer" até sentir um par de mãos na minha cintura, me virei esperando ver Ethan, mas sorri ao ver Liam.
— O que faz aqui?
— É a festa do Niall, só estou festejando. — Riu quando rolei os olhos.
— Estou falando sobre estar aqui com as mãos na minha cintura.
— Como eu disse, festejando. — Disse em meu ouvido, fazendo um arrepio correr pela minha espinha.
— Cadê a sua senhora? — Perguntei e ele deu um sorriso, percebendo meu ciúmes.
— Vamos sair daqui. — Agarrou minha mão e me puxou para fora da pista de dança e fora do bar.
Liam me levou até seu carro rapidamente, e dirigiu mais rápido ainda até sua casa.
— Vai pro quarto. — Disse quando entramos. — Só vou trancar e acionar o alarme. — Assenti e fui para o quarto tão conhecido por mim. Entrei já tirando os sapatos e me sentei na cama. — Poderia ter me esperado nua. — Liam disse entrando e abrindo os botões da camisa.
— Assim não teria graça. — Falei descendo da cama e me ajoelhando a sua frente. Abri o botão da sua calça e baixei-a junto da cueca, liberando seu membro. Liam gemeu baixo quando o coloquei na boca, e jogou a cabeça para trás. Suguei seu membro enquanto ele coordenava os movimentos com uma mão em meu cabelo.
— Se continuar vou acabar gozando. — Disse com dificuldade. Então me levantei e tirei meu vestido, junto das roupas íntimas. Liam me jogou na cama e me virou de costas, então puxou minha cintura, me fazendo ficar de quatro, e então entrou com força, me fazendo gemer alto. Não conseguia conter meus gemidos cada vez que ele dava um tapa em minha bunda.
Me virei para Liam, puxando-a para cima de mim. Depois de mais algumas estocadas meu orgasmo chegou, e logo o dele. Ficamos ali, suados e jogados na cama, um abraçado ao outro.
— Acha que um dia vamos ter uma família ou algo assim? — Liam perguntou enquanto eu fazia nosso café da manhã.
— Não sei. — Dei de ombros. — Acha que um dia vamos ficar juntos? Pra valer. — Liam deu um gole em seu suco e pareceu pensar.
— Acho que sim. — Me olhou. — Já nos imaginou idosos, cheios de netos? — Disse rindo.
— Não quero me imaginar idosa. — Fiz uma careta. — Mas você vai ser careca. — Fui até ele, que me puxou para o seu colo.
— E filhos, quantos você quer ter? — Me deu um beijinho no nariz.
— Humm... dois. – Disse e ele sorriu.
— Dois filhos, um cachorro e um gato, o que acha?
— Vamos precisar de uma casa grande. — Falei e ele riu.
— s/n, você está bem? — Liam se sentou na cama, me fazendo sair do devaneio.
— Estou. — Me sentei também. — Só estava pensando.
— Em quê? — Colocou uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha.
— Nós. — Desviei o olhos dos dele.
— E em quê, exatamente? — Perguntou puxando meu queixo para olhá-lo.
— Até quando vamos agir assim. — Suspirei. — Estamosllll sempre nesse vai-e-volta, eu quero ser mais do que uma transa ocasional.
— Você não é uma transa ocasional. — Disse me olhando sério.
— Mas ao mesmo tempo não sou nada pra você. — Passei a mão pelos olhos. — Eu sugiro que isso acabe aqui, dessa vez de verdade.
— Nós nunca terminamos de verdade, toda vez que nos vemos vamos parar na cama juntos. — Ele disse dando um sorriso de lado.
— Mas chega disso. Ethan é um cara legal e tenho certeza de que a Cheryl também. — Ele assentiu. Levantei sem falar mais nada e me vesti, Liam permaneceu em silêncio depois me acompanhou até a porta, também já vestido. — Então é isso. — Me virei para ele na porta. — Adeus Liam. — Ele abri a boca para falar algo, mas eu não deixei, me virei e fui embora.
Chamei um táxi e em alguns minutos estava em casa. Digitei uma mensagem para Ethan dizendo que tinha saído da festa sem avisar e que precisávamos conversar mais tarde, então me deitei e tentei dormir, sem muito sucesso no começo, mas logo o cansaço venceu.
Acordei com meu celular tocando alto, o número desconhecido já havia ligado 5 vezes. Me sentei na cama e atendi.
— Alô? — Falei com a voz um pouco rouca.
— Por quê demorou tanto? — Ouvi a voz de Liam do outro lado.
— Liam? Porquê está me ligando às cinco da manhã? — Perguntei olhando na tela do celular.
— Abre a porta.
— Você está aqui? — Falei levantando e indo até lá, ele realmente estava. Liam entrou e ficou me olhando por alguns segundos. — O que aconteceu?
— Eu pensei sobre o que você disse. – Passou a mão pelo cabelo. — E eu não quero. Não quero terminar com você. — Se aproximou de mim. — Lembra aquele dia que conversamos sobre ter um futuro? — Assenti. — É isso que eu quero, s/n, um futuro com você. O que me diz?
– Eu... E a Cheryl? — Passei a mão pelo cabelo, sentindo um frio na barriga.
— Se você me quiser, acabou com ela. — Assegurou.
— Você tem certeza disso?
— Absoluta.
— Então vou ter que conversar com Ethan.
— Sobre o quê?
— Sobre eu namorar você agora, oras. — Falei e Liam sorriu, me puxando para ele, selando nossos lábios.