O exercício era bordar três carreiras com linhas variadas e que compõem o bordado, usando o ponto atrás (aliás, o que eu mais uso). As cores também deveriam ser diversas, mas que “conversassem” entre si. Mantive o uso de linha moulinê, utilizada para bordar mesmo.
Vamos montar uma espécie de caderno de pontos.
Foi pedido também que fosse bordada uma frase. Poderia ser de um poema, mas decidi escrever com linha e agulha o que estou sentindo.
Primeiro, fiz o bordado. Depois, fui assistir “A Paixão de JL”, um documentário sobre a vida do artista (e bordadeiro) cearense, radicado em Sampa, José Leonilson. Já tinha visto alguns trabalhos dele no outro curso que fiz, em 2019.
Cara, como eu chorei! Chorei tanto porque o trabalho dele é lindo, leve e ele teve, como diria Cazuza, uma vida louca e breve. Alguns trabalhos dele que gosto demais são os que se referem ao termo “Ninguém”. No caso, ele bordou em um travesseiro a palavra.
Ninguém.
Fui chorar dormindo, repousando a cabeça no travesseiro que tenho.
Aí, no dia seguinte, peguei o bordado, bordei o nome que tenho e fiz as carreiras. Tudo em tons de rosa, como está o pescoço, sofrido pela última alergia enfrentada.
Terminei. Li e contemplei tudo o que tinha feito.
Não, Leonilson, a gente não é ninguém.
A gente sempre será Alguém.
Alguém.
Não se culpe - nem se cobre - assim.
Respira!











