“Se sentir vazio em meio a multidão é louco viu. Estar na mesa do bar rodeado de amigos e se pegar pensando o sentindo que aquele momento tem pra você, o quão significa a amizade e as gargalhadas que você deu naquela noite. Será reciproco a importância que você dá as pessoas que te cercam? Seria mais confortável se a resposta fosse sempre sim. Ultimamente tenho me perguntado porque as pessoas se contentam com pouco, porque elas tem medo de mergulhar a fundo uns nos outros e descobrir o verdadeiro ‘eu’ que existe e assim tonarem-se elos verdadeiros. Hoje é tudo tão superficial, o vazio que existe dentro de cada um parece ser a melhor qualidade. A importância que se dá é tão pouca. Essa geração de ‘quem se importa menos’ parece fazer tanto sentido quando se olha mais a fundo e tão frustrante de você se ver em meio dela. Parece que tudo está no seu devido lugar até dar um ‘click’ e você observar tudo de longe, observar que sorrisos vazios, abraços vazios, estão ao nosso redor e por mais verdadeiro, mais sincero que seja o seu ‘eu’, nunca podemos esperar nada de ninguém. Será que seus segredos estão seguros com quem te dá um ombro pra desabafar? Será que quando você não está presente faz falta na mesa do bar ou outras pessoas podem te substituir? Pessoas vazias em lugares cheios ou lugares cheios de pessoas vazias? É tanto fingimento, tantos momentos rasos, tudo construído com tão pouco, com tantas migalhas que você já não faz mais parte da sua roda favorita de amigos, nem das risadas a toa, das conversas paralelas, dos olhares de malicia que te faziam se sentir especial. Culpa do mundo? Da sociedade? Do tempo que não para? Eu não sei. Prefiro acreditar que a culpa é sempre nossa de nos permitirmos ser sempre pessoas rasas, que não mergulham no oceano cheio de incertezas pra descobrir o que tem no fundo. É mais comodo e mais fácil alguém contar que é lindo lá em baixo e você acreditar nisso, assim como é fácil te falarem de pessoas e você acreditar sem conhecer, sabe aquelas características fúteis? Você sempre acaba acreditando, porque no fundo a gente se preenche com aquilo que nos convém. Mas ei, depende de você ser o diferencial entre tantos vazios, depende de você ser sincero e verdadeiro nas atitudes e nos momentos que está com sua roda favorita. Quem faz você especial não é o conjunto de vazios dos outros. Mergulha no fundo, se surpreenda, dê sempre o seu melhor e não conta o que tem de bonito lá em baixo, é muito mais gostoso o mistério que se deixa no ar, afinal a curiosidade faz parte das pessoas e elas sempre vão querer descobrir por si só o seu diferencial. Dar o seu melhor sempre, mas não se humilhar. No fundo sabemos quem realmente está com nós, quem realmente sempre te elogia quando não está na mesa, quem te manda mensagem dizendo que bebeu uma dose da sua cachaça preferida e sentiu sua falta, quem te liga pra te acordar na madrugada e dizer que você deveria estar lá, mesmo que amanhã nem se lembre. Essas são pessoas que vale você ir e descobrir, mesmo que elas não te deixem nos primeiros 30 minutos mergulharem em seus oceanos, o que ela realmente é estará lá quando menos esperar, desviando das pedras e deixando que a corrente te leve, de leve até onde você quer chegar. Assim é ser verdadeiro, descobrimos aos poucos o que alguém tem de bom, de ruim e você mesmo forma a opinião sobre ela sem que alguém te diga por onde ir. Ah, e aquelas pessoas vazias? Elas também são cheias, mas não perca seu tempo tentando mergulhar em meio a todas as pedras que ela colocou no caminho, se machucar não será impossível e se ela não te mostrar onde pular, não se arrisque, a correnteza pode ser muito mais forte do que imagina e depois poderá descobrir que no fundo só irá te mostrar o vazio que existe nela. Não se permite ser o raso de ninguém, não deixe que as pessoas formem suas próprias conclusões sobre você, seja quem você realmente é em todos os lugares, todos os mares e oceanos por ai. Não tenha medo de mostrar seus defeitos e os cacos que juntou ao longo da trajetória até aqui, não se arrependa, foi de momentos sentados na mesa do bar que você percebeu quão vazio você era e sentiu a necessidade de mudar os ares. Levanta a cabeça, aprenda a transbordar nesse sorriso todo o oceano de maravilhas que existem lá no fundo e seja inesquecível para alguém”.